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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Avatar Felipe

Demolidor: Diabo da Guarda

 

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Desde que o Demolidor foi criado, é dito que o personagem é católico praticante, sendo inclusive comentado o tempo todo a ironia que é ele se vestir de demônio (do nome original do personagem, Daredevil). Mas acho que Kevin Smith (não é Feige, Murilo Andrade) talvez tenha sido quem melhor explorou a religiosidade de Matt Murdock, no excelente arco Diabo da Guarda, sendo um dos responsáveis por aumentar as vendas da revista do Demolidor.

A história começa quando uma adolescente e o bebê dela estão sendo perseguidos por assassinos e acabam sendo salvos pelo defensor da Cozinha do Inferno. Mas o que parecia um simples salvamento, se complica quando a jovem aparece no escritório de Matt e revela que sabe a identidade secreta dele. Como se isso não fosse problema suficiente, a garota diz que o filho dela é a reencarnação de Cristo e que um anjo lhe disse que cabia ao Demolidor proteger a criança. A partir daí, Kevin Smith joga o herói envolvendo anjos e demônios, sendo que o Demolidor nunca tem certeza de quem é quem, muitas vezes achando até que está ficando louco. Em determinado momento, no auge da loucura, o Demolidor passa a acreditar que o bebê possa ser o Anti-Cristo.

Um dos grandes trunfos do roteiro de Smith é que ele consegue deixar o leitor tão confuso quanto o próprio Murdock. E o final de cada capítulo sempre deixa um gancho que faz o leitor querer ler o capítulo seguinte imediatamente. Apenas o penúltimo capítulo é que eu achei muito chato, pois o vilão da história é revelado e ele fica só contando todo o plano mirabolante dele. Mas até nisso, Smith é genial: o vilão já começa o capítulo dizendo que sabe que todas essas explicações são chatas, mas que ele tem todo o direito de contar o plano audacioso dele. A história tem ainda participações especiais de outros heróis Marvel, como a Viúva Negra e o Homem-Aranha, além de mostrar uma grande perda na vida de Matt Murdock.

Kevin Smith é um cara que escreve muito, tanto diálogos quanto narração em off, e aí vale destacar o excelente trabalho do pessoal responsável pelas letras da história, que conseguiram organizar uma quantidade absurda de texto por página, sem prejudicar a excelente arte de Joe Quesada. Felizmente, o roteirista não usa seus textos para descrever o que já está sendo mostrado pelos desenhos (ouviu, Chris Claremont?). E falando em desenhos, o atual editor-chefe da Marvel estava em excelente forma quando desenhou essa história, com várias cenas de ação muito maneiras e momentos de tensão. Interessante também é como ele desenha Matt Murdock diferente em algum flashback, com corte de cabelo diferente e tal, fugindo daquela coisa que os personagens permanecem sempre iguais. A única coisa que achei estranha na arte dele foram os olhos dos personagens, parece que todos eles estão sempre olhando para cima. O único que fica perfeito com esse olhar é Matt Murdock, afinal, ele é cego.

 

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Essa edição encadernada de Demolidor: Diabo da Guarda, publicada pela Panini, conta ainda com um prefácio escrito por Joe Quesada, contando como foi trabalhar com Kevin Smith, que ainda estava começando nos quadrinhos. No final da edição, temos um posfácio escrito por Kevin Smith, onde ele conta como foi escrever (e salvar) o Demolidor, que estava com as vendas baixas antes da chegada dele.

Roteiro: Kevin Smith

Arte: Joe Quesada

ano: 2009 / 212 páginas

preço: 29 reais

Nota: 9,5

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Avatar Felipe

Demolidor: O Homem Sem Medo

 

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Demolidor: O Homem Sem Medo faz parte do selo Panini Books, que tem como objetivo apresentar histórias clássicas em um formato mais bem acabado, para ser vendido principalmente em livrarias. O acabamento, como de costume, é de luxo, com capa dura e páginas de qualidade. Mas, claro, que nada disso valeria o preço (54 reais) se o conteúdo não fosse bom. Além de trazer uma excelente história de origem do Demolidor, escrita por Frank Miller e desenhada por John Romita Jr., a coletânea traz extras imperdíveis para qualquer colecionador de quadrinhos.

Todos que conhecem o Demolidor sabem como ele ganhou os sentidos aguçados: salvou um senhor de ser atropelado por um caminhão com produtos químicos e esses produtos acabaram atingindo o rosto do jovem Matt Murdock, deixando ele cego, mas com todos os outros sentidos ampliados. Então, o que poderia ter de interessante e que ainda não foi contado? Miller e Romita Jr. nos mostram que, a princípio, os sentidos ampliados eram mais uma maldição do que uma benção para Matt. Além disso, Frank Miller aproveita a história para mostrar como Demolidor, Stick e Elektra estavam ligados há anos. Em certo momento da HQ, um aliado do Stick comenta com ele que Matt Murdock e Elektra eram os dois escolhidos para algo grandioso, mas que Elektra já tinha ido para o caminho das trevas, sendo importante então que Matt não fosse abandonado.

Mas uma das partes mais interessantes da história é quando Murdock está na faculdade, onde conhece seu grande amigo Foggy Nelson. E é nessa época que ele também conhece Elektra Natchios, sua grande paixão e adversária. Na revista mensal do Demolidor, Frank Miller tinha mostrado Elektra como assassina de aluguel e que tinha escolhido essa vida depois da morte do pai. Mas em O Homem Sem Medo, nós vemos uma Elektra totalmente louca, que já cometia vários assassinatos muito antes do pai dela morrer. E tudo em nome de umas vozes que ela dizia escutar.

O capítulo final conta o primeiro encontro entre Matt Murdock e as operações criminosas do Rei do Crime. Wilson Fisk ainda estava começando seu império criminoso e acaba sequestrando uma amiga de Matt. A partir daí, aparecem, na minha opinião, os melhores desenhos de John Romita Jr. na história. As cenas de violência e de perseguições que ele desenha são muito legais. Interessante também deste capítulo é que a roupa preta que Matt usa para não ser reconhecido, lembra bastante o uniforme dele naquele horrível filme do Hulk: O Julgamento do Incrível Hulk.

Ao final desta bela história, que foi publicada originalmente em cinco partes, podemos entender um pouco mais da personalidade do Demolidor e porque ele faz o que faz.

 

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Mas, como eu disse lá no começo, a diversão não termina com o fim da história: ainda temos os extras. São páginas e mais páginas de roteiros escritos por Frank Miller, além de desenhos de John Romita Jr. que não foram utilizados na história. É muito interessante ler as instruções que Miller deixa para Romita nos roteiros, pedindo para ele não esquecer de coisas que já tinham aparecido na revista mensal do Demolidor. Tem até um bilhete que Frank enviou para John e Ralph Macchio (editor do Demolidor), que mostra o quanto o roteirista gostava e se importava com o personagem, fazendo de tudo para que nada entrasse em conflito com a cronologia. No final, tem uma pequeno texto escrito por John Romita Jr., contando como foi toda a concepção desse projeto, do ponto de vista dele. É bem engraçado.

Agora vou lá começar a ler o encadernado Demolidor: O Diabo da Guarda.

 

156 páginas

ano: 2009

preço: 54 reais

Nota: 10

terça-feira, 8 de setembro de 2009

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Superman: O Legado das Estrelas

 

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Quem é fã de quadrinhos de super-heróis sabe como é difícil encontrar boas histórias do Superman. O personagem é poderoso demais e às vezes parece que os roteiristas ficam meio sem saber o que fazer, não sabem como criar desafios para o herói, nem trabalhar sua mitologia. Felizmente, isso é válido mais para as séries mensais do herói (se bem que o Geoff Johns vem fazendo um excelente trabalho), já que em minisséries fora da cronologia o personagem geralmente tem boas histórias, como em All-Star Superman, de Grant Morrison. E foi uma dessas séries que chamou minha atenção recentemente: O Legado das Estrelas, escrita pelo roteirista Mark Waid (o mesmo do clássico O Reino do Amanhã) e ilustrada por Leinil Francis Yu. A história foi originalmente publicada em 12 partes, entre os anos 2003 e 2004, mas só agora tive a oportunidade de ler esta obra, em um encadernado lançado em 2006 pela Panini.

Nessa maxissérie, Mark Waid reconta a origem do homem de aço, trazendo de volta elementos clássicos do Superman pré-crise, que foram apagados por John Byrne na sua reformulação após Crise nas Infinitas Terras, em 1985. Entre esses elementos estão a amizade entre Clark Kent e Lex Luthor na adolescência, e o fato de Kal-El já ter poderes desde a infância. Além disso, na versão de Byrne, Krypton é mostrado como um planeta frio e sem emoções e o Superman quase não tem ligação afetiva com o planeta Já em Legado das Estrelas, Krypton alcançou a paz depois de vários anos de guerra, é mostrado quase como um paraíso perdido, e o Super vive querendo descobrir mais sobre sua herança.

