Mostrando postagens com marcador Jornalismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jornalismo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Avatar FiliPêra

Pirataria, Internet e Contracultura… finalmente o resultado

 

image

Após meses a fio escrevendo, dores de cabeça infindas, descidas ao inferno para pesquisar, contato com as Teorias da Comunicação mais loucas possíveis, leituras dos autores mais desparafusados de todos, terminei a minha Monografia. E como o esforço genuíno geralmente é recompensado, fui aprovado com uma nota 10 com louvor, além de receber um convite para me tornar um pesquisador - coisa que sabe Deus se me tornarei, embora tenha lá uma vontade.

Enfim, como muitos devem saber, meu trabalho foi intitulado Compartilhamento e jornalismo - um estudo do Pirate Bay no jornal Estado de São Paulo e no blog Baixacultura e se propôs a ser um estudo tanto do Compartilhamento do ponto de vista histórico, como uma investigação de como as ferramentas digitais alteraram nossa percepção e interação cultural.

Foi a forma que encontrei de utilizar as ferramentas científico-acadêmicas para militar por uma causa que considero primordial, além de pesquisar a fundo um assunto geralmente abordado somente pelo ponto de vista jurídico.

São 217 páginas - 57 delas de anexos -, 67 mil palavras e 425 mil caracteres, de um trabalho que tomou uns 8 meses da minha vida, 4 deles bem intensos - além de ter me mostrado que consigo escrever um livro consistente bem rápido. Agora provavelmente seguirei os conselhos do meu orientador e escreverei um artigo científico de umas 15 páginas sobre minha pesquisa e a inscreverei em conferências de comunicação e ver no que dá, além de começar a pensar no meu Projeto de Mestrado, que já tenho na minha mente - isso continuando na minha ocupação de jornalista cultural.

Enfim, espero que gostem e sirvam para a evolução do vosso conhecimento não só sobre Pirataria/Compartilhamento, mas sobre como são construídas as verdades em nossa sociedade.

Ainda vou curtir um pouco minhas férias e pensar em como voltar a postar no NSN.

Abraços e para lerem/baixarem a Monografia, é só clicar AQUI ou na imagem!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Avatar FiliPêra

Documento revela os políticos que são donos de concessões de rádio e TV

 

image

Em algum momento da sua vida feliz de brasileiro, você deve ter tomado ciência da relação perniciosa entre órgãos de comunicação e a política. Segundo o mais recente levantamento sobre o assunto, “pelo menos um terço dos 81 senadores e mais de 10% dos 513 deputados federais controlam canais de rádio ou televisão”, um dado alarmante. Só tem um problema nisso tudo: parlamentares, a partir do momento em que se apossam dos seus cargos, não podem “firmar ou manter contrato" ou "aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado" em empresa concessionária de serviço público [Rolling Stone], segundo a Constituição - artigo nº 54, capítulo I. E as redes de rádio e TV são concessões públicas de uso renovável por períodos específicos de tempo. As empresas - ou órgãos, ou uma instituição qualquer - recebem o direito de explorar uma certa faixa do espectro eletromagnético por um tempo estipulado em contrato.

E não são só integrantes do poder Legislativo que controlam a mídia de massa brasileira. Dados específicos de 2008 apuraram que “271 políticos são donos de concessões”, distribuídos da seguinte forma:

Desses, 147 são prefeitos (54,24%), 48 (17,71%) são deputados federais; 20 (7,38%) são senadores; 55 (20,3%) são deputados estaduais e um é governador. Esses números, porém, correspondem apenas aos políticos que possuem vínculo direto e oficial com os meios – não estão contabilizadas as relações informais e indiretas (por meio de parentes e laranjas), que caracterizam boa parte das ligações entre os políticos e os meios de comunicação no País.

Quanto aos partidos, esses políticos surgem assim: 58 pertencem ao DEM, 48 ao PMDB, 43 ao PSDB, 23 são do PP, 16 do PTB, 16 do PSB, 14 do PPS, 13 do PDT, 12 do PL e 10 do PT [Direito a Comunicação].

Pra piorar o assunto e dar aquele ar conspiratório e revoltante, a lista dos donos era mantida em sigilo da população, não era uma informação pública. ERA, porque agora (agora é o modo do blogueiro camuflar a realidade de que a lista já tá há meses no ar e ele postergou esse texto mais do que deveria) a informação foi disponibilizada pelo Ministério das Comunicações em seu site. Tá tudo lá, desde os donos da empresa aos acionistas, passando pelo andamento do processo de renovação da concessão.

O documento do Ministério ainda mostrou outro tipo de procedimento que as empresas tomam nos estados. Como a lei diz que um mesmo dono só pode ter duas concessões dentro de um estado, a saída é um jeitinho, e registrar diferentes empresas com concessões diferentes em mais de um CNPJ. A RBS, por exemplo, possui 18 emissores de TV aberta e 25 de rádio no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, tudo na base dessa picaretagem proibida por lei - já que é estabelecido que o que importa é a pessoa física que controla a concessão.

Os dados estão AQUI, no site do Ministério das Comunicações.

 

[Via Marco Weissheimer]

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Avatar Murilo

Rum: Diário de um Jornalista Bêbado

 

image

Como a maioria dos outros, eu procurava alguma coisa, vivia em movimento, nunca estava satisfeito e às vezes me metia nas mais imbecis enrascadas. Nunca ficava parado por tempo suficiente para me dar ao luxo de pensar, mas de algum modo sentia que meus instintos estavam certos. Compartilhava uma espécie difusa de otimismo que dizia que alguns de nós estavam realmente progredindo, que estávamos num caminho honesto, e que os melhores de nós inevitavelmente chegariam ao topo.

Ao mesmo tempo, nutria suspeitas melancólicas de que a vida que levávamos era uma causa perdida, que não passávamos de atores, enganando a nós mesmos, numa odisséia sem sentido. Era a tensão entre esses dois pólos – um idealismo incansável e uma sensação de catástrofe iminente – que me dava forças para seguir adiante.

 

Uma das coisas que mais me fascinam na literatura é a possibilidade de transformar pessoas comuns em gigantes imortais. E tudo isso sem precisar de vultuosos orçamentos ou de uma série de equipamentos. Uma caneta e papel já dão muito bem conta do recado. Sem a literatura, Franz Kafka seria apenas um homem torturado psicologicamente que ninguém notava, Jane Austen uma solteirona convicta e Charles Bukowski apenas mais um velho bêbado entre milhões de outros. Com isso em mente, um jovem e desconhecido Hunter Stockton Thompson, escreveria dois romances nos 60: Prince Jellyfish e Rum: Diário de Um Jornalista Bêbado. Mas diferente do que apontavam suas maiores ambições, ambos os romances seriam recusados editora após editora. Décadas depois, quando já era o dono da alcunha de criador do Gonzo Jornalismo, a injustiça finalmente seria reparada com a publicação de ambos os livros. Claro que o fato de Hunter Thompson já ser tão famoso que poderia publicar até a sua lista de compras no supermercado pesou bastante.

Apesar do que essa demora para ser publicado pode atestar contra Rum: Diário de um Jornalista Bêbado, a verdade é que ele se prova um entretenimento excelente. Não é o grande romance americano como Thompson o considerava enquanto escrevia no auge do seu ego juvenil, mas é bastante divertido e bem escrito. Herdando o estilo direto e firme de Ernest Hemingway, ele explora suas experiências do curto período em que trabalhou como redator em uma revista esportiva de San Juan, em Porto Rico, para contar uma história completamente nova, como poucas vezes foi visto.

 

image

O protagonista é Paul Kemp, um jornalista americano que desembarca em Dan Juan para trabalhar no Daily News, um jornal tão decadente que parece sempre estar prestes a fechar. E é neste país novo e neste trabalho louco, tão deprimentes que a única forma de agüentar é enchendo a cara de rum, que Paul nos conta a história.

Homens de todos os tipos vieram trabalhar no News: de homens honestos e verdadeiramente talentosos a degenerados e perdedores irremediáveis que mal conseguiam escrever um cartão-postal – malucos, fugitivos e bêbados perigosos, um cubano ladrão que carregava um arma debaixo do sovaco, um mexicano retardado que molestava criancinhas, vigaristas, perdedores e todo tipo de cancros venéreos em forma humana, e a maior parte deles trabalhava por tempo suficiente apenas para conseguir dinheiro para alguns drinques e uma passagem de avião.

O jornalismo é uma das profissões mais romantizadas que existem e fica claro o esforço de Thompson para derrubar esta imagem de uma vez por todas. A profissão é sempre mostrada no livro como algo aborrecido, onde se é obrigado a cobrir eventos intermináveis e entrevistar pessoas vazias. E depois ainda ter que quebrar a cabeça para encontrar mil palavras para falar de cada um deles. Mesmo sendo um jornal fracassado em vendas e publicidade, o Daily News é o sonho de trabalho para muitos dos seus empregados. Em meio a tantos pinguços e vagabundos, qualquer um que tenha o mínimo de competência consegue se manter empregado, faça o que fizer. Mais que isso, qualquer menção a pedir demissão faz Lotterman, o dono do jornal, arrancar os cabelos de desespero.

Muitas pessoas que trabalham com palavras não confiam muito nelas, e não sou exceção – especialmente quando se trata de palavras grandiosas, como Feliz, Amor, Honesto e Forte. São palavras fugidias, relativas demais quando comparadas a palavrinhas afiadas e maldosas como Marginal, Vagabundo e Charlatão. Com essas me sentia em casa, porque são mirradas demais e fáceis de definir, mas as grandiosas são difíceis. Você precisa ser um sacerdote ou um tolo para usá-las com alguma segurança.