A história começa mostrando o momento em que Jor-El e Lara enviam o pequeno Kal-El para a Terra, na esperança de que ele sobreviva após a destruição de Krypton. Antes de colocar o bebê na nave, Lara o enrola em um pano azul e vermelho, contendo a insígnia da família El, o S vermelho, além de colocar junto dele um livro contendo toda a história do planeta. Após o foguete cair em Smallville, a história dá um salto e vemos Clark Kent, com 25 anos de idade, na África para escrever uma matéria sobre um candidato ao senado que sonha com o dia que sua tribo não será mais escrava. E é em meio a alguns atentados e tragédias que o jovem Clark resolve que precisa dar um jeito de usar seus poderes para ajudar as pessoas, mas sem ser reconhecido.

Ele volta então para Smallville, onde cria o uniforme de Superman e o disfarce de rapaz tímido. Na origem contada por Byrne, Clark Kent era a verdadeira personalidade do herói e cheio de auto-confiança, bem diferente da proposta original de quando o personagem foi criado. Além de trazer de volta o Clark tímido e atrapalhado, Mark Waid mostra o porque dos óculos funcionarem como disfarce. É uma explicação meio besta, mas tudo bem.

A partir daí, vemos o azulão chegando em Metrópolis e tendo seu primeiro contato com Lois Lane, Jimmy Olsen e Perry White, além de se reencontrar com seu amigo de infância Lex Luthor. A história entre Luthor e Clark é contada através de flashbacks, que explicam o porque do vilão ser obcecado por extraterrestres. Na época do lançamento da série, lembro de ter visto gente reclamar alegando que a DC estaria colocando coisas do seriado Smallville só para atrair mais leitores. Mas a verdade é que a amizade entre Clark e Lex é algo da mitologia pré-crise, a única diferença é que o vilão era amigo do Superboy e não de Clark.

E por falar em retorno às origens, Mark Waid escreve um Superman um pouco mais violento do que estamos acostumados, lembrando que nas primeiras histórias do Homem de Aço, ele não tinha o menor pudor em espancar bandidos que não tinham poderes. Em uma determinada cena de Legado das Estrelas, o Superman atira na direção de um bandido e apanha a bala pouco antes dela acertar o rosto do sujeito, tudo para lhe mostrar como se sente uma pessoa que tem uma arma apontada bem na cara. É muito legal ver o Super agindo de forma diferente daquele escoteiro que estamos tão acostumados.

 

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É claro que boa parte da história se concentra na luta do Superman contra Lex Luthor que, na falta de super poderes, começa uma campanha para desacreditar o azulão. Para isso, o vilão cria uma máquina capaz de enxergar o passado de Krypton e passa a usar as imagens de guerreiros kryptonianos para dizer que a Terra está prestes a ser invadida. É claro que Luthor também usa a kryptonita contra o herói, afinal, não seria uma história do Superman se não tivesse a pedra verde. E o final é emocionante, dando a entender que Jor-El e Lara sabiam desde o início que tudo daria certo para o filho deles.

Legado das Estrelas não é uma história revolucionária, não chega aos pés de All Star Superman, mas agrada aos fãs de longa data do Superman, principalmente aqueles que, assim como eu, nunca gostaram das reformulações feitas pelo John Byrne. E pra quem nunca leu uma história sobre a origem do herói, essa pode ser um bom ponto de partida. Eu só senti falta mesmo foi da Fortaleza da Solidão. E é bom lembrar que, apesar de Legado das Estrelas não fazer parte da cronologia oficial do Superman, vários elementos mostrados na história estão voltando a fazer parte do universo do azulão. Geoff Johns tem escrito um Clark Kent tímido e a cidade engarrafada de Kandor voltou a aparecer na série mensal do herói. Além disso, a DC vai lançar uma nova origem do Homem de Aço, mostrando a sua juventude como Superboy e a amizade com Lex Luthor na adolescência, tudo com roteiros de Geoff Johns e desenhos de Gary Frank, na minha opinião o cara que nasceu pra desenhar o Superman.

 

Roteiro: Mark Waid

Arte: Leinil Francis Yu

Páginas: 300

Nota : 8,5

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

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Biblioteca Histórica Marvel: Homem-Aranha – Vol. 1

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Em agosto de 1962, surgia, na revista Amazing Fantasy 15, o super-herói que viria a ser o mais popular personagem da editora Marvel Comics, o Homem-Aranha. Depois de estrelar a última edição de Amazing Fantasy, a Marvel recebeu centenas de cartas querendo saber mais sobre aquele estranho herói aracnídeo. Foi então que, em maio de 1963, era lançada a revista The Amazing Spider-Man, com roteiros do mestre Stan Lee e desenhos de Steve Ditko. E são essas primeiras histórias que estão reunidas no luxuoso encadernado Biblioteca Histórica Marvel: Homem-Aranha - Volume 1.

Essa coletânea reúne as histórias publicadas em Amazing Fantasy 15 e The Amazing Spider-Man edições 1 a 10. A edição brasileira não deve nada à original americana: acabamento luxuoso com capa dura, papel de excelente qualidade e lombada quadrada costurada. Além de tudo isso, todas as histórias foram recoloridas digitalmente, eliminando assim as famosas retículas, que eram comuns na colorização da década de 1960.

Pra quem é fã de quadrinhos, essa coletânea já é uma excelente aquisição. Mas se você for fã da Marvel e, principalmente do Homem-Aranha, essa publicação é simplesmente obrigatória. O preço não é dos mais generosos (53 reais), mas vale cada centavo. E apesar de já ter sido lançada há dois anos, a coletânea ainda pode ser encontrada com certa facilidade em lojas especializadas e livrarias.

E é bom lembrar que também já chegou ao Brasil o segundo volume do Homem-Aranha, além das coletâneas do Capitão América, Demolidor, Homem de Ferro, Hulk, Thor, Quarteto Fantástico, Surfista Prateado, Vingadores e os dois volumes de X-Men. Haja dinheiro pra tanta coisa boa.

Roteiro: Stan Lee

Arte: Steve Ditko (capa desenhada por Jack Kirby)

Páginas: 256

Nota: 10

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

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Patre Primordium #2 chegando!

 

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Depois de um EPIC FAIL vergonhoso da nossa parte, por não fazermos nenhum post aqui no NSN com o lançamento da Patre Primordium, escrita pela nossa fã de longa data, amiga e colaboradora Ana Recalde, vamos tentar reverter isso (foi tudo uma mistura de eventos estranhos, é uma longa história).

Basta dizer que a HQ é muito boa, com personagens fortes, no estilo que gosto, com aquela trama que te deixa amarrado nas páginas. A narrativa gira em torno de Amanda (mais ou menos um alter-ego da autora, pela minha percepção), 19 anos, que recebe um livro do seu pai há muito tempo sumido. Como era de se esperar, a coisa não termina bem logo na primeira edição e rolam algumas mortes.

É melhor parar por aqui, ou a coisa mais legal da revista - e o que me deixou mais frustrado - vai ser estragada: justamente aquela sensação de quero mais que rola quando você termina de ler. Agora, com o lançamento do volume dois, isso deve ser um pouco saciado, o que é muito bom. E parece que nesse volume dois algumas respostas chegarão a tona, ao mesmo tempo em que mais perguntas surgem.

Para dar uma olhada num preview da revista antes de investir nela seu rico dinheirinho, basta clicar AQUI. Para saber onde comprar-la, clique AQUI.

As informações técnicas estão abaixo:

Formato: 20 x 14
52 páginas
Autores: Ana Recalde e Fred Hildebrand
Valor de capa: R$ 6,90

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Fora isso tudo, ainda tem o diferencial do app pro Iphone, que vai permitir que você carregue a revista no seu telefone queridinho, além de dublagem e sonoplastia pra dar aquela ambientação especial no estilo das histórias medievais com efeitos bucais que sua vó e seus tios contavam pra você ir dormir.

Resumindo: Patre Primordium era a ousadia que o nosso sofrido mercado de quadrinhos precisava!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

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Gotham City Contra o Crime

  Gotham City Contra O Crime 

Gotham City Contra o Crime era uma HQ do universo do Batman, que tinha como objetivo mostrar a dura vida dos policiais de Gotham. Contando com roteiros de Ed Brubaker e Greg Rucka e arte de Michael Lark, a série tinha pouquíssima participação do homem morcego e mostrava os policiais da Unidade de Crimes Hediondos fazendo de tudo para manter a lei nesta insana cidade, principalmente sem recorrer ao batsinal. No Brasil, Gotham City Contra o Crime chegou em seis volumes encadernados.

No primeiro volume, Brubaker e Rucka já nos mostram como é difícil ser policial em uma cidade cheia de malucos. Logo no começo, um dos detetives é assassinado pelo Senhor Frio e o resto da UCH faz de tudo para pegar o vilão sem ter que chamar o Batman, já que o comissário Michael Akins não gosta da colaboração de vigilantes. Essa primeira história tem apenas duas partes e serve mais para conhecermos os personagens e como eles se relacionam uns com os outros. Já a segunda história mostra os detetives atrás de um assassino que, ao que tudo indica, está ligado ao vilão Incendiário.

Já o segundo volume, traz um único arco de histórias. Com o nome de Meia Vida, o arco foi vencedor do Eisner Award, um dos maiores prêmios da indústria dos quadrinhos. A história mostra a detetive Renee Montoya sendo ameaçada por um suspeito criminoso e um segrego da sua vida acaba vindo à tona. Esse arco volta a mostrar a estranha relação de Renee com o Duas-Caras, que começou na saga Terra de Ninguém.

Mas, na minha opinião, a melhor história aparece no terceiro volume. Com o título de Alvos Fáceis, ela mostra o Coringa aterrorizando Gotham City com um fuzil de alta precisão. Na semana do natal, o palhaço do crime simplesmente resolve sair por aí matando algumas autoridades com o fuzil. Nessa história acontecem ainda mais duas baixas na UCH, sendo que um o Coringa mata com as próprias mãos e muito sangue frio. Eu, como fã do Coringa, acho a história fantástica.

Apesar de ainda ter mais três volumes que encerram a série, pra mim as melhores histórias estão contidas nesses três primeiros. O que não quer dizer que não tenha coisa boa nos últimos. No volume 4, por exemplo, tem o arco Não Resolvido, que conta com o retorno de Harvey Bullock. Já no volume 6, o arco Corrigan II mostra a morte de mais um detetive e a policial Renee Montoya indo até as últimas consequências para colocar o assassino atrás das grades.

Infelizmente, agora é um pouco difícil de achar esses encadernados, mas com certeza é uma compra que vale a pena. Bem que a Panini podia lançar uma mega coletânea contendo todas as edições em um único volume. Sonhar não custa nada.

 

Roteiro: Ed Brubaker e Greg Rucka

Arte: Michael Lark (desenhos) e Noelle Giddings (cores)

Páginas: 112

 

Nota: 9

domingo, 26 de julho de 2009

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[SDCC] Planetary - o Fim

 

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Sim, uma das melhores HQs que o mundo já viu, vai finalmente ter a última edição lançada, a de número 27, em outubro, com quase três anos de atraso. Foi o que anunciou o próprio Warren Ellis (não à toa, discípulo de Grant Morrison) no painel da DC, na Comic-Con. A espera só não foi mais difícil porque a edição 26 meio que explica todos os mistérios - o que me leva a pensar o que vai rechear as páginas dessa edição derradeira da série.

O importante é que Planetary, A Liga Extraordinária e Autorithy, mostraram que heróis podem ser inteligentes, violentos na medida certa e não precisam apelar para mudanças de passado mágicas ou mortes e ressurreições, como está sendo de praxe nos quadrinhos de heróis.

Deve estar se perguntando: E daí? Bom, o post vale somente pela capa da revista (acima, clique para ve-la num tamanho adequado), e para requentar o guia de leitura que fizemos aqui no NSN sobre a séria. Clique nos links abaixo caso não tenha a mínima idéia de quanto Planetary é acima da média.

Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6 e resenha do BruNêra (só não reparem na diagramação tosca e algumas imagens que sumiram depois que adquirimos domínio próprio).

 

[Via The Bleed]

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Avatar FiliPêra

Doc Frankenstein

 

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Ficar famoso tem lá suas vantagens. Ficar famoso por fazer por dirigir Matrix têm muito mais. Os Irmão Wachowski desfrutaram dela. Após serem unanimidade pelo mundo afora – mesmo sem colocar a cara no mundo – com a saga de Neo, Trinity e Morpheus, eles resolveram partir para outras mídias. Os quadrinhos, inspiração para muito de Matrix… leia Os Invisíveis e comprove, naturalmente foram a próxima fronteira dos autores. E não foi somente com Matrix Comics, uma antologia de contos publicados na internet capitaneada por gente como Neil Gaiman, Bill Sienkiewicz, Dave Gibbons e Geof Darrow; que eles entraram de cabeça na nona arte. Doc Frankenstein traz o melhor do que foi apenas sugerido em Matrix: histórias de monstros. Os motivos para esse ataque aos quadrinhos não são difíceis de destacar. No papel são possíveis as maiores viagens, as melhores idéias. Não se fica preso a compromissos multibilionários com executivos engravatados, ou atores dando pitis.

E Doc Frankenstein surge como um quadrinho nesse estilo. Mesmo com a gana de Hollywood em alta em cima das obras quadrinísticas, não creio que Doc possa ganhar uma versão cinematográfica. É quadrinhos puro e simples. Basicamente o monstro criado pelo dr. visionário vive (o que não deixa de ser irônico), é rico, desejado e integrante de uma organização poderosa combatente do crime. Nesse futuro alternativo, existe a presença sempre problemática da Igreja Católica, outrora a dona do planeta. Nada muito complexo, mas cheio de nuanças interessantes. Acrescente uma luta contra um clã de lobisomens tão imortais quanto ele, e a festa da garotada que encarar a revista já está garantida.

A história é boa, diverte, envolve no geral, mas é falha. Mesmo com momentos inspirados, como a trajetória de Doc até sua chegada a América (mesmo mais carregada de frases-clichê que Origem, de Wolverine), e ambientações interessantes, como o futuro meio retrô, com a Igreja Católica com um poderoso exército cheio de tecnologia, a trama não parece inédita, e tudo por causa de outro gigante das HQs: Preacher.

Por mais que os Wachowski souberam criar o liquidificador pop-filosófico que foi Matrix, aqui a coisa entrou pelos canos. Não se vê referências, se vê conceitos clonados. Temos uma organização religiosa a ser combatida (em Preacher foi o grupo do Graal e… o próprio Deus, que resolveu dar uma fugida do céu com o rabo entre as pernas), um amigo do herói que é imortal e cheio de humor sujo (o vampiro Cassidy em Preacher, e por aqui um lobisomem chamado Frank) e uma bela garota durona. Só faltou um coadjuvante como Santo dos Assassinos para Doc chegar a outro nível… Fora isso ainda têm homens perdendo sua fé nas organizações religiões instituídas e um grande segredo revelado ao final. Quase um carbono mais pirotécnico e resumido.

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Mas, se tem um motivo que realmente faz Doc Frankenstein valer a pena é a arte perfeita e ultra-detalhista de Steve Skroce. Com ele cada cena de ação ganha vida, movimento. Seus personagens realmente são feiosos (caso da família licans) ou voluptuosos. O uso das cores de Shannon Blanchard também é acertado, principalmente no sombreamento.

Doc Frankenstein não é uma HQ que vai mudar o mundo. Muito menos sua forma de encara-lo. É simplesmente uma boa história de ação, com algumas camadas filosofia que são batidas para quem já fui mais fundo nos próprios quadrinhos (Promethea, alguém?). Repito: nada revolucionário. Mas são 150 páginas de boa leitura. Dependendo do momento é o suficiente…

 

Criação: Geof Darrow e Steve Scroce

Roteiristas: Irmãos Wachowski

Páginas: 150

Nota: 7,5

terça-feira, 28 de abril de 2009

Avatar FiliPêra

A Origem de Wolverine

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Expectativas podem destruir. Depositar toda a sua ansiedade em cima de algo, em uma obra de arte em especial, pode afetar a sua opinião sobre ela. Certas obras superlativas passam por isso com uma mão nas costas, como é o caso de O Senhor dos Anéis, que nos mostrou que a perfeição pode existir (só quem o assistiu O Retorno do Rei num cinema, especialmente em sua estréia, sabe do que estou falando). Em outros casos a expectativa destrói completamente a obra, a tornando pior do que parece ser. Pense em O Cavaleiro das Trevas 2, ou All-Star Batman (é Frank Miller, hoje a treta é com você) e saiba como é a coisa. E há um terceiro tipo de caso, quando você termina a obra que estava cheia de expectativas e a deixa de lado com um simples: “É… legal.”

Origem se encaixa na terceira categoria. É uma boa HQ, sem dúvida, mas não passa disso. E olha que nunca fui fã ferrenho do Wolverine. E as expectativas sobre ela (não minhas) eram muitas. O mutante das garras de adamantium havia sido criado em 1974, por Len Wein, como coadjuvante de uma história do Hulk. Depois, pelas mãos de Chris Claremont e Dave Cockrum, ele foi integrado aos X-Men. Começou a ganhar a devida importância graças a John Byrne, que modelou seu conhecido estilo que mistura uma linha tênue de auto-confiança e arrogância.

Aos poucos, seu passado começou a ser modelado. Como seu fator de cura retarda seu envelhecimento, sua idade é indeterminada, aumentando ainda mais o mistério acerca de seu passado. Sabia-se que ele lutou ao lado do Capitão América na II Guerra Mundial, e atuou como agente secreto da CIA, lado a lado com seu maior inimigo, o Dentes-de-Sabre. Também sabemos de sua participação no programa Arma-X (uma dos melhores títulos do mutante que, infelizmente não consegui reler a tempo de resenhar), um projeto secreto do governo canadense para criar um super-soldado e que terminou por colocar o adamantium no esqueleto dele. E logo depois, quando Magneto arrancou o adamantium de seu esqueleto, nos foi revelado que suas garras, o seu item de ataque mais famoso, era parte funcional do seu corpo.

Bom, são várias peças do passado dele já devidamente reveladas. Só faltava os editores da Marvel mostrarem o início de tudo isso: de onde ele veio, de quem ele é filho, e essas coisas que fãs gostam de saber para tudo se completar a contento (e as fichas técnicas que os nerds fazem de cada personagem ficarem completas).

Para isso surge a HQ Origem. Ela cumpre bem o papel para qual foi designada. Desmistifica totalmente o personagem, o colocando na pele de um menino doente, e simples (não tem jeito, vão ter pequenos spoilers) e transferindo toda a trama para uma bucólica mansão no interior do Canadá, habitada pela tradicional Família Howlett, ao invés de alguma guerra sangrenta, ou floresta marcada pelas leis de Darwin. Os primeiros diálogos são inteligentes, aproveitando a chegada de uma nova moradora da Mansão – Rose, o fio condutor da trama – para fazer uma breve introdução da história dos Howlett, bem como ambientar o leitor no clima da história.