O ambiente de San Juan também não ajuda a melhorar a situação. A cidade é uma mistura inóspita de paraíso natural, ponto turístico repleto de americanos esbanjadores e criminalidade desenfreada dos porto-riquenhos. No mesmo dia em que você mergulha em uma paria de águas cristalinas, você pode ser assassinado pela irrisória dívida de um dólar, ter sua esposa estuprada por dezenas de vagabundos e levarem até suas meias sujas se você deixar a janela da sua casa aberta por alguns poucos minutos. Uma terra que parece sempre encoberta por um véu de irrealidade, onde pobreza e riqueza convivem lado a lado, e as manhãs guardam a promessa de grandes acontecimentos enquanto as tardes a certeza decepcionante de que nada interessante pode acontecer por ali.

Os porto-riquenhos nutrem grande interesse por carros abandonados, caem sobre eles somo animais famintos e os despedaçam. Primeiro somem as calotas, depois as rodas, depois os pára-choques, as portas e por fim a carcaça do carro – vinte ou trinta deles, como formigas carregando um besouro morto. Levam a carcaça até um ferro-velho, lucram uns dez dólares yanquis e em seguida brigam com facas e garrafas quebradas para resolver como dividir o dinheiro.

 

image

Thompson consegue o feito de criar personagens únicos, todos meio malucos, mas mesmo assim verossímeis. Paul Kemp é um típico anti-herói, não se importando com quase nada e ninguém, sendo capaz de espancar até velhinhos se eles pegarem no seu pé. Já Yeamon é um tipo de contraponto a Kemp. O símbolo de tudo o que Paul abandonou e desistiu de ser ao envelhecer em nome da prudência, Se Kemp é tão pessimista em relação ao futuro de Yeamon não é porque encontre grandes indícios para isso. Mas sim porque acreditar nisso é tentar provar a si mesmo que ter largado tudo o que acreditava e o definia foi mesmo a escolha certa.

Cultivo uma vontade secreta de esmurrar o rosto de um vendedor qualquer, quebrar seus dentes e deixar seus olhos roxos e inchados.

O que o tornava único era o fato de não ter o mínimo senso de distanciamento. Sala era como o torcedor fanático que invade o campo para agredir um jogador. Enxergava a vida como um Grande Jogo, e a humanidade inteira se dividia em dois times – A Turma do Sala e Os Outros. Os riscos eram tremendos e toda jogada era vital – e, embora ele assistisse a tudo com interesse quase obsessivo, não passava de um torcedor, berrando orientações que ninguém ouvia, acompanhado de uma multidão de treinadores ignorados, o tempo todo consciente de que ninguém lhe dava nenhuma atenção, porque ele não estava no comando do time e nunca estaria. E, como todos os torcedores, sentia-se frustrado pela consciência de que o máximo que poderia fazer, na melhor da hipóteses, seria entrar correndo no campo, causar algum tipo de transtorno ilegal e em seguida ser arrastado para fora pelos guardas, ao som das risadas da multidão.

Mas Hunter Thompson só consegue ser tão feliz na composição dos seus personagens graças à estrutura de conversa de bar que ele impingiu no romance e seu talento inegável para os diálogos. Não só por serem incrivelmente plausíveis em todas as situações e personagens, mas também por ajudarem a definir cada um deles. Pode-se sentir a personalidade deles a cada frase, suas motivações, sonhos e medos. Thompson nem mesmo se dar ao trabalho de mostrar as expressões corporais dos integrantes da história. Nós mesmos, inconscientemente, acabamos fazendo isso por ele durante a leitura.

Fiquei apenas sentado e bebendo, tentando decidir se estava ficando velho e sábio ou apenas velho e nada mais.

Escutando Yeamon, percebi que fazia tempo que não tinha mais a sensação de ter o mundo nas mãos, que muitos aniversários tinham se passado rapidamente desde meu primeiro ano na Europa, quando era tão ignorante e confiante, que cada mínimo golpe de sorte fazia com que eu me sentisse um campeão invencível.

Não me sentia daquele jeito havia muito tempo. Talvez, em meio a toda a confusão do passado, a idéia de que eu era um campeão tenha sido roubada de mim. Mas naquele momento me lembrei dele, e isso fez com que me sentisse velho e irritado por ter feito tão pouco em tanto tempo.

Testemunhar aquela cena que me trouxera diversas lembranças – não de coisas que tinha feito, mas de coisas que fracassara em fazer, de horas desperdiçadas, momentos frustrados e oportunidades perdidas para sempre. O tempo tinha devorado uma porção enorme da minha vida, uma porção que eu nunca mais conseguiria recuperar.

 

image

O tema que permeia todo o enredo de Rum: Diário de um Jornalista Bêbado é a frustração que a idade pode acarretar. Qualquer pessoa de 30 ou 40 anos já deve ter se lamentado alguma vez ao olhar para trás e perceber que não fez nada de importante em sua vida, não realizou nenhum dos seus sonhos e tudo não passou de perda de tempo. Paul não é nenhum velho, tem apenas trinta e dois anos, mas tem a total noção de que seu tempo está ficando cada vez mais curto. A cada minuto a chance de morrer na mesma merda e nunca passar de um fracasso se torna maior.

Não importava o quanto eu quisesse todas aquelas coisas que só poderia comprar quando tivesse dinheiro. Alguma espécie de repuxo demoníaco me arrastava em outra direção – rumo à anarquia, à pobreza e à loucura.

O melhor de tudo é constatar que muito do estilo que consagraria Hunter Thompson como jornalista gonzo já estava presente em Rum: Diário de um Jornalista Bêbado. Mesmo que as drogas e a insanidade da escrita ainda estejam distantes, podemos percebê-lo claramente afinando seus instrumentos para os concertos cada vez mais inspirados que daria em livros como Hell’s Angels e Medo e Delírio em Las Vegas. A grande indiferença é que aqui Thompson segue o caminho inverso: usa seus conhecimentos de jornalismo para aperfeiçoar sua prosa.

Ler Rum: Diário de Um Jornalista Bêbado é como beber enquanto se conversa bobagens com os amigos. Em alguns momentos, a narrativa se torna tão fluida que chegamos a sentir o álcool correr em nossas veias, como se estivéssemos realmente ali no bar entre os personagens da história. Talvez seja essa a razão do sucesso de Thompson em manter seu romance atual mesmo depois de mais de cinquenta anos. E é isso que garante que Rum deixe de ser apenas mais um livro de um Thompson ainda imaturo para ser um dos mais sarcásticos e inspirados retratos sobre a perda de ilusões já escritos.

Autor: Hunter Thompson

Páginas: 256

Editora: L&PM

Nota: 8

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Avatar FiliPêra

Pedaços fantásticos de Jornalismo

 

image

Se você pretende ser um grande jornalista tipo Eu, o lance é ler artigos jornalísticos pra cacete. Não só o jornalzinho da sua cidade ou estado, mas as publicações top de linha - revistas, na minha humilde opinião. E boa parte dessas reportagens estão em inglês, nas revistas americanas e inglesas.

O editor-associado da revista The Atlantic, Conor Friedersdorf, fez uma lista com 100 matéria que ele considera fantásticas,  e todas as que Eu li se enquadram nessa classificação. A listagem está dividida por seções, então tem matéria de esportes, crimes, ciência e vários outros assuntos. Clique AQUI para ler a lista.

 

E já que estamos falando de textos jornalísticos longos e bem feitos, aí vai mais algumas dicas. O site Longform reúne um apanhado de textos de fôlego escrito nas melhores publicações mundiais. Também é tudo dividido por assunto e ainda é possível fazer um login e organizar de forma eficiente os textos já lidos e os para ler posteriormente. Recomendo!

O Longreads segue pelo mesmo caminho e indica uma série de textos com mais de 1500 palavras que podem ser lidos online, e ainda divide tudo por autores preferidos e publicações (o Longform também tem arquivos por publicações). É perfeito para guardar textos para aqueles momentos offline.

Pra fechar, dê uma olhada numa lista que o KK.org fez uma lista chamada delicadamente de The Best Magazine Articles Ever, com 25 textos jornalísticos clássicos. É só clicar AQUI e ser feliz.

 

Como vocês repararam, todos os textos acima estão em inglês. Com o lançamento da MobGround, em agosto, se nada der errado, pretendo tocar um projeto similar, mas com indicações de textos somente em português, seja de jornais, revistas, blogs ou qualquer outro lugar, o importante é que seja foda, jornalístico e não tenha somente dois ou três parágrafos. Para isso, precisarei de dois ou três curadores além de um integrante da nossa equipe fixa que me ajudarão nas indicações e nos comentários.

Não precisa ser jornalista, somente conhecer as técnicas da profissão e gostar de ler. Quem se habilitar, é só mandar um email. Talvez Eu não responda agora, mas com certeza responderei quando o lançamento estiver mais próximo.

Outra: pra quem gosta de Jornalismo, criei agora uma tag com posts aqui no blog sobre o tema. Em breve vou revirar nossos arquivos e acrescentar outras matérias.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Avatar FiliPêra

[HyperEspaço #21] A morte de Osama e a noite em que o 4Chan chutou a bunda preguiçosa da mídia

 

image

Quem não dormiu cedo no domingo (só os bons que não têm medo daquela segunda-feira ressaquenta) leu em primeira mão a metralhadora de informações desencontradas sobre a suposta morte de Osama Bin Laden, alçado ao posto de inimigo número 1 do Mundo Livre depois daquelas cenas inacreditáveis do 11 de setembro. O palco dessa maluquice foi o Twitter, em que redes de notícias tuitavam com a voracidade de mordidas de um bando de hienas famintas e risonhas em cima de uma carniça recém-fedorenta.