 

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Daí para frente, quase inacreditavelmente, vemos uma legítima história de crianças, mesmo que rodeada de tragédias, nos fazendo esquecer que estamos de frente para a origem mais misteriosa dos quadrinhos. Rose (que é amiga de James e de Cão, o primeiro o herdeiro dos Howlett e o segundo o filho do jardineiro) nos ambienta na história, anotando no diário as coisas que acontecem nos saltos temporais que a narrativa exige para ficar fluída. Após uma série de acontecimentos na mansão, Logan e Rose fogem para terras bem rústicas distantes. Nesse período ocorre a transformação definitiva do humano em animal, bem como seu desprendimento da única pessoa que amava: Rose. Desse estágio para o Wolverine definitivo foi um passo.

Falar de Origem sem revelar ao final o contexto de suas reviravoltas é um ato complicado. Algumas dessas mesmas reviravoltas soam meio forçadas, parecendo mais com armadilhas, ainda que empolgantes. A arte de Andy Kubert (e cores de Paul Isanove) ajuda, principalmente pelas capas quase monocromáticas, feitas em conjunto com Joe Quesada (editor maldito da Marvel), com seus tons delicados e traços rabiscados, mas ainda assim a trama não consegue sair do status de “cumprindo tabela”. É uma boa história, principalmente para quem esperou anos e anos para saber de que buraco Wolverine havia saído (e que com certeza já a leram), e nada mais!

 

Panini Comics, 2002

Roteiro: Paul Jenkins

Arte: Andy Kubert

150 páginas

Nota: 7,5

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Avatar Sherman

Codinome Wolverine n°39 - Sonhos Sangrentos

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Fala galera nerd, como sabem (espero eu) o filme do mutante mais casca grossa das HQ’s está chegando. Pra vocês não ficarem boiando, eu e o FiliPêra, decidimos fazer a resenha de duas HQ’s essenciais desse herói, ou anti-herói, como vocês quiserem chama-lo. Bom, nesse feriadão estava com um clássico do "Wolvi" nas mãos e então falei com o FiliPêra que aquela seria a minha parte do especial. Eu a li toda e... chega de papo furado e vamos a matéria.

A história começa com o mutante canadense invadindo uma base secreta onde ele acha que já esteve (na verdade sim, ele já esteve naquele lugar, mas em sua cabeça as idéias estão bagunçadas), acompanhado de Jubileu, como sempre (lembram do desenho que passava na Globo em que ele quase era a babá dela?).

O legal das imagens é que se parecem muito com as cenas de X-Men 2, quando ele inicia a investigação do seu passado. A começar por ele olhando as colunas do lugar, que contém marcas de suas garras. Nisso vêm mais lembranças, e aí nessas imagens mais cenas que o novo filme dele usou. Logo Wolverine não sabe mais o que procurar com tantas imagens em sua cabeça. Outra cena crucial é quando ele se lembra de  sua missão em Cuba ao lado de Dente-de-Sabre. Imagens essas que me levaram a ficar babando enquanto estava lendo a revista porque as imagens do filme são perfeitamente parecidas com o que a revista propõe. Pelo que pude notar, essa revista, junto com a Origem (a parte do Filipêra nesses posts do Wolverine, cuja resenha sai amanhã) serão a fonte do roteiro do filme. Fantástico! Mas a trama não termina por aí, logo um homem misterioso, que seria um dos responsáveis por transformar Logan num "animal", manda um grande andróide-caçador pra matar Wolverine.

Tudo isso com os traços de Mark Silvestre (muito legal aliás). O desenho da revistinha me fez sentir criança novamente; ficava vibrando a cada página que virava, torcendo pra "Wolvi" quando ele ganha de "Shiva" (é isso mesmo o Deus da morte)!

Bom a arte da revista é uma diversão à parte, começando por sua capa na forma de uma pasta de arquivo com detalhes importantes, como a preocupação  em colocar que ele era um agente secreto com o codinome: Wolverine. Nisso, na mesma capa, mas embaixo, um carimbo com a frase "NÃO PODE SER VISTO PELO MAJOR LOGAN". A capa também está rasgada pelas garras de Logan. E quando você abre a revista, pode ver fotos dele com amigos, com o Dente-de-sabre, com uma mulher japonesa na qual está se "casando". Enfim, são muitas surpresas, é pura emoção essa HQ para quem vai ver o filme e quer saber um pouco da história do personagem ou para quem é simplesmente fã do Canadense casca grossa.

 

Nota: 9,0

quinta-feira, 19 de março de 2009

Avatar FiliPêra

O Edifício

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Eu admito: essa é a segunda obra de Eisner que leio, que se soma a Um Contrato com Deus. O Cara, como ele é chamado por aí, deixou um legado de dar inveja a qualquer Bendis, Loebs e Johns da vida. Até o Oscar dos quadrinhos, muito mais importante que sua contraparte cinematográfica, tem o nome dele. Will também é um dos responsáveis por  mudar a face dos quadrinhos, tirando a nona arte do gueto e a aproximando da literatura. Entretanto, suas tramas simples e com elementos predominantemente humanos, acabam por afastar dos jovens leitores. E quanto tentam tornar uma obra sua mais pop, mesmo a sua obra que mais se aproxima do público menos adulto, como é o caso da adaptação The Spirit, pelas mãos de Frank Miller, o resultado geralmente é o desastre.

Mas é inegável que – vou dizer isso com o risco de ser mal interpretado – dificilmente sua obra realmente sobreviva ao tempo. Infelizmente com Universos, Multiversos, Guerras Civis, e todas essas coisas caça-níqueis, não sobra espaço para tramas tocantes como as narradas por Eisner aqui em O Edifício. Não culpo nem a indústria de quadrinhos, e tampouco os leitores. Os tempos realmente são outros. Hoje, grande parte dos leitores não têm a paciência de admirar uma obra quadrinística calcada em tramas cotidianas. Caso a revista não agarre o leitor nos primeiros quadros, ela logo é xingada de lenta (não que isso seja um xingamento) e abandonada em algum canto empoeirado até virar comida de traça (como tudo, claro, existem exceções).

Essa obra de Eisner segue exatamente seu estilo (pode parecer prematuro da minha parte falar sobre o “estilo” de Eisner, mas, caso esteja errado, me corrijam). Tem humanidade transbordando as páginas, misturada com experiências do próprio autor. Tudo isso unido, forma uma obra completa, coesa; é exatamente esse tipo de história, com esse tipo de narrativa que se caracteriza como graphic novel (hoje, pelo visto, qualquer coisa encadernada o é).

Como o título mostra, essa HQ narra a história de um edifício. Ou melhor, de como a demolição dele, afetou a vida dos que estavam a sua volta e o habitavam. Logo num dos primeiros quadros da revista, Eisner dá mostras do que será toda a história: sob o que era antes o edifício do título, surge outro, mas com quatro fantasmas o habitando, presos com assuntos pendentes, todos ligados ao edifício.

E a história começa de verdade com o início da narração da vida de cada um desses fantasmas (que na verdade são apenas referências aos leitores). Monroe é um deles. Ele jamais consegue esquecer do dia em que não conseguiu evitar que uma criança morresse. Ele passa a ajudar crianças, jamais alcançando a redenção que tanto procura.

Gilda é uma mulher que não se casou com o verdadeiro amor para poder obter segurança financeira. Mas ela tornou seu antigo namorado o atual amante, não conquistando a felicidade que tanto procurava. Seu marido, que também arranja amantes, não ajuda em nada, tornando Gilda ainda mais infeliz. Antonio, um violinista, é outro que orbita em torno do prédio. Jamais conseguiu ser um profissional e, após um acidente, termina por ficar tocando violino em frente ao prédio, ficando doente à medida que vai chegando o dia do  prédio ser demolido.

Mas, é na história de P. J. Hammond que Eisner se supera, apesar dela parecer clichê. Ele queria porque queria comprar o edifício por motivos sentimentais. Herdou o dinheiro e os empreendimentos de seu pai e se lançou numa campanha para compra-lo, mesmo que isso exija métodos sujos e a falência.

 

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Eisner, em pouco mais de 80 páginas bem aproveitadas, consegue mostrar o quanto que tem a dizer. Ele discorre com autoridade por temas espinhosos como imigração, obsessão, corrupção, traição e vários outros “ãos” que todos querem longe. O conjunto da obra é semi-depressivo, com as vidas dos personagens caindo como folhas no outono, acompanhando o destino do edifício, rumo a destruição e ruína.

Para quem conhece a arte monocromática de Eisner, não existem surpresas. Como ponto forte estão as expressões em seus personagens, e a falta de uma verdadeira divisão das páginas em quadrinhos em si, fazendo os olhos do leitor passearem livre nas páginas, sem nunca se perderem.

Bom, mas se tem uma coisa que essa obra despertou em mim, é a vontade de ler mais coisas de Eisner. Creio que jamais o cultuarei como ocorre com as figuras quase míticas de Alan Moore e Grant Morrison, mas, com certeza ele é vital para entendermos o porquê do nível dos quadrinhos ter se elevado tanto. Faça como Eu, se não leu a obra de Eisner, livre-se desse pecado o quanto antes.