A bem da verdade é que para uma sociedade amortizada por uma cultura de excesso de informações baratas, a Morte de Bin Laden foi um espetáculo bem broxante. Tirando umas tuitadas de um paquistanês que só sacou que tavam metralhando o Bin Laden depois que narrou todo o embate, o resto foi mais burocrático que o zeramento de qualquer Tomb Raider - incluindo o 2, que ela aparece de roupão depois de um banho de banheira.

Depois de 10 anos, trilhões de dólares cuspidos em guerras, milhões de mortos na caçada… esperava-se mais dos sempre espetaculosos Estados Unidos da América. Porém só rolou um pronunciamento do Obama estilo LIKE A BOSS afirmando de peito aberto que tinha sido ele o responsável pela morte do barbudo (sem levantar a bunda do Salão Oval), a garantia que um exame de DNA comprovava que era mesmo Bin Laden o baleado e a promessa de fotos.

Somos uma sociedade visual, de transmissões via satélite, queremos imagens! Já vimos Marte, já vimos o homem (supostamente) pisar na lua, como assim não podemos ver Bin Laden morto?! Será que Osama é Cristo, que morre e ninguém precisa ver o corpo?!

Para os americanos, essa escassez de material visual concreto - diferente do que rolou quando capturaram o piolhento Saddam Hussein, que teve até vídeo de enforcamento vazado na internet - não foi um entrave para uma festa tresloucada e carnavalesca em frente a Casa Branca e no Marco Zero (AKA o lugar onde eram as Torres Gêmeas). Só faltou garotas americanas mostrando ao vivo porque as estadunidenses são conhecidas mundialmente por seus pares de seios, ao fazer valer a tradição do flash do Carnaval de Nova Orleans.

 

image

Nessa guerra voraz em busca da informação antes dos outros - a famosa furada jornalística - veículos do mundo inteiro escorregaram numa casca de banana das piores: postaram uma foto falsa - e porcamente montada - que seria a primeira a mostrar Bin Laden morto. A imagem havia saído do 4Chan, o lado mais podre da internet mundial, e na minha timeline foi postada pelo Bobagento, exatamente às 15 pra uma da matina. Isso tudo, alguns meses depois de Eu defender inflamadamente a superioridade da Mídia Tradicional sobre as Redes Sociais (mas aquele texto lá continua valendo, só pra constar).

 

Ainda na longa madrugada de domingo - segunda-feira foi feriado aqui no Espírito Santo, adentrei a madrugada no eterno nada-faz fingindo ser analista de mídias sociais - a coisa piorou: a Casa Branca informou que Bin Laden estava desarmado quando foi alvejado, e que seu corpo foi jogado no mar, “depois de ter um funeral nas tradições muçulmanas” em um porta-aviões que o sono não me deixou apurar o nome - ou não foi divulgado, assim como muita coisa nessa história.

Em resumo temos: CNN, New York Times, um paquistanês tuitando e outros veículos cuspindo informações desencontradas mas que no final das contas apontavam que Bin Laden estava morto… mas nada de imagens ou outras coisas concretas, só uns vídeos meio embaçados e mais acelerados que filme de Michael Bay. E ainda por cima, soubemos que os militares americanos chupinharam o estilo da ditadura brasileira de sumir com seus inimigos ao despachar Bin Laden dessa pra uma pior - que já era uma chupinhação do estilo siciliano, mais honrado, tradicional e cheio de significados.

Além de manchar técnicas mafiosas, o Exército dos EUA foi ainda mais longe: aparentemente cooptou a mídia - estou colocando um aparentemente porque não posso provar nada, estou apenas duvidando da história toda. E não foi só a mídia americana, o âncora do jornal que cozinhou por semanas as ações truculentas da polícia carioca na guerra travada no morro do Alemão, achou justa essa escassez toda de dados:

 

Quem não tinha idade pra entender o 11 de setembro há 10 anos, consulte o You Tube pra entender como Bin Laden quebrou regras do terrorismo. (LINK)

Pra quem compara: Saddam era um ditador no Iraque. Bin Laden, o líder terrorista internacional responsável pelo maior atentado da História. (LINK)

Os Republicanos, oposicionistas ferozes, cumprimentariam e elogiariam a atitude resoluta do Democrata Obama por absoluta ingenuidade? (LINK)

Os americanos mostrariam, felizes, um Bin Laden morto e desfigurado que virasse símbolo de martírio e estímulo a revanches? (LINK)

Os Estados Unidos enterrariam Bin Laden em local conhecido para estimular peregrinações? (LINK)

Obs: ainda quero saber quais são essas tais “regras do terrorismo”.

Tudo isso aí saiu do Twitter do dono do mais famoso “Boa noite” do Brasil, que nem mesmo deu uma questionadinha na versão oficial da história, através do uso de um princípio básico do jornalismo: cadê as provas?! Uma notícia não é notícia sem indícios que ela seja verdade. Declarações de políticos e militares não são compradas como verdade (num mundo ideal).

E, amigo, tem mais buraco na versão dada pelos EUA sobre a morte de Osama do que um queijo suíço - ou do que as paredes da casa onde rolou o tiroteio entre os fuzileiros e o terrorista. Dessa forma, é bastante compreensível que nem todo o mundo tenha engolido a história sem nem ao menos uma sobremesa açucarada pra ajudar.

 

Em primeiro lugar, o auto-proclamado matador de terroristas Obama - que tem o nome tão parecido com o alvo que mandou crivar de chumbo, que a Fox e o Estadão mataram ele no lugar do saudita… isso só as redes que Eu vi - descartou qualquer possibilidade de mostrar fotos dele morto, o que contrariou uma declaração do diretor da CIA, Leon Panetta, que disse:

"O governo esteve claramente discutindo sobre como fazê-lo melhor, mas não acho que haja dúvidas de que, em última instância, um fotografia será mostrada ao público".

No outro dia, temos a seguinte declaração, do porta-voz da Casa Branca, Jay Carney:

“Revisamos essas informações e tomamos as decisões da mesma forma que fazemos todas as outras coisas: levando em conta o que estamos tentando alcançar e se isso vai servir aos nossos interesses ou prejudicá-los, tanto nacional quanto internacionalmente”.

O motivo para não divulgar imagens seria “evitar que as fotos estimulem atos violentos”, ou evitar que elas “inflamem terroristas”. "Nós (os americanos) não somos assim", chegou a dizer Barack Obama, se esquecendo de refletir na quantidade de merda que a guerra que ele mantém de pé leva ao povo afegão. Será que uma “mísera” fotografia é mais forte do que as ações nefastas de uma trupe de soldados malucos agindo no país? Soldados americanos com um parafuso a menos emboscando civis deliberadamente e os matando seria menos chocante que mostrar um líder terrorista morto em uma fotografia?

 

A fala de Jay Carney acima não diz respeito somente a divulgação de fotos, mas de “equívocos” (vamos chamar assim) nas informações divulgadas preliminarmente pelo governo americano. Essa revisão de informações casa bem com um aparente planejamento cuidadoso feito por Obama, aparentemente para capitalizar ao máximo a operação para sua pessoa - reeleição taí, né… e ele tava mais afundado na opinião pública do que bomba de sucção de petróleo. Então, se imagens do presunto terrorista não ganharam o mundo, Obama fez questão de mostrar ele mesmo de olho nos desdobramentos da operação, e ontem colocou os pés no Marco Zero, para homenagear as vítimas do atentado.

As contradições do governo ao descrever a operação chegam a soar patéticas. No calor do momento, quando o mundo gritou “Tá Morto!”, os EUA soltaram uma versão o pintando como um vilão da pior espécie: ele estaria armado, resistiu a prisão trocando tiros com os soldados e ainda usou uma mulher - uma suposta esposa - como escudo humano, que também morreu. Ou seja: Osama morreu lutando!

Mas no outro dia o discurso tomou outro tom: Bin Laden não estava armado, mas "outras pessoas” da casa ofereceram “grande resistência” a chegada dos soldados. A história do escudo humano também desceu pelo ralo, a tal mulher não foi usada como escudo e nem morreu, mas “resistiu aos soldados” e levou um tiro na perna.

 

Com isso, quero dizer que discussão mais importante sobre a questão não é se Osama realmente está morto - duvido que esteja, mas isso é outro caso, não estou muito conspirólogo hoje - ou se ele merecia morrer ao invés de ser julgado, ou mesmo se o modo de vida ocidental é “superior” ao empreendido por sociedades islâmicas - já vi análises sobre isso por esses dias, não se surpreenda…  a questão envolve o fato de que o povo engoliu a versão oficial sem problema algum.

Obama disse, o New York Times, Willian Bonner e a CNN reverberaram, pronto… o caixão tá fechado! Nada mais é necessário para se construir uma verdade, o que mostra que mesmo com a chamada Era da Informação por aí, os humanos ainda agem como chimpanzés que ouvem o líder do bando sem questionamento - principalmente quando ele anuncia que matou violentamente o líder do bando inimigo.

E para os que ainda levavam fé na imagem de Obama como um presidente do povo, gente boa e amante da liberdade: desista, mas acho que não é o caso de muita gente que lê o NSN! Quem precisa de (mandar) meter uma bala na cabeça de outra pessoa para obter alguma popularidade, nem deve ser levado em conta.