 

Autor: Will Eisner

Páginas: 80

Lançamento: 1987

 

Nota: 8,5

segunda-feira, 16 de março de 2009

Avatar BruNêra

Gantz & Elfen Lied

Para quem estava reclamando da falta de mangás/animes aqui no NSN, TOMA!!! Dois reviews numa paulada só! Gantz e Elfen Lied, os dois muito violentos, cheios de nudez e com certa profundidade, ou seja, a fórmula certa para agradar qualquer nerd.

GANTZ

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Quem acompanha o NSN a mais tempo já deve ter visto essa resenha que fiz há muito tempo atrás, sobre o mangá Gantz (que por sinal ainda não acabou, e a trama só começou a se revelar agora, no 23º capitulo). Como sou mega-fã desse mangá (ele está ao lado de Death Note e Battle Royale no meu "hall of fame"), resolvi dar uma conferida em seu anime. Já haviam me falado que ele tinha o final diferente do mangá e que não revelava absolutamente nada sobre a trama, mas, como sou cabeça dura, baixei e assisti os 23 episódios (25 min cada). E, como era de se esperar, realmente nada mudou, os desenhistas e roteiristas foram extremamente fieis reproduzindo tomadas idênticas ao mangá.

O anime cobre os três primeiros arcos da história, e nos últimos 5 episódios ele cria novos personagens para desenrolar um final alternativo que ficou muito esquisito e fora do contexto. Apesar da clara intenção de ganhar dinheiro com uma serie de sucesso, o anime até que diverte, afinal é sempre legal ver nosso ídolos do 2D reproduzidos com movimento, cores e vozes. Na parte gráfica a coisa ficou muito bem feita, os desenhos muito fiéis e até os recursos em 3D usados no mangá (as armas, cenários , prédios e coisas do tipo eram criados em 3D e depois renderizados para parecer um desenho e inseridos junto aos elementos realmente desenhados, como as pessoas, animais, monstros, etc) foram mantidos. Outro ponto positivo do anime foi a permanência de toda a violência, nudez e sexo contido no mangá, está tudo lá. É um festival de peitos e tripas por todo o anime, diversão garantida para os otakus pervertidos como eu.

 

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A trilha sonora do anime é bem genérica. Tirando a música de abertura composta pela banda Rip Slyme (que é muito foda!!! quem gosta de J-ROCK vai se amarrar), o resto passa despercebido, não melhora nem estraga o trabalho como um todo. A música de "ending" é gostozinha e meio melosa demais pro meu gosto, mas depois de ouvi-la por 23 episódios você acaba se acostumando com ela.

Quem não leu o mangá e quiser ter uma idéia do que o aguarda, é uma boa pedida começar pelo anime (desconsiderando os últimos episódios é claro), e depois, se agradar, partir para o mangá. Quem já leu (ou esta lendo), também deve assistir descompromissadamente, não é nada surpreendente mas diverte.

 

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ELFEN LIED

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 Elfen lied (canção élfica em alemão) é um anime para poucos. Apesar da presença de personagens "bonitinhas" e "fofinhas", o sangue corre solto por seus 13 episódios. Baseado no mangá de Rin Okamoto, o diretor Kanbe Mamoru conseguiu captar a essência do mangá com todas as suas mensagens, mas sem ser totalmente fiel a sua cronologia. Alguns dizem que uma segunda temporada seria feita completando o anime, e o equiparando ao mangá, mas como já fazem 4 anos desde seu lançamento, eu realmente duvido disso.

Dentre os fatores mais marcantes do anime, o que mais me chamou a atenção foi o cuidado na composição plástica da série, mais especificamente falando da parte sonora e do conceito visual (infelizmente muito restrito a sua abertura). A canção tema do anime é simplesmente fantástica, interpretada em Canto Gregoriano pela cantora Kumiko Noma, composta somente de passagens bíblicas, ela me lembrou um pouco o estilo das bandas Enigma e El Bosco. Grande parte da minha simpatia pelo anime foi por conta de sua abertura. Ela é composta de varias interpretações livres inspiradas diretamente nos quadros do pintor simbolista Gustav Klimt, um trabalho de tirar o chapéu. Juntando esses dois fatores temos a melhor abertura já feita para um anime (pelo menos na minha opinião).

Sua história enfoca um tema um tanto batido: o preconceito. E dentro desse tema o anime passeia por seus diversos prismas, colocando em pauta assuntos indigestos como abuso infantil, bulling, racismo e a violência em geral. Como disse lá em cima, um dos recursos usados para causar impacto é o contraste visual em relação à sangrenta história do anime. Todos os personagens (principalmente os femininos) são "fofinho" e "engraçadinhos", lembrando muito o traço dos mangás shoujo (para meninas). De contra-ponto, todos os episódios são banhados em sangue e peitos!, violência e nudez extrema (com algumas insinuações sexuais aqui e ali). A parada é muito agressiva mesmo, decapitações e desmembramentos são coisas normais na série.

 

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A história do anime gira em torno de uma nova raça de super-humanos denominados Diclonius, eles são exatamente iguais a nós, exceto por um par de pequenos chifres, e a cor de seus cabelos e olhos que são sempre em tons de vermelho e magenta. Tirando o aspecto físico, a maior diferença entre eles e os humanos são os chamados vetores, que são braços invisíveis, super fortes, rápidos e que podem chegar a até 25 metros de distância. Dotados desse poder os Diclonius são uma ameaça a humanidade. Isso porque à partir dos 3 anos de idade ele desenvolve um ódio tremendo da raça humana; por conta disso, normalmente eles matam seus próprios pais.

Toda essa história de evolução não é aberta ao grande publico, só quem sabe sobre os Diclonius são algumas pessoas do governo e uma empresa “evil" que os usa para pesquisa. Dentro desse contexto nós temos 4 personagens principais. São eles: Lucy, uma Diclonius fugitiva e com dupla personalidade, Kouta, um adolescente normal que ajuda Lucy sem saber de sua origem, Yuka, prima de Kouta por quem ela tem uma enorme "quedinha", e por fim, Nana, outra Diclonius enviada para matar Lucy.

Esses personagens, mais alguns outros coadjuvantes, montam a trama principal de Elfen Lied, que é bem intrigante por sinal. O único ponto realmente muito chato são os momentos "românticos" entre Kouta e Yuka. É uma melação tão grande, e tão desnecessária para o contexto que chega a desanimar de vez em quando.

Em resumo é um anime muito bom e vale o tempo gasto, e se você se esforçar um pouco pode até tirar alguma mensagem positiva dali; mas quem gosta de violência, nudez e kawaii com certeza vai se amarrar.

 

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É Nozes!

terça-feira, 3 de março de 2009

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Watchmen: A Terrível Simetria

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crédito: DanOhh Design

Quando Alan Moore teve a idéia de criar uma minissérie com os personagens da Charlton Comics, intitulada Who Killed the Peacemaker, ele não sabia que estava criando a mais revolucionária revista em quadrinhos da história, além da principal responsável por aproximar uma mídia, antes considerada infantil, definitivamente, do público adulto. Ou talvez soubesse de tudo isso, afinal estamos falando mago barbudo inglês, um dos mais visionários criadores do mundo, incluindo aí todas as mídias. Quando entregou o embrião do que seria Watchmen, Dick Giordano, o editor da DC que o recebeu, fez então uma coisa fundamental para o real sucesso da empreitada: desgarrou o roteiro que tinha em mãos dos abobalhados personagens da Charlton, dando liberdade para Moore criar algo totalmente novo, mesmo que inspirado neles. A ambição de Moore foi ainda mais longe. Ele não ficou satisfeito em criar apenas mais uma revista, mais uma minissérie; ele tratou logo de abalar todos os alicerces sobre a qual estava fundamentada toda a indústria de quadrinhos, com heróis endeusados, tidos como infalíveis. À partir de Watchmen - e de O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, lançada um pouco antes - tudo isso mudou. Tanto que Moore foi acusado de ser o assassino dos super heróis, que nunca mais obtiveram o status que tinham outrora.

À partir sucesso, tanto crítico, quanto comercial (ela está em catálogo a mais de vinte anos, vendendo milhões de exemplares, e enchendo os bolsos de muita gente, inclusive de Moore), de Watchmen, a indústria de quadrinhos viu começar a fase dos heróis realistas, que se juntaram à fase adulta e mais criativa da DC, capitaneada pelo selo Vertigo, que despontou gente como Grant Morrison, Neil Gaiman, Garth Ennis, além do próprio Moore, que transformou o Monstro do Pântano em um símbolo cult. Com essa fase nos acostumamos a menções à drogas, distúrbios psicóticos e sexuais, violência e morte de inocentes, ou tudo isso junto, em histórias de super heróis. Mesmo com coisas de baixíssimo nível, como praticamente qualquer gibi da Image Comics, tivemos, para compensar, as tramas de Mark Millar e Warren Ellis, que transformaram Autorithy e Planetary em expoentes da boa fase (mesmo que violenta) dos super heróis modernos.