 

[Com informações do iG, André Forastieri, Contraversão e GamerBr]

segunda-feira, 28 de março de 2011

Avatar FiliPêra

[HyperEspaço #21] A bizarra celeuma pra cima da capa de abril da Wired

 

image

Não me considero machista, e muito menos me considero feminista - e continuo achando impossível um homem ser feminista, mas não entrarei nesse assunto hoje. Prefiro me manter alheio a essa discussão, que considero extremamente recheada de conceitos retrógrados e de uma regressão argumentativa que não leva nada a lugar nenhum, tanto de um lado como de outro. Pra mim o Sexismo é como o palco político, um problema por si só… e que não será combatido com mais Sexismo, mesmo que vindo do lado oprimido. Da mesma forma, vejo a política como um problema em si, e por isso não resolverá nada, independente de quantos Obamas, Lulas, ou outros salvadores da pátria surgirem. Um exemplo disso é na quantidade de revoluções conduzida por camadas oprimidas, que tirou ditadores do poder… e colocou ditadores piores no lugar.

Mas o fato de querer me manter alheio, afastado da discussão sexista, não me impede de comenta-la e identificar algumas recaídas estranhas e discussões inúteis que afetam a área em que academicamente (e supostamente) tenho algum conhecimento aprofundado: o Jornalismo. Não sou do tipo que acredita - salvo raras exceções - em “tomar um lado por obrigação”, como parece ser o praxe hoje. Como já escrevi no início da terceira parte do meu ensaio sobre Repressão Estatal, esse tipo de dualismo excludente não é nada mais que uma armadilha mental para conduzir a um jogo de péssimo e menos pior, e nunca a uma solução de caráter mais efetivo. Você não gosta do Capitalismo? Logo é Comunista, entre outras variantes de um jogo de realidade ultrapassado herdado de Aristóteles e que insiste em perdurar ainda hoje, mesmo abandonado nos modelos mais modernos de Filosofia, Física e Psicologia.

Então, dentro dessa lógica, não considero dizer “Eu não apoio o movimento feminista” como um grito de machismo, da mesma forma que dizer “Eu não apoio o movimento gay” não me parece uma afirmação de caráter homofóbico. Mesmo achando que essas camadas da população têm todo o direito de buscarem resolver o que acham estar errado, não contarão com a minha ajuda, assim como não conto com ajuda deles quando falo acerca de Direitos Autorais.

 

Pois bem, considerações iniciais feitas, corta pra capa acima, da edição do mês que vem da Wired, a mais importante revista tecnológica do mundo. A moça que posou pra foto não é uma modelo típica de capas de revista femininas ou das Vogues de plantão, mas sim uma “operária”, a mestre e engenheira elétrica Limor Fried, da Adafruit Industries. A revista GOOD parece que não se amarrou no conceito por trás da capa e, através do seu editor de cultura Cord Jefferson, mandou o seguinte [tradução do Gizmodo Brasil]:

 

A Wired não colocou Limor Fried em sua nova capa. Como Fried realmente se parece está abaixo – ela é uma jovem mulher normal com um piercing labial e um cérebro muito acima da média e isso foi o que fez maravilhas para ela durante toda sua vida. O que a Wired colocou na sua capa é um Photoshop quase cartunesco que fez com que um amigo olhasse essas fotos lado a lado e perguntasse, “É a mesma mulher?”

Antes ele havia começado o artigo meio revoltado, dizendo que a atitude da Wired está “fudidamente errada”, e que a revista desnecessariamente cartunizou a imagem de Fried em sua capa. O motivo da revolta parece derivar do fato de que ela seria a primeira mulher engenheira (ou mulher com QI alto academicamente falando, com currículo, essas coisas) a aparecer em uma capa da revista. E justamente quando isso acontece, rola um tratamento desse tipo, que aos olhos da revista GOOD é uma diminuição das mulheres.

Nos comentários, Fried fez o seguinte apontamento:

A capa está estilizada, mas é assim que eu realmente sou. Eu não estou “plastificada” ou “com toneladas de Photoshop”. Se eu tirar meus óculos, arrumar meus cabelos, e usar maquiagem, é assim que eu fico.

 

image

Foto da “verdadeira” Limor Fried apresentada pelo artigo

Primeiro é preciso dizer que não é a primeira vez que uma acadêmica aparece na capa da revista. Em 1996, Sherry Turkle, pesquisadora de Sociologia Tecnológica do MIT foi capa da publicação, e dois anos antes Laurie Anderson, uma artista experimental, repetiu a dose. Fora essas, que foram tema de de reportagem e de perfis bem escritos, as outras mulheres que foram capas não passaram de uma espécie de fetiche, que cederam sua imagem unicamente como ilustração. Foi o caso de Martha Stewart, em 2007, e Sarah Silverman em 2008. Outros casos foram classificados como ainda piores, a exemplo de Julia Allison e Uma Thurman, que apareceram na capa em matérias relacionadas  a fama na internet e romances de Philip K. Dick.

 

image

Clique para ver maior

A gota d’água para quem atacou veementemente essa espécie de fetichismo sexista da Wired em suas publicações, foi a capa de novembro do ano passado, quando um par de seios figurou triunfante, ilustrando uma matéria sobre implantes e o futuro da medicina.

Realmente não me parece uma boa perspectiva de tratamento, bem como me parece ser um quadro irreal, já que acredito que existam muitas mulheres fazendo coisas interessantes na área de tecnologia, como escreveu Cindy Royal de forma brilhante em uma crítica pessoal no blog dela, ao ponto de Chris Anderson, editor-chefe da revista, ir se manifestar em tom de desculpas nos comentários.

Obviamente que a resposta de Chris Anderson por lá - dizendo que faltam “mulheres de alto nível na indústria de tecnologia que são reconhecíveis o suficiente para vender uma capa” - não parece satisfatória o bastante, mas diz muito sobre a cultura comercial presente nas revistas em particular, e na mídia de modo geral. O que rola nas capas da Wired é uma mera consequência do que começa acontecendo nas revistas classificadas de femininas, como a Nova - versão nacional da Cosmopolitan -, Elle, Gloss, Cláudia, e similares (googlem as capas dessas pra entenderem, depois olhem a composição das redações delas e vejam que são quase todas formas por… mulheres). A Wired não criou um modelo, ela adotou um modelo, o que parece ainda mais claro se levarmos em conta que a revista é publicada pela maior editora de revistas dos EUA, a Condé Nast. Não estou dizendo que usar um modelo pré-pronto é algo positivo, mas simplesmente que deve ser levado em conta ao condenar uma atitude dela.

E pontuar o caso com um simples “o pensamento machista vigente entre os jornalistas foi o causador de tal coisa” me parece reducionista, além de constituir-se como um jargão clichê que pode ser usado como saída fácil para classificar qualquer coisa que desagrade. Para mim seria o equivalente a um “isso é coisa do diabo” ou “armação de esquerdista/direitista”.

 

Mas se a crítica da Cindy foi embasada e com um motivo bem claro pra olhos atentos - fetichização das capas da Wired -, o tiro de Cord Jefferson, da GOOD, parece saído pela culatra. Cindy escreveu calcada no histórico da revista e no tratamento de mulheres de modo leviano em suas capas, e foi ainda mais longe: questionando se não haviam mulheres trabalhando no ramo tecnológico que poderiam dar boas capas.

E a GOOD, bem a GOOD reclamou do Photoshop, o que me leva a uma conclusão bem óbvia: a percepção do autor acerca de mulheres inteligentes não parece ser das mais acertadas - além de não ter sacado que rolou uma óbvia referência a Rosie, a Rebitadora. Parece que pra ele deve existir um muro que separe beleza feminina de inteligência feminina. Mulheres reconhecidas por sua beleza E por sua capacidade intelectual - entenda capacidade intelectual como capacidade neurológica de transmitir informações de forma acertada e sem ruídos [definição do grande Alfred Korzybski] - seriam exceções a uma regra. E aí entra o que percebi da crítica equivocada da GOOD.

Limor é do tipo perfeito para uma capa da Wired - e pode ser o início de uma mudança na linha da revista no tratamento a questão, já que Anderson pediu desculpas em novembro do ano passado: bonita (com ou sem Photoshop, o que é uma busca secundária em vendagem de capas) e com um currículo invejável e condizente com a matéria. Ela possui mestrado em engenharia elétrica pelo MIT (o mais famoso instituto de tecnologia dos EUA) e é um dos símbolos dos eletrônicos DIY e open source. Ela afirma que pretende fundir arte com elétrica e criar ferramentas para dar liberdade para cada pessoa criar seus próprios eletrônicos.

Mas além disso o caso serviu para mostrar como existe um denuncismo de certos setores (ou “certo setor”, não vou coletivizar algo baseado em um exemplo) da mídia, que queriam ver uma Limor como ela supostamente é, “uma mulher jovem normal, com um piercing no lábio e um cérebro anormalmente forte”, como descreveu o artigo da GOOD, também se esquecendo da subjetividade presente na beleza - e na inteligência, o que mata todas as discussões e argumentos apresentados até então.

Por que não simplesmente esquecermos gêneros que nada influem na inteligência ou na capacidade mental de alguém, o que não me parece uma concessão muito complexa de ser realizada?! Limor é uma mulher brilhante numa função normalmente ocupada por homens? Ótimo, mérito dela, e acho ótimo que tenha sido reconhecida por isso. Mas uma crítica em cima de algo que simplesmente não aconteceu, me parece fruto de visões distorcidas.