Mas os valores de Moore para a criação de grande parte dessas histórias (inclua aí, por exemplo, as tentativas de J. Michael Straczinsky de criar tramas adultas em Rising Stars e Poder Supremo, só com a última obtendo qualidade) foram desvirtuados, ficando somente a violência, e o uso de artifícios não tradicionais, como drogas e homossexualismo entre os heróis. O motivo para isso é óbvio: falta para esses roteiristas, a inteligência de um Moore, um Morrison, ou um Ellis, para a criação de algo completamente diferente e quebrador de paradigmas como Watchmen, Os Invisíveis, ou Planetary. O que sobrava (e ainda sobra) geralmente era algo grosseiro e gratuito, sem contextualização. Os socos, sangue e decaptações dessas histórias não tinham motivação, a não ser a figura do herói descontrolado e amargurado.

Com os vigilantes tivemos a fantástica trama de fundo, usando e abusando de elementos críveis para a sua construção. Vemos Nixon, seu nariz aquilino e inchado, assim como sua gana pelo poder, já perpetuado com o terceiro mandato; temos o perigo do Holocausto Nuclear, e temos um Deus misto com Superman, quase neutro a todas as movimentações. Sim, pela primeira vez pudemos vislumbrar como realmente seria o mundo com a presença de heróis na porção mais importante do século passado. O roteiro da grahic novel explora isso com autoridade, ao avançar com uma precisão matemática, discorrendo em todo o contexto dos deprimentes anos 40, passando pela década de 60, até chegar aos delirantes anos 80, época em que, na trama, o mundo está mergulhado no cada vez mais crescente medo nuclear, com duas superpotências cada vez mais com os nervos à flor da pele.

 

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A Obra

Foi Stan Lee um dos primeiros a empreender uma mudança significativa no mundo dos super heróis, ao inserir problemas humanos como contas para pagar no dia-a-dia deles. Mas, convenhamos, à luz dos dias de hoje, parecem infantis, quase bobas, as primeiras aventuras do Homem-Aranha, por exemplo, escritas àquela época (as de hoje, com retornos a vida de solteiro, são inadjetiváveis). Ainda por cima veio o Comic Code e uma caça às bruxas empreendida pelo Senador Joseph McCarthy, que só manteve os quadrinhos como "arroz do povo", jamais experimentando qualquer dose de renovação artística e narrativa. Fases alegres como a época em que o Batman caçava monstros do tempo, e extraterrestres, só foram um espelho desse momento. Em outras palavras: era de se esperar outra sacudida, ou as coisas se encaminhavam para a extinção. Essa nova revolução - tanto estética, quanto narrativa - foi Watchmen. Com ela um novo ciclo se começou.

Começando por sua visão incrivelmente realista e depressiva dos super-heróis, Watchmen acertou em cheio o estômago do arquétipo das figuras que apareciam normalmente nas HQ's. A sua leitura é uma jornada, longa, desconstrutiva de tudo que se tinha feito até então. Com o passar das páginas, aos olhos de quem está lendo, os heróis começam a parecer (mais) infantis, e (mais) bobos. É como se usar um colã e sair para combater o crime fosse vergonhoso, quase escapismo barato. Após a conclusão da leitura é realmente impossível enxergar o indestrutível Superman, ou o irrefreável Capitão América com os mesmos olhos. São quase peças de museu, representantes de uma era que se passou e que não deveria voltar. O mundo agora é outro, não mais comportando histórias fáceis e heróis divinos.

Até que ponto isso é bom, é difícil precisar, mas, mesmo assim, excelentes histórias com a essência do "jeito super-herói" de ser continuam a existir. All-Star Superman, roteirizada por Grant Morrison, e com arte soberba de Frank Quitely é uma delas, além das sagas mais recentes do Lanterna Verde, de Geoff Johns, e do Demolidor, de Brian Michael Bendis, esse último com ressalvas, visto a própria natureza violenta e com uma visão de justiça muito própria do Homem sem Medo. Mas, no geral, a obra-prima de Moore representou uma grande queimada na indústria de quadrinhos, atingindo justamente sua colheita mais farta e lucrativa (e não necessariamente a com mais qualidade), com as cinzas tornando o solo mais fértil, mesmo com a menor quantidade de germinações.

Mas, queimou-se (apesar de não permanecer queimada), principalmente, a velha atitude moralista-maniqueísta que guiava os personagens (principalmente) da DC, em sua maioria, herança dos longínquos anos 30, ou a Era de Ouro dos quadrinhos. Apesar dessa revolução ter começado antes, com Monstro do Pântano, V de Vingança, Batman: Ano Um; essas obras representam uma espécie de primeiras infiltrações em um grande dique com águas revoltas. Watchmen foi como a quebra final do dique, já bastante esburacado. À partir daquele momento, as coisas realmente não seriam mais as mesmas. Foi como V, destruindo todo um modo de sociedade, para dos restos dessa destruição, construir algo novo.

 

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Mas, antes de tudo, Watchmen é uma obra que desconstrói. É necessário conhecer o gênero super-heróis (devidamente reduzido a pó) para admirar (e entender tudo) o que está acontecendo lá. Moore não economizou ao colocar toda uma geração de heróis juntamente com elementos políticos (só podem agir heróis permitidos pelo governo, base da recente saga Guerra Civil, da Marvel, criada décadas depois, por exemplo), e no centro dos principais acontecimentos da Guerra Fria (Manhattan no Vietnã, e como principal arma real e de propagando dos americanos).

Mas se no quesito história, onde alguns autores conseguem chegar perto de Watchmen em sua qualidade ímpar (leia Planetary, já resenhada completamente aqui no blog, e chegue a mesma conclusão), no quesito narrativa jamais se viu alguma coisa igual. Mesmo nos dias de hoje. O próprio autor barbudo disse que, para ele, essa obra foi particularmente decepcionante. Não por falta de qualidade, mas por não ter produzido o efeito esperado na indústria. Foi como abrir um compartimento onde uma multidão de baratas, antes presas, pudessem sair para um lugar antes inexplorado. Nada de organização ou trabalho em grupo. Foi cada um pro seu canto tentando sobreviver, sabendo dos novos tempos, mas sem a mínima idéia do lugar para onde ir. E esse efeito "barata-tonta" foi causado principalmente pelo tema da revista.

Mas eles não atentaram para outra qualidade muito flagrante na série: sua narrativa ambiciosa. Temos diversos personagens olhando o passado a sua maneira, geralmente amargurada, afinal, eles estão proibidos de agir por ordem de um governo semi-fascista. É como os Quatro Evangelhos, com cada evangelista contando a sua própria versão da história de Cristo. Temos a HQ dentro da HQ, representada por Contos do Cargueiro Negro, fazendo um sentido absurdo e servindo, mais uma vez, de espelho para toda a trama que se desenvolve. E temos até uma obra literária genuína inserida na revista. Além disso a série é uma mistura de gêneros muitíssimo bem engrenada, com elementos das velhas histórias de detetive do estilo noir, passando por uma forte crítica social e política, até se revelar também uma ficção científica. Bom, a única maneira de descreve-la é como um épico legítimo do gênero, soando como uma grande despedida tristonha, sombria e depressiva de personagens que muito tempo habitaram nossa vida, mas que não têm mais lugar nela.

É por motivos como esse que Moore deve odiar tanto adaptações. Se em parte as declarações guardam chatices desnecessárias, quando o autor realmente quer mostrar porque é considerado mestre ele consegue. Ele argumenta que o cinema não dá tempo para o espectador pensar, digerir a história, jogando seus 24 quadros por segundo de forma arbitrária. Enquanto isso, nos quadrinhos, a coisa funciona com uma mecânica diferente. Quando você vira a página, nada te impede de voltar outras trinta para relembrar como foi a expressão facial do Comediante, durante uma reunião dos Minuteman. Logo após isso, você pode novamente retornar para onde estava, ou antes ler novamente a narrativa em off de Rorschach enquanto ainda digeria a morte do próprio Comediante. E Watchmen (assim como outro épico, Sete Soldados da Vitória) foi construído com essa narrativa na cabeça, e depende dela para fazer sentido completamente. Daí parte da dificuldade para se adaptar tal obra.

 

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Fora isso temos o uso da teoria do caos e de elementos fractais na construção dos quadros. Os quadros são dispostos na revista como uma ópera, uma sinfonia absurdamente complexa que depende de dezenas de elementos, e de uma visão apurada para mostrar toda a sua grandeza. Há todo um intricado esquema de espelhamento - as formas dos quadros se repetem inversamente na página ao lado - não só a nível de páginas, mas de edições de revistas. A última revista, por exemplo, é espelhada com a primeira de forma simétrica. Há até um capítulo inteiramente dedicado ao tema na revista, que se espelha de forma inteira, a última página com a primeira, a penúltima com a segunda e assim sucessivamente. Assustadoramente genial.

Porém não foi só Moore que concebeu a obra. Dave Gibbons desenhista da série também deu sua contribuição importante. A começar pelo seu estilo acadêmico, meio retrô de desenhar, tudo feito de forma proposital, para imprimir um marcante clima noir a série. Mais uma vez numa obra de Moore, as referências visuais quase se igualam as referências do texto. Coube também a Gibbons batizar o personagem Nite Owl, inserido na história um personagem que ele criou quando tinha 14 anos. O famoso broche amarelo com o smile, um símbolo da série, também é coisa dele.