 

Claro que existem questões secundárias em cima do caso, e nos fatores levantados pelas críticas - assim como em casos assim por todo mercado editorial, especialmente o americano. Com relação ao Photoshop, creio que não tem nada a se fazer a curto prazo: é a imagem que a publicidade criou, embora várias revistas européias - mesmo algumas pornográficas, como a Femjoy, que tem o slogan Pure Nude - praticamente preterem o uso de correções que plastificam, se limitando a apagar algumas cicatrizes maiores. Dobrinhas, pintas, imperfeições… tudo fica na foto, às vezes nem efeitos de iluminação são usados. Esteticamente fica muito mais bonito, na minha opinião, sem padrões idiotas, mostrando mulheres mais verdadeiras.

Revistas como a Vice geralmente se esquivam de padrões visuais mainstream, como os da Playboy, Vogue e outras. Outras masculinas como a Front criaram um padrão próprio bastante sofisticado, que tornam as fotos da revista reconhecidas em qualquer canto, no estilo das grifes fotográficas Suicide Girls e GodsGirls. Fotógrafos como Terry Richardson e Merkley vão pelo mesmo caminho. Com isso quero apontar que existe muito mais do que o padrão conhecido pela gente aqui, que é prejudicial e enjaulado por uma lógica mercadológica tacanha, e deve ser analisado não só pela reducionista ótica de “fruto de um pensamento machista dominante” ou qualquer outro rótulo que exista por aí e parece gritar quando vemos algo assim.

Outra questão é a deficiência de mulheres nas redações de revistas americanas, especialmente as mais ligadas às artes e política - as mais sofisticadas, por assim dizer. Não sei o exato motivo disso, principalmente pelo fato do jornalismo americano (América como continente, dessa vez) ter em sua maioria profissionais mulheres. E não só em cargos de redação, como de chefia, a exemplo de uma das estrelas do jornalismo atual: Arianna Huffington (que não é bem jornalista, mas tudo bem). Fora ela ainda, admiro a Amy Goodman, do Democracy Now, a Natália Viana, Marina Amaral e Tatiana Merlino, parceiras da agência de jornalismo investigativo Pública, entre muitas outras.

Já tive três chefes mulheres trabalhando com jornalismo, e as três foram ótimas - na verdade, a primeira que sou chefiado por um homem é agora, trabalhando no GamesBrasil. Então, dizer que o mercado não possui mulheres ou não permite a entrada de mulheres é meio falacioso. Talvez existam resquícios de gerações passadas que resultam na maioria dos postos de chefias ocupados por homens (não tenho dados nacionais ou de algum outro país específico mostrando isso, é apenas fruto de observação e estudo histórico), mas creio que esses números tendem a se equilibrar, e as mulheres passarem a ser maioria inclusive nas chefias de redação (se é que já não são).

No caso das revistas americanas, a situação é a seguinte:

 

image image imageimage image image

Quadro de composição das redações de algumas revistas americanas (clique para ver maior)

Naturalmente que essa predominância masculina acaba tendo reflexos nos poemas e textos ficcionais publicados por essas revistas. Homens conhecem mais homens que mulheres, geralmente, e provavelmente por isso recebem mais indicações de autores masculinos, Claro que essa em si não é um motivo, mas vejo com ainda menos cautela o principal motivo apontado pelas mulheres, que relacionam a situação com um suposto “favoritismo sexista”. Creio que esse pode ser um motivo, mas é necessário critérios um pouco menos subjetivos para resolver a situação. E sem um estudo com uma metodologia clara, fica difícil chegar a conclusões, ficando apenas em margens especulativas. A autora do estudo, a organização VIDA (estudo completo linkado na lista no fim do artigo), fez um levantamento correto, com metodologia apresentada, e reconheceu que esse é apenas um lado da questão.

 

“(…) Mas também entendemos que estas estatísticas são apenas o início de uma conversa, que acreditamos ser necessária, e não um ponto final”.

Os números do estudo completo mostram um dado: livros, poemas, textos ficcionais de homens predominam nas revistas literárias americanas. Ponto. Dizer que existe um favorecimento já é especulação. Para um estudo mostrando outro ângulo de abordagem seria necessário saber a porcentagem de textos enviados as revistas, além de dados relativos a porcentagem de autoras no mercado global de livros. Sem essas comparações, não é possível chegar a uma conclusão.

E como não temos dados dessas revistas, vamos analisar uma plataforma aberta e sem essa rigidez editorial na escolha dos textos: a Wikipedia. Alguns podem argumentar que como o trabalho por lá é sem remuneração ele atrai menos pessoas, mas creio ser desnecessário refutar tal linha de pensamento, já que a produção de conteúdo “sem remuneração” direta supera e muito a paga sob contrato, e a qualidade deles muitas vezes é equivalente. Através da Wikipedia, pode-se chegar a conclusão que talvez as mulheres não escrevam tanto assim (embora esse seja um caso específico, não vamos generalizar). Conforme dados divulgados pela Wikimedia Foundation - mantenedora da Wikipedia -, cerca de 85% dos seus artigos são escritos por homens, o que é uma discrepância ainda maior do que as diferenças apresentadas pelo estudo da VIDA. A fundação está preparando campanhas para atrair mais mulheres e espera que esse percentual aumente para 25% até 2015.

Essa diferença de números, mais uma vez, causa certas interferências no conteúdo - da mesma forma que causa nas redações de revistas dos EUA. Artigos de coisas relacionadas ao universo feminino recebem menos destaque do que deveriam, como Sex and the City, por exemplo. E é preciso reconhecer que homens darão pouca atenção a criar conteúdo relacionado ao universo feminino, da mesma forma que algo parecido pode influenciar escolhas estéticas com relação a textos, embora considere isso injustificável de um ponto de vista.

Mais uma vez, nada conclusivo, apenas indícios que parecem apontar numa direção mais complexa do que a limitada ótica sexista.

Nas anotações do estudo da VIDA, é dito que as integrantes da organização - que milita justamente para uma maior participação das mulheres no mundo das artes - se comunicaram com chefes de redação dessas revistas e receberam respostas como uma que diz que a revista faz campanhas para receber mais textos de mulheres, que eles nunca foram meio a meio. Outros disseram que nunca atentaram pra essas diferenças, que só se preocupam com o texto em si.

Sem conclusões aqui, só estou tentando mostrar que não existe o preto e branco, e mesmo a pomposa exatidão dos números pode levar a um erro de julgamento se não forem contextualizados. A discriminação talvez não exista - e uma organização que luta exatamente a favor de uma maior participação das mulheres na arte literária, admite isso.

A mesma coisa pode ser dita da capa da Wired. A velocidade da GOOD em tecer uma acusação estranha e infundada - que para mim foi mais machista do que qualquer atitude da Wired - foi fruto de uma rapidez de julgamento que não levou em conta essa multiplicidade de fatores presentes na questão - e a crítica da própria fotografada mostrou isso.

 

E é por motivos como esse que procuro me manter afastado desse tipo de discussão. Se nos campos mais progressistas das sociedades humanas - a Ciência e a Academia - vemos mostras de comportamento reacionário do nível da queima de livros e perseguição a Wilhelm Reich, imagine onde impera a política, religiões totalitárias e discussões racistas, sexistas e territoriais.

 

Artigo na GOOD Magazine | Crítica da Cindy Royal | Estudo completo das redações | Números da Wikipedia | Anotações do estudo da VIDA

segunda-feira, 14 de março de 2011

Avatar Colaborador Nerd

Minha Experiência com Transmetropolitan

Por Paulo Roberto, do Em Paralello

 

image

Bebericando uma xícara do que Spider Jerusalém chamaria de “aprimorador de inteligência”, termino a leitura do Volume 1 de Transmetropolitan. Sempre me considerei um nerd, se alguém me sacaneasse, o que era algo corriqueiro na minha infância, eu batia no peito e saía na porrada dizendo: “Vai se fudê sou nerd mesmo e daí?”. Lendo um post do Coringa Files sobre Transmetropolitan no blog pensei: “Que merda de nerd eu sou se nunca li uma HQ na minha vida?”, isso mesmo eu NUNCA li sequer um gibi da Mônica que seja em toda a minha existência. Sempre curti animes, RPG, mulher pelada, LEGO… tudo que um nerd curte. Foi então que me senti um nerd incompleto, mais que isso senti a proeminente necessidade da leitura de uma HQ.

Devidamente conectado, abri o site da Saraiva e comprei a edição especial que a Panini estava lançando de Transmet em capa dura compilando as seis primeiras edições em um excelente acabamento (que fique bem claro que não estou ganhando nada com isso). Exageradamente falando, a ansiedade tomou conta de mim, parecia uma criança no final do ano quando coloca as sandálias na janela e não consegue dormir ansiosa para saber o que Papai Noel irá trazer de presente para ela. Até que finalmente, após 4 dias (demorou, hein Saraiva!), ela chegou. Abri o invólucro e me deparo com aquele careca sacana, fumando um cigarro e sorrindo. O cheiro de novo, as páginas ainda grudando umas as outras começo quase que de imediato a minha leitura.

É uma porrada, não sou jornalista, não sou político são duas coisas que não entendo lhufas. Meus amigos FiliPêra e Dolphin têm me ajudado a navegar por esses dois mundos desde que os conheci, confesso que ainda tenho muito a aprender, mas hoje sei mais do que há algum tempo atrás e isso tenho que agradecer a eles. Você deve estar se perguntando: “Você tá chapado de cafeína?” “O que isso tem a ver?”, e eu respondo: TUDO! Transmetropolitan é uma aula de jornalismo mostrando que hoje o que realmente vende não é a verdade em si, mas a mentira onde as notícias são manipuladas chegando de forma deturpada às pessoas que acreditam pia e cegamente em todas elas sem questionamentos. Nem vou falar dos políticos que fazem absolutamente de tudo para conseguirem se eleger e depois em um surto de esquecimento literalmente cagam diante das promessas que fizeram (não estou generalizando então não me encha o saco).

Exemplo disso é quando Spider Jerusalém está no telhado de um clube de strip no meio de uma confusão dos infernos e diz:

 

“Desculpe. Essa observação foi muito pesada para você? Isso se parece demais com a verdade?

Bom. Vocês mereceram. Com seu silêncio.

Seu chefe faz o que quiser. O babaca da cabine do pedágio, o leão de chácara do bar que vocês frequentam, o segurança que revista você na clínica, os jornais e sites de notícias que mentem pra vocês porque estão a fim.

Eles fazem o que querem. E o que é que vocês fazem? Vocês pagam a eles.

Este “tumulto” aqui, esta terrível tempestade de merda que cai sobre um bando de fetichistas ingênuos e metidos a besta; vocês pagaram por ela. Vocês que comam tudo.

Vocês devem gostar de quando as pessoas que detêm a autoridade e que nunca fizeram por merecer mentem para vocês”

Qualquer semelhança com os dias de hoje não é mera coincidência, Transmet é assim, uma porrada atrás da outra, a luta de um jornalista que anseia pela verdade, de levar às pessoas o que realmente elas deveriam saber, a pensarem de forma crítica sobre os acontecimentos que os cercam. É claro que nem tudo são flores na vida de Jerusalém, após ser ovacionado e seu editor, como ele mesmo disse, estar “quase batendo uma punhetinha de tanta felicidade” retorna para casa e no caminho é recebido por policiais que o espancam dizendo: “Se foder com a gente de novo, volta pra casa num saco”. Mas ele não se abate, afinal de contas ele é um jornalista, porra! Jornalistas não choram! Mesmo ensanguentado ele se levanta sentido o furor de sua glória que se externava naquele momento, as gargalhadas diz: “Eu tô aqui para ficar! Atirem em mim e eu cuspo suas malditas balas de volta no rosto de vocês! Eu sou Spider Jerusalem, e fodam-se vocês todos Hah!”.

É impossível você não curtir Transmetropolitan, cada página narrada por Warren Ellis nos leva a outra de forma quase que instantânea, você não para até terminar. A arte de Darick Robertson é quase uma ligação neural intergaláctica com Warren, quase beirando aquela cena do filme Demolidor quando Sandra Bullock e Sylvester Stallone colocam aqueles capacetes para transarem, lembra? Darick dá a nítida impressão que consegue ler a mente de Warren trazendo a vida aos personagens mostrando um excelente casamento dos dois.

Eu poderia ficar aqui falando horas sobre as minhas percepções sobre Transmet, é fodástico demais, atual, desafiador ou nas palavras de Garth Ennis: “tão inesperado e natural quanto lágrimas de puta, um pequeno veio de humanidade cotidiana”.

Isso resume um pouco o que é Transmetropolitan...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Avatar FiliPêra

[HyperEspaço #20] “O Novo Jornalismo”, segundo Carlos Cardoso

 

image

“Ontem” (madrugada do dia 3 pro 4, não sei quando vou postar isso, então aviso logo) foi um dos momentos mais epicamente engraçadas que já presenciei no Twitter. Tudo começou lá pelas 2 da matina, quando algumas pessoas que sigo e moram no Nordeste começaram a reportar falta de energia. Fiz minha parte, retuitei o que apareceu e perguntei se moradores de mais estados nordestinos passavam pelo mesmo problema. Logo uma série de pessoas de lá começaram a tuitar sobre problemas parecidos, numa dinâmica de funcionamento bem característica do Twitter e inerente a todo ser humano: curiosidade e vontade de possuir e compartilhar informações.

O que era algumas cidades sem luz, se tornou um Apagão - nada tão raro aqui no Brasil. É aí que entra a parte engraçada. O conhecido Cardoso, autor de blogs como Contraditorium e editor do Meio Bit, achou que era uma boa hora de expor uma de suas idéias do momento (não tão do momento, ele vem com essa faz tempo): a Velha Mídia experimenta uma morte lenta sob a Ascenção das Redes Sociais, e followers se tornam mais importantes do que Jornalistas.

Para não parecer uma interpretação oportunista, única e exclusivamente minha, vou mostrar os tuits dele que apoiam o ponto de vista que mostrei:

 

ScreenClip

ScreenClip[1]

ScreenClip

Bom, se não tô viajando ou perdi completamente minhas capacidades interpretativas, ele quis dizer algumas coisas bem interessantes: 1) nós confirmamos com nossos contatos de Twitter - confirmamos, não compartilhamos - o que vemos em jornais e revistas (Velha Mídia, segundo ele). 2) Velocidade é mais importante que qualidade. Ao menos foi o que entendi quando disse “Chupa Velha Mídia, você leu primeiro aqui”. Se você leu primeiro no Twitter, logo o Twitter é superior a G1, Folha, Estadão e todos esses veículos de informação velhos. Em outro tuit que acabei não recuperando, ele linka a foto do Airbus que pousou no rio Hudson (foto que saiu primeiro no Twitter) como prova da supremacia do Twitter sobre a Velha Mídia. Ele disse algo como “Aqui nós vencemos”. 3) Informação de gente conhecida é superior a informação de gente que não se conhece. A palavra conhecido na Internet me parece dúbia o suficiente para evitar que Eu a comente. Mandar e receber reply de alguém não me torna conhecido dela, e vice-versa, por mais que Eu conheça casos específicos que me digam o contrário. Mas já explico isso. Também não vou comentar algo como autoridade (mesmo de uma pessoa desconhecida), pois o assunto parecerá filosófico demais.

Antes de prosseguir, devo deixar bem claro que não execro o Carlos Cardoso. O acho um bom escritor de tecnologia, que consegue misturar muito bem uma série de assuntos nem sempre tão fáceis de casar com a clássica cobertura tecnológica. E possui um certo bom humor, coisa cada vez mais rara atualmente. O problema é a arrogância dele conseguir ser maior que o talento. A babaquice que muitos dos detratores dele apontam vem justamente daí: querer e se achar melhor que todos, ainda dizendo coisas como “gênios não são modestos e blábláblá”.  Acho que ele também peca pela coerência. Dá a entender que a internet é superior ao modelo tradicional de informação (papel)… e se gaba pra todo o mundo ouvir que escreveu 11 livros (apostilas de informática de mais de 10 anos atrás, como ESSA). Também execra a Velha Mídia ante o modelo colaborativo… e diz que seus textos são fodas porque RECEBE por eles. Bom, a vida é dele, ele faça com ela o que quiser, só quis esclarecer o que penso sobre ele, e porquê mesmo o achando um escritor talentoso (bem menos do que ele acha que é), faço brincadeiras sobre ele no Twitter.

 

Depois do Cardoso estufar o peito e aproveitar o momento para tentar sedimentar sua idéia de Velha Mídia Já Era, tudo graças a velocidade em tempo real das Redes Sociais, chegou a Tropa do Humor e mandou tudo pro espaço. Tinha tempo que não rio tanto, ri da barriga doer. Não vou colocar todos os tuits engraçados aqui se não ia encher esse post só com prints, mas vamos aos quatro mais engraçados da versão Bizarra do Cardoso: o Tonkiel.

 

ScreenClip

ScreenClip

ScreenClip

ScreenClip

É óbvio que o Tonkiel refinadamente exagerou as palavras do Cardoso - isso é humor, no fim das contas -, mas creio que quando se vai metaforizar uma situação, esse tipo de desconstrução do discurso alheio é muito mais eficiente. O fato de Eu achar mais válidas as brincadeiras deles às chatices pretensiosas do Cardoso diz muito do que penso a respeito das Redes Sociais (Twitter, em especial, a única que uso). Se essas ironias do Tonkiel surgissem em um noticiário, Eu as acharia completamente sem sentido, devido ao fato de fugirem do objetivo do jornalismo. Redes Sociais, para mim, servem para comunicação, especialmente diversão. Se por um acaso ela servir a propósitos jornalísticos, será simplesmente lucro.

O problema maior da questão é: o que é jornalismo? A pergunta tem sido colocada em xeque continuamente com a popularização da internet e dos meios de comunicação, cada vez mais baratos. Na verdade, a questão é um pouco mais antiga, só se tornou mais ampla agora. Uma boa definição pra Jornalismo é: “a atividade profissional que consiste em noticiar dados factuais e divulgar informações sob a forma de som, texto ou imagem”. Em suma, se tá repassando coletando e repassando informação profissionalmente, é Jornalismo clássico, velho… não importa se trabalha no Estadão, na Prefeitura de Pato Branco ou no Meio Bit. Um veículo ser pequeno, ou possuir estrutura diferente de um jornal impresso, não o torna menos jornalístico.

Usando o Estatuto do Jornalista de Portugal como exemplo, podemos entender melhor a questão. Para a lei portuguesa, jornalistas são “aqueles que, como ocupação principal, permanente e remunerada, exercem com capacidade editorial funções de pesquisa, recolha, seleção e tratamento de factos, notícias ou opiniões, através de texto, imagem ou som, destinados a divulgação, com fins informativos, pela imprensa, por agência noticiosa, pela rádio, pela televisão ou por qualquer outro meio eletrônico de difusão”.