Enfim, nos quadrinhos, Watchmen pode ser considerado uma obra perfeita. Praticamente sem falhas, fruto do esforço mental sem limites de Alan Moore e de um seleto grupo de colaboradores, que incluiu até o amigo Neil Gaiman (autor de outra obra superlativa que atende pelo nome de Sandman), o responsável por pesquisar as citações que fecham os capítulos e servem de títulos para os próximos.

E, sim, a obra máxima de toda uma geração de roteiristas grandiosos e inventivos é o motivo para a existência da nota 11, e deve ser lembrada enquanto a humanidade ainda existir.

 

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Um milagre em Hollywood

…e onde muitos falharam, Zach Snyder triunfou. A criação de Watchmen, o filme, parecia uma coisa praticamente impossível, devido as alardeadas (por Moore) limitações do cinema perante os quadrinhos. Filmar suas mais de 300 páginas de quadrinhos - e de livros, além de uma revista em quadrinhos dentro da revista em quadrinhos - parecia coisa de outro mundo. Mas, somente o primeiro trailer do filme, a qual hoje é difícil de ser lembrado devido a avalanche de informações (às vezes ruins, principalmente por causa do processo de uma tal Fox, que acabou enterrado aos 45’ do segundo tempo) e imagens (sempre beirando a perfeição) a respeito do filme; já valeu por todo o fim de ano cinematográfico modorrento de 2008.

Mas a história da obra máxima de Alan Moore no cinema não começa com aquele trailer, e muito menos com Snyder. Há décadas que se planeja e tenta se executar uma adaptação de uma das maiores obras literárias da história. Nomes como Terry Gilian (Os 12 Macacos), Darren Aronofsky (The Wrestler) e Paul Greengras (O Ultimato Bourne) já chegaram a esquentar a cadeira de diretor, mas não sem evitar que o filme voltasse pro limbo. Daí surgiu Snyder, egresso do sucesso de um remake de um filme de George Romero; Madrugada dos Mortos, e da adaptação de um outro gibi; 300 de Esparta.

Os trabalhos de Snyder começaram com a contratação de Alex Tse para trabalhar em cima do roteiro de David Hayter, que demorou quase uma década para ser escrito. Mas, com o começar dessas movimentações, todo o momento cinematográfico dos personagens de gibis também mudou, e se aproximava do que os heróis viveram nos quadrinhos nos anos 80. Hoje vemos filmes até de personagens rasos como O Motoqueiro Fantasma. A cada ano uma multidão de filmes, de uma multidão de personagens que jamais deveriam sair das páginas das revistas que os originaram.

O primeiro passo para tentar conter essa onda foi O Cavaleiro das Trevas, saído das mãos de Christopher Nolan. O filme mostra tudo que um filme adaptando um personagem dos quadrinhos tem que ter: respeito ao material original, e alguma originalidade visual. Snyder já havia adaptado 300, obra de Frank Miller, seguindo esses requisitos, apesar de seus excessos em alguns momentos.

O resultado dessa bem sucedida adaptação foi um convite para fazer o mesmo com Watchmen. Ele imediatamente rejeitou, como um bom fanboy. Mas, pensando com a cabeça de um homem de Hollywood, ele chegou a conclusão de que o filme sairia de qualquer jeito, e resolveu fazer do jeito dele, ou do melhor jeito, se preferir. Daí para frente, o dique, dessa vez no mundo do cinema se rompeu, como a teoria do caos determina.

 

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O que nos leva a escalação de um elenco de ilustres desconhecidos, ao primeiro trailer, ao retorno da graphic novel ao topo das paradas, àquele trailer, aos pôsteres, aos spots, e a todo o restante do material de divulgação que você conhece clicando no nosso banner de Watchmen à direita, a essa matéria e a estréia na próxima sexta. Se o filme terá o mesmo impacto, culto e qualidade que a obra literária alcançou, só o tempo dirá. Mas, no mínimo, Snyder e toda a sua equipe já fizeram história ao adaptar algo inadaptável.

Milagres realmente existem, mesmo de lugares que a gente não espera que venham! Hollywood é um deles… Até o dia 06!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Avatar BruNêra

Mesmo Delivery

 

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Estilosa. Essa palavra define a HQ Mesmo Delivery. Apesar de sua história (mesmo que curta) ser bem interessante e deixar um ótimo gancho para uma possível continuação, é o seu impecável estilo visual e a arte fantástica de Rafael Grampá que roubam a cena. Longe de ser verossímil, o seu traço é cativante e dinâmico. Na verdade, a impressão que tive foi de estar vendo frames de um filme do David Fincher, com suas tomadas impossíveis, e com a "câmera" passeando descompromissadamente por todo o cenário e mostrando algumas coisas, que já vimos antes, de uma forma nova e original. Com pitadas de arte nouveau e bastante vintage, Rafael Grampá troca as famosas achuras de movimento por elementos mais... artísticos.

O fruto de todo esse estilo é o personagem principal, um fã de Elvis com um visual meio "rockabilly", chamado Sangrecco. Acompanhado de suas facas, ele vai fazer miséria para entregar a famigerada encomenda, afinal, a  Mesmo Delivery é a "pronta entrega que o diabo pediu a deus". Sua narrativa segue um estilo faroeste, fazendo referência a cenas clássicas do gênero, como o forasteiro que entra no “salon”, os duelo e as "donzelas" que habitam esse meio. Os tons de sépia e marrom completam o visual árido e desértico.

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De contra-ponto, os diálogos são escassos, até porque, eles são quase desnecessários, pois os enquadramentos guiam muito bem o leitor para os pontos de interesse. De acordo com o autor, suas grandes influencias foram os seriados que assistia quando criança, entre eles está Além da Imaginação (eu particularmente não percebi nenhuma referência a Além da Imaginação), isso se evidencia no começo da HQ, que lembra muito as aberturas desses seriados. Explica também o "intervalo para os comerciais" que aparece no meio da história, formados por dois pôsteres de produtos fictícios bem no estilo vintage seguidos pelo aviso: "voltamos a nossa programação".

Resumindo: uma excelente HQ, com uma arte incrível, um personagem carismático e uma história com muito potencial. Comprem, leiam, e esperem pelo filme, que já teve os direitos vendidos.

 

Autor: Rafael Grampá

Páginas: 54

Nota: 8,0

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

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Entenda Sete Soldados da Vitória

 

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Por FiliPêra

 

Se você é um dos muitos que leram Sete Soldados da Vitória, uma das mais brilhantes  sagas de Grant Morrison, e não entenderam completamente, o Darkseid, leitor do blog Melhores do Mundo, fez um guia mega-completo para ajuda-lo. Ele explica, com o máximo de detalhes, todo o desenrolar dessa série, e o melhor, à luz da cronologia da DC, o que não é de muito fácil assimilação. Para mim foi de grande ajuda, já que entendi a série, mas tem muita coisa que fica de fora pelo fato de não conhecer todo o passado do labiríntico universo DC.

Não é nem preciso dizer que o(s) texto(s) é(são) quilométrico(s), então reserve uma hora (ou mais) da sua vida para entender uma das melhores e mais engenhosas (há controvérsias) sagas dos últimos tempos.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Avatar FiliPêra

Procurado

 

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Wanted #1

 

Por FiliPêra

 

A forte carga de realidade injetada na indústria de quadrinhos dos EUA, por obras como Watchmen e O Cavaleiro das Trevas, atinge níveis de absurdo visual e pesado humor negro nas mãos do britânico Mark Millar. Discípulo de Grant Morrison - assim como Warren Ellis, autor de Planetary - Millar foi um dos últimos integrantes da Invasão Britânica, ocorrida nos anos 80. Ao lado de gente como Alan Moore e Neil Gaiman, além do próprio Morrison, ele foi um dos responsáveis por dar uma sacudida sem precedentes nos modelos de roteiros e criação de personagem das duas maiores editoras de quadrinhos americana. Tanto, que hoje é o principal roteirista da Marvel, ao lado de Brian Michael Bendis. Considere O Procurado um debut para sua obra máxima, que ganharia corpo alguns anos depois: Os Supremos.

Aqui conhecemos a jornada deWesley Gibson, um perdedor, dos piores. É humilhado no serviço, sua namorada o trai com o melhor amigo dele, e, definitivamente, ele não é feliz. Tudo muda quando recebe a visita de Fox, que diz que ele é filho de The Killer, o maior assassino do mundo, morto recentemente em uma emboscada. Para quem o conseguir suceder em sua jornada de crimes, está reservada uma fortuna considerável. Não tedo absolutamente nada a perder, Wesley aceita.

Parece um fiapo de história (e no fim das contas realmente é), mas Millar reservou muito mais para Procurado. Somos apresentados a um governo onde super-vilões governam o mundo nas sombras (a cena onde é mostrada a batalha deles contra os super-hérois, e sua consequente vitória é forte, cheia de emoção e carregada de referências), e Wesley se vê como um matador a serviço deles. O universo inteiramente novo traçado por Millar é rico e poderia abrigar várias séries de quadrinhos nele. É também uma crítica - sem o elegantismo de Planetary, que é superior quase tudo já feito - ao universo dos heróis de collant, com vilões bizarros e escaramuças inúteis. Millar eleva tudo ao quadrado, adiciona doses cavalares de sangue, humor negro (melhor que Garth Ennis, que é repetitivo) e ação, e traça uma história divertida e intrigante.