Dessa forma, ser jornalista está desvinculado de um diploma - como demonstrei na minha crítica mal-interpretada a obrigatoriedade dele - e está ligado a uma atividade. A atividade, a meu ver, também está desvinculada de veículo, mas o jornalista precisa ter exercido sua atividade em um veículo reconhecido e habilitado para pegar seu registro. A definição é meio dúbia, principalmente no Brasil, mas creio ter esclarecido o bastante - deixando claro que meu ponto de vista não é um consenso unânime.

 

No princípio somente os jornais impressos existiam, lá estava o Jornalismo. Devemos lembrar que o papel é uma invenção extremamente velha, e a base da comunicação do conhecimento humano. O rádio ameaçou os jornais impressos, eles são muitíssimo mais rápidos, têm som, e ainda permitem a colaboração dos ouvintes. O papel, velho, com um delay enorme, precisando de distribuição cara… sobreviveu ao Rádio e continuou sua jornada. Depois veio a TV: imagem, som, participação ao vivo de telespectadores. Fim dos jornais? Não, eles ainda estão lá.

A Internet amplificou essa questão, ao desvincula-la de fatores simples como veículo A ou B, e passar para o campo quem faz jornalismo. Com a tal Web 2.0 (web colaborativa, social, qualquer rótulo desse gênero aí), qualquer um poderia escrever uma notícia em um blog particular e qualquer pessoa do mundo poderia ler. Ou seja: Qualquer pessoa com acesso a internet tem um potencial veículo jornalístico mundial. Junte algumas pessoas que moram em países diferentes e você tem um novo New York Times!

Cacete, bingo… fim do velho jornalismo!!!

Pra que redações caríssimas, pra que publicidade, pra que jornais que demoram ao menos 24 horas pra noticiar alguma coisa, pra que TV via satélite??? Com o Twitter (sistemas de blogs como o Blogger e Wordpress versão grátis também são rede sociais, embora um pouco menos dinâmicas que o Twitter) isso se amplificou. Em 10 segundos Eu posso reportar que acabou a luz no meu bairro, que tá rolando arrastão na praia, que o prédio da prefeitura tá pegando fogo… antes da central de jornalismo mais próxima sequer imaginar que algo aconteceu. E foi exatamente isso que vimos no Apagão do Nordeste, as pessoas com o Twitter conseguiram mais ou menos entender onde estava faltando luz… e aí está o problema: a coisa não passou disso.

Agora entrando numa análise estritamente pessoal - compartilhada com diversas pessoas mundo afora - o jornalismo colaborativo (esse feito por pessoas não comprometidas profissionalmente com o levantamento de informações) possui um limite claro de até onde ele pode ir por uma série de motivos. Saber onde faltou luz é uma informação importante? É, bastante, mas esse é somente um ângulo da informação - o primeiro, na verdade. Por que faltou luz? O que as autoridades têm a dizer sobre isso? Quantas pessoas foram afetadas? O prejuízo foi de quanto? O que as empresas responsáveis estão fazendo para reverter a situação? Esse tipo de contextualização um punhado de followers não pode fazer, lamento - se fizeram, foi de forma limitada e uma quantidade de vezes que considero insatisfatória, a não ser que mostrem que estou errado. Por mais que Eu não goste da forma como certos veículos de comunicação (especialmente os maiores, com grande comprometimento econômico com diversos setores da sociedade) exercem seu dever de nos informar, ainda acho o trabalho deles fundamental, ainda que alguns queiram empurrar goela abaixo que as redes sociais são uma espécie de Novo Jornalismo. Se a Globo, Folha e Estadão têm uma forte carga ideológica, esse tipo de abordagem pouco se mistura a cobertura factual deles.

Quem diz Chupa Velha Mídia, vocês viram primeiro aqui, é o tipo de gente que enxerga o jornalismo unicamente como uma corrida em busca da “última novidade”, corrida que se tornou mais predatória com o advento da internet. Na sanha por “furar” a concorrência, jornais meia boca colocam no ar informações mal checadas e furadas. Escrever um texto jornalístico está se tornando tão banal quanto tuitar, e é justamente esse tipo de comparação tosca, essa suposta necessidade contínua de informações em tempo real que destrói o Jornalismo. O Jornalismo em tempo nenhum compete com redes sociais, ele serve para investigar se o que está lá de relevante é de fato verdade.

E outra: Jornalismo deve ser público. Deve transmitir informações de fontes com um mínimo de credibilidade pública para um público que deseja aquelas informações. Se Eu confio nos meus followers, ainda bem… para mim. O meu vizinho provavelmente não vai acreditar neles e com razão, esse préstimo de credibilidade deriva do conhecimento que tenho dele, não de algum fator de autoridade, como se denomina no Jornalismo.

 

image

Escritório do TechCrunch

Lá por meados da década passada, se propalou - de forma um pouco apressada - que os blogs tornaram os jornais coisa do passado. Hoje, uns cinco anos depois, se pode perceber uma situação um pouco diferente. Pode-se dizer que os blogs trouxeram inúmeras transformações na forma de se fazer Jornalismo, inclusive na semântica geral da elaboração das notícias e na inclusão de comentários nos sites dos jornais… e foi isso. Os blogs que alcançaram status de grandes veículos de comunicação - como o Gizmodo, Engadget, TechCrunch, TMZ, Mashable - estruturalmente… SÃO veículos de comunicação. Têm repórteres, publicidade farta e uma grande empresa por trás (AOL, Gawker Media… se quiser confirmar, olhe o tamanho da equipe do Engadget, por exemplo). Uma das exceções aparentes é o Boing Boing, que apesar de possuir características análogas às descritas acima, ainda mantém o espírito de zine/blog que tinha desde os primórdios. Como grande diferença entre blogs e jornais, constam uma ênfase maior no estilo do texto a na opinião, algo já bastante presente nas revistas.

Do mesmo modo que o jornalismo absorveu característica dos blogs - e das redes sociais como um todo - os blogs fizeram o mesmo, e absorveram várias características do Velho Jornalismo. Se alguém (incluindo o Cardoso) acha que Jornalismo é unicamente correr atrás da notícia e entrar num joguinho de quem publica primeiro, então a Velha Mídia está realmente morta e Jornalista não precisa de preparação. Mas para mim, essa avalanche de informações em tempo real (que sabe-se lá se são reais) mostram cada vez mais o quanto o jornalismo sério é necessário.

Pegue como exemplo o caso Wikileaks. Você leu quantos documentos lá do site? Salvo raros casos, nenhum, mas mesmo assim sabe o que contém as levas de documentos que o site liberou. São centenas, que exigiram dezenas de jornalistas analisando uma montanha de dados incrivelmente vasta. Creio ser bastante difícil para qualquer pessoa fora de uma organização de informações profissional empreender tamanha tarefa… e fazer isso semanalmente, porque o mundo não é só Wikileaks. Também não sei como “followers” de confiança poderiam fazer a cobertura de conflitos ou massacres como Sabra e Chatila, ou em Ruanda - rotina de jornalistas tarimbados como Robert Fisk.

Outra coisa que diz muito sobre uma situação atual: a estratégia dos governos classificados como autoritários com relação a Redes Sociais começa a mudar… pra pior. Até o momento, esses governos se empenhavam decididamente em bloquear a internet. Ferramentas para burlar isso são várias, além de criar um ambiente de fácil distinção: quem bloqueia é vilão, que burla é herói. O oba-oba de veículos de comunicação modernosos - inclusive alguns que gosto, como a revista Wired - em cima do engajamento internético termina por ignorar um lado pouco focado.

 

image

Protestos no Irã

Vários governos, como o chinês, paga (ou ameaça, por que não?) inúmeros blogueiros para falarem bem do governo e inundar a rede com informação falsa - tipo o 50 Cent Party. Como forma de propaganda fica melhor, já que o governo não fica “mal na fita” na comunidade internacional, ao contrário da tática de bloqueio. No Twitter a coisa ia mais longe: em 2009, o governo iraniano, por exemplo, usou o seviço microblogging para espalhar boatos e colocar os manifestantes em pânico durante os protestos que varreram o país. Enquanto o mundo (como mundo, leia-se: mídia ocidental) incensava o papel do Twitter como uma fonte de confiança, os próprios manifestantes o passaram a execrar devido ao fato de ser aberto e dúbio, além de estar lotado de boatos plantados pela autoridades do país.

Na outra ponta da repressão, está o governo que usa blogs e perfis do Twitter para monitorar a população. O serviço secreto sírio usou o histórico de Curtir de usuários do Facebook para filtrar os que tinham mais probabilidade de estarem organizando os protestos que ocorreram no país. Ahmadi Maghaddam, chefe da polícia iraniana, disse ano passado que “as novas tecnologias permitem identificar conspiradores sem a necessidade de controlar individualmente cada pessoa”. Manifestantes egípcios envolvidos nos protestos pela renúncia de Hosni Mubarak elaboraram folhetos em que desaconselhavam o uso de Twitter e Facebook (opa, redes sociais) pelos ativistas, pois elas estavam sendo monitoradas por autoridades do país. A conclusão me parece clara: redes sociais, em situações extremas, expõem os que a utilizam, e mais atrapalham do que ajudam.

Em seu excelente artigo “A Revolução não será tuitada”, Malcolm Gladwell discorre sobre a estrutura dos levantes antes e pós-Redes Sociais. Nos principais movimentos sociais - ou mesmo grupos terroristas - existe um forte vínculo de amizade entre seus membros. Mais de 90% dos que participavam de movimentos sociais americanos nos anos 1960 tinham amigos bastante próximos lá dentro. O mesmo pode ser dito, com índices bastante similares, de organizações como as Brigadas Vermelhas e os mujahedeen. Os que lutaram contra a repressão na Alemanha Oriental estavam na mesma situação. Esses vínculos são parte do segredo da eficiência dessas organizações - para o bem e para o mal. A probabilidade de você dedurar um amigo - amigo de verdade, não amigo de reply - é muitíssimo menor. Assim como é muitíssimo mais difícil uma organização fechada, centralizada - seja de informações, seja de ativistas - ser infiltrada. Vínculos de followers são vínculos fracos, e uma corrente é tão forte quanto o elo mais fraco dela. O mesmo não pode ser dito de organizações “abertas” (ou sociais).

 

Em sua coluna no site de tecnologia da Globo, o TechTudo, o Cardoso resolveu aprofundar um pouco mais seu pensamento com relação ao assunto, no texto “Você tem em seu bolso uma máquina que mata fascistas”. Um texto bem escrito, embora ele tenha tirado o pé do acelerador na hora de falar de morte de Velha Mídia, afinal, tava escrevendo num veículo dela. Em certo momento ele cita o fato que as maiores organizações de imprensa do mundo possuem seções com conteúdo colaborativo, a exemplo do iReport, da CNN. “A busca pela informação exclusiva ironicamente passa pela colaboração”, fala ele, corretamente.

No entanto, ele “esquece” de dizer que essa via possui duas mãos. No próprio iReport - provavelmente o caso de maior sucesso do jornalismo 2.0 - um caso bastante singular mostrou a fraqueza do “jornalismo” praticado e forma colaborativa: um usuário recente postou no site que Steve Jobs havia sofrido um ataque cardíaco, notícia que ficou 20 minutos no ar antes de ser taxada como falsa. Como era um período cercado de notícias e boatos relativos a saúde dele, a notícia se espalhou… e as ações da Apple caíram 5,4% naquela manhã. Sem essa busca incessante e idiota pela informação em tempo real, provavelmente checariam a informação antes de passa-la pra frente. A atenção que deram a essa mentira, a meu ver, é só mais uma mostra do efeito danoso das redes sociais, das timelines, do tempo real, sobre o jornalismo.

Outro caso foi aqui mesmo no Brasil. Durante a tragédia com o vôo da TAM no Aeroporto de Congonhas, um internauta mandou pra seção de jornalismo colaborativo da UOL uma foto de uma pessoa se jogando de cima de um hangar em chamas. Que lindo, alguém conseguiu uma imagem que os jornalistas não capturaram! Mas a imagem era falsa, uma montagem tosca, e a repercussão disso não foi nada positiva. No fim das contas, a culpa foi do jornalista apressado que passou a foto a frente, mas o caso expôs uma faceta da era 2.0: tem muita mentira na internet.

E o caso de sucesso do iReport fala por si só: ele é um reforço do modelo tradicional de jornalismo, já que possui um grande órgão de imprensa por trás, para gerir tudo. Ainda não existe uma Wikipedia do jornalismo colaborativo para ser considerado um sucesso ímpar na rede, e não é por falta de tentativa. Quer ver? No final de março de 2008, o site inglês de jornalismo colaborativo ScribbleSheet fechou. O site era financiado com o próprio dinheiro dos fundadores. Em outubro de 2009 é a vez do espanhol Soitu.es encerrar as atividades. O grupo de investidores BBVA, que financiava o projeto, desistiu de continuar a parceria. E como eles, existem outros que minha pesquisa não mostrou. Talvez o mais próximo que conheço de um site internacional de mídia cidadã recheado de excelência seja o Global Voices, que não conheço em profundidade para comentar mais.

Incensar redes sociais e smartphones dizendo “meu deus, você tem em mãos uma arma pra se rebelar” e ignorar esse lado B da tecnologia é ser ignorante.

 

image

A internet é só um ambiente, uma ferramenta, que pode (e é) ser usada pelos dois lados. Dizer que “Todos somos Codinome V, ninguém precisa ser torturado para dizer que as informações estão na Internet. Todos são importantes, ninguém é vital para a Rebelião” (como disse o Cardoso no texto citado) é uma falácia tremenda, ao colocar no poder de comunicação o principal fator de uma revolução, e não em capacidade de planejamento e de traçar estratégias. Dizer que é possível resolver com tecnologia um problema Cultural, me parece uma forma rasa de se ver o mundo; acesso a internet (ou possuir um smartphone) não torna ninguém ativista ou politizado. Se nem no período maniqueísta da Guerra Fria era assim - as pessoas do bloco comunista que conseguiam assistir TV americana, viam principalmente séries como Miami Vice, por exemplo - imagina num período marcado por uma avalanche de informações fúteis e de cunho consumista.

Ciberativismo puro e simples, sem contraparte fora do ambiente virtual - especialmente os que mobilizam muita gente - têm a tendência a terminar como o conhecido caso do #forasarney: em nada. Os fracos vínculos sociais e o pouco comprometimento dos que estão em voga nessas redes reforçam isso - falo por experiência própria, também. Geralmente se pensa em substituir as coisas: um RT, ou um curtir do Facebook é tão importante quanto sair a rua - da mesma forma que aceitar a informação de um follower seu, que você provavelmente nem sabe quem é, é tão importante quanto comprovar com os próprios olhos. O resultado disso são movimentos gigantes, mas com pouco comprometimento, pouco vínculo e coesão.

Uma organização jornalística funcionando nesses moldes - na horizontal, sem editores, sem apuração, sem líderes - tende a ter o mesmo fim: simplesmente evaporar. E mesmo se possuir todas as características que Eu citei, ainda vai precisar de dinheiro, como mostrou o caso do Soitu.es. Se caso possuir o dinheiro, aí amigo, temos uma organização jornalística clássica, com profissionais, e tudo voltou a normalidade.

 

Claro que com isso não quis dizer que Redes Sociais não têm o seu valor dentro de rebeliões ou mesmo no Jornalismo, só quis mostrar elas devem ser encaradas com reservas, pois possuem dois lados. Do mesmo modo que podem servir para mobilizar uma grande quantidade de gente, ou dar informações exclusivas… deve-se saber que os vínculos entre essas pessoas que mobilizei são fracos, bem como o fato que muita gente vai usar o Twitter para disseminar boatos e mentiras. Em um ambiente extremo, minha informação verdadeira pode ser só uma gota num mar de factóides.

O que quero dizer com toda essa argumentação é que modelos colaborativos não substituem o modelo jornalístico tradicional, apenas se soma a ele. É bastante difícil supor que de posse dessa ferramenta, as pessoas fariam somente bom uso dela, como nos mostra contrariamente o caso do falso ataque cardíaco de Steve Jobs. Para controlar como será esse uso, seria necessário uma estrutura profissional (que até a Wikipedia possui) que editasse e verificasse isso.

Por mais anarquista que me considere, reconheço que para Ativismo e Jornalismo são necessários líderes e uma certa dose de disciplina, engajamento; e não uma estrutura solta e frouxa como tende a ser algo calcado em “Redes Sociais”. Isso evita que a organização seja infiltrada. As grandes rebeliões são feitas assim, da mesma forma que as grandes reportagens. Deixe que os ativistas derrubem governos e leis, os jornalistas cubram guerras, massacres e falcatruas presidenciais… enquanto isso, os followers falam onde não tem luz!

 

[Com informações de Tiago Doria]

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Avatar FiliPêra

Eleições e Imparcialidade

Devido a um monte de coisas que estou vendo com relação a essas eleições, principalmente em como a mídia está repercutindo diversos fatos relacionados a ela, pensei em fazer uma série de textos relacionando isso com um pouco de psicologia e a mentalidade de parte do povo brasileiro - que se repete em todos os lugares do mundo. Mas abandonei a idéia, por uma série de motivos. Talvez Eu faça depois que o furacão passar - e parar de receber emails com difamações envolvendo terrorismo e satanismo, que só cegos de marca maior levam em conta.

Mas, fiquem com dois exemplos claros de como a dualidade política existe de forma bem clara e não-declarada, mas muita gente não enxerga. No primeiro exemplo, temos a capa da Veja x a capa da Istoé dessa semana. Não vou discutir aqui o alinhamento político das duas publicações, mas quem tiver a oportunidade, dê uma olhada nas capas anteriores da Veja, principalmente as várias que continham um polvo nelas. São vergonhosas (estética e simbolicamente), e representam o pior do jornalismo brasileiro na minha humilde opinião, pegando indícios jornalísticos e transformando em matérias de capa (nada mal pra quem já disse que os EUA salvaram a gente da Crise Econômica). Um dos problemas da capa da Veja é principalmente o momento em que ela entrou em cena, justo quando as suspeitas contra a campanha de José Serra estouravam, eles mostraram falas da Dilma sobre o aborto - e aposto que não investigaram a suspeita de um aborto feito pela mulher dele - se alinhando a própria campanha de José Serra, com santinhos feitos exclusivamente para evangélicos. Enfim, fiquem com as imagens. Eu não sou especialmente fã da Istoé, mas nessas eleições, entre as principais revistas semanais, foi ela que fez a cobertura mais equilibrada - e não é só pela tentativa de contraposição a capa da Veja.

 

image image

Abaixo, dois vídeos que mostram melhor o ponto sobre imparcialidade que quero apontar com esse post. Primeiro um que mostra a cobertura feita pela Record da agenda de José Serra, e o segundo que mostra o mesmo evento mostrado pela Globo. A diferença é bem clara.

 

Logicamente não existe imprensa imparcial, e existe a possibilidade de aquele tal protesto não ter sido mais que uma pequena confusão, mas omiti-lo totalmente me parece um tanto quanto oportuno. Mas, cada um vê o que quer!

 

[Via Treta & Treta]


Layout UsuárioCompulsivo