 

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A arte é outro ponto forte. Aqui ela é feita por JG Jones, que na época era egresso da série da Viúva-Negra. Todas as cenas são cinematogáficas, bem ao estilo de Millar, com cenas de ação gigantes e forte carga de adrenalina. Um detalhe interessante é que o modelo para Wesley Gibson foi o rapper Eminem e o modelo para Fox foi Hale Berry.

O veredito? Leia Procurado, nem que seja para ver a cara, ao final, a cara que Wesley faz ao te "ferrar por trás", ao mostrar o quão patética pode ser sua vida!

 

Roteiro: Mark Millar

Arte: JG Jones (desenhos) e Paul Mont (cores)

 

Nota: 8,0

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Avatar FiliPêra

O Grande Astro, o Superman

 

 

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Encare isso. Esse vai ser o melhor título do Superman em todos os tempos, e os fãs de histórias em quadrinhos em 2005 vão cair de joelhos e agradecer aos deuses porque puderam viver para ver isso... na minha humilde opinião.

Grant Morrison

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Por FiliPêra 

 

"Planeta condenado. Cientistas desesperados. Última esperança. Casal gentil". São essas as palavras que Grant Morrison usou para complementar os lindos desenhos de Frank Quitely, e contar toda a origem do Superman. Ao contrário do que possa parecer, por seu tamanho reduzido, a página é carregada de emoção e substitui com perfeição, e um sucesso muito maior, as inúmeras trajetórias e acrescentos que diversos roteiristas fizeram à cronologia do Homem-de-Aço ao longo dos anos.

Não é à toa que o tiro de ousadia não saiu pela culatra. Morrison é um dos maiores roteiristas de HQ's da história e esperou por muito tempo pela oportunidade de ter em mãos um projeto como esse. A DC sabe que nele pode confiar (o mesmo não pode ser dito de Frank Miller, que está ocupado escrevendo Grandes Astros: Batman e Robin e já está fazendo uma lambança sem medidas) e por isso entregou ao escocês seu All-Star-Superman-01-02 projeto mais ambicioso dos últimos anos (só para situa-los no tempo, o projeto, como disse Grant lá na frase lá em cima, é de 2005).

Mas a idéia para esse projeto não surgiu do nada. Foi uma resposta ao universo Ultimate da Marvel, que estava fazendo um sucesso avassalador, principalmente com Os Supremos e Ultimate Spider-Man, unindo  liberdade critiva para os roteiristas e respeito à décadas de cronologia. Na verdade a linha Ultimate estava mais para uma reformulação do truncado universo Marvel (o Universo Marvel é truncado, o DC é um labirinto) dando a ele mais fôlego para leitores mais novos acompanharem as histórias dos heróis da editora.

Com a linha DC All Star (traduzida no Brasil, como Grandes Astros), a aposta foi diferente. Eles não estavam querendo criar um novo universo (chega desse lance!). Eram simplesmente grandes histórias, escritas por grandes escritores. As palavras de Dan Didio, vice-presidente executivo da DC, servem muito bem para resumir a proposta de Grandes Astros: "São roteiristas e artistas estelares, trabalhando com personagens estelares para contar histórias em quadrinhos estelares". O objetivo central é criar uma antologia de histórias definitiva para os personagens que ganharem títulos para a linha. Não é uma reformulação, é "simplesmente" um conjunto de grandes histórias do gênero de super-heróis. Secundariamente a proposta de All Star é limpar um pouco as idiotices que alguns personagens ganharam nos últimos anos. Pense no Superman Elétrico e nos Supermen Azul e Vermelho, que ganharam corpo no início dos anos 90, e entendam que às vezes roteiristas fazem besteiras inomináveis.

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Paralelamente às motivações da DC na criação do título, a escolha de Grant Morrison para tocar o título do Superman, teve uma história de fundo. O começo foi no fim dos anos 90. Morrison apresentou um projeto  à direção da editora DC, para uma série de histórias do Superman. Por burrice dos executivos um motivo qualquer eles não aceitaram a proposta. O resultado não poderia ser mais disastroso. Grant foi para a Marvel e escreveu a mais bem sucedida série de arcos que os X-Men já viram (não por coincidência, o desenhista da série é o mesmo Frank Quitely). Tanto que o título passou a ser chamado de New X-Men. Após um grande inverno na Casa das Idéias, Morrison voltou para seu lar; lugar onde ele havia lançado suas maiores obras-primas: Os Invisíveis, The Filth, Homem-Animal, entre outras. Como prêmio ele passou a ser consultor editorial e passou a ter passe livre para criar projetos autorais. Como prova de sua própria genialidade, Morrison escreveu o monumental projeto Os Sete Soldados da Vitória, que, apesar de não ser uma unanimidade, é visto como uma das séries mais ambiciosas de todos os tempos. E algum tempo depois ele afirma, com toda a sua pompa britânica, que sua vida toda havia sido unicamente para escrever essa série.

Na verdade quem tirou a sorte grande nesse processo foi o Homem-de-Aço. Apesar de ser o personagem mais conhecido do universo de super-heróis e um dos mais lembrados da cultura pop, ele sempre foi massacrado. Mas Morrison joga pela janela seu passado triste e dá à ele uma nova vida, uma série para todos os fãs amarem.

Aproveite Super, não é todo o dia que isso acontecerá!

 

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Abaixo estão as resenhas das seis primeiras (de um total de 12) edições dessa, que promete ser a melhor série do Superman em toda a história. Um aviso: alguns spoilers podem aparecer nos textos abaixo!

 

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Edição 1

 

Admito que nunca gostei de Superman. Apesar de todos os seus super poderes, o herói é por demais bobo, e todos os seus problemas derivam da sempre irritante kryptonita. E fora isso, o herói, salvo algumas grandes excessões, nunca ganhou nada realmente memorável. Por esse motivo  não é um colosso de vendas há muito tempo.

Grant Morrison sabia disso tudo, mas não teve medo (muito pelo contrário) de tocar o projeto mais importante do kryptoniano em inúmeros anos. O resultado é belíssimo. Não só uma história moderna acerca do Super, mas uma grande homenagem ao seu passado glorioso, quando se tornou o super-herói mais conhecido do mundo, e praticamente um símbolo da sua "classe".

A trama é épica, e relembra , além de jogar uma nova visão, sobre todos os momentos importantes da cronologia de Superman, elementos deixados de lado em suas histórias recentes. Esqueça a reformulação feita por John Byrne na época da Crise nas Infinitas Terras, aqui o Superman voltou ao que era antes. Esqueça também os heróis sujos, violentos e quase irreconhecíveis de Crise de identidade (melhor minissérie da DC, no ano de 2004); a série é um revival da Era de Prata, mas com toques modernosos a lá Morrison.

Tudo começa quando Superman vai até o Sol para resgatar uma nave que estava em missão na estrela. Mas tudo não passava de um plano de Lex Luthor para mata-lo, sobrecarregando suas células com mais energia solar do que elas podem processar (ouviu como é que se faz um bom plano, não é Bryan Singer?). Mas, ao mesmo tempo em que condena Superman, ele o torna um deus (que pode empurrar 200 quintilhões de toneladas), várias vezes mais poderoso do que o normal. E é nessa jornada All-Star-Superman-01-11 monumental que Morrison inclui na psicologia do herói a morte.

As doze edições que compõe a série Grandes Astros: Superman são uma grande apoteose de toda a jornada do herói até o momento, e relata seu caminho rumo a morte. Serve também para uma revisita contemporânea a vários elementos da mitologia do herói. Além de tudo isso é uma referência aos doze trabalhos de Hércules, não por coincidência, outro titã de força e um semideus da mitologia grega. E nessa primeira edição, Superman (e Clark Kent) quer acertar seu relacionamento com Lois Lane, logo após recebe a triste notícia do sobrecarregamento de suas células. A última página página dessa revista é linda (nunca pensei que falaria isso de uma HQ de Superman) e vai fazer (na verdade já fez) todo o fã do herói ter arrepios.

Para tornar tudo ainda melhor, o artista escolhido é Frank Quitely, que de tão inspirado parece que esse será seu último trabalho. Com sua arte, todo o ar meio inocente da Era de Prata parece que retornou. Também pudera, o artista não é qualquer um. Contribuiu com Morrison em alguns de seus melhores trabalhos, como New X-Men e We3. Sua narrativa está entre as melhores da atualidade (junte com ele Eduardo Risso de 100 Balas), conseguindo milagrosamente passar em 24 páginas o que muito desenhista não consegue com 50. As expressões faciais e "movimentos" de seus personagens são o máximo que se pode alcançar com os quadrinhos. Ele também é o principal responsável por finalmente entendermos como Superman usa Clark Kent como símbolo do que ele pensa da humanidade, e também como ele consegue não ser descoberto, mesmo apenas colocando um óculos como disfarce.

Se apenas essa revista da série fosse lançada ela entraria para a história, mas é apenas o início da mais importante jornada, do mais conhecido herói do planeta!

 

 

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Edição 2

 

Superman revela a Lois Lane sua identidade secreta. A reação não poderia ser mais inesperada: ela simplesmente não acredita! Também pudera, ela é uma grande jornalista, ganhadora de Prêmio Pulitzer, e simplesmente não pode descobrir que o maior herói da Terra está ao seu lado. O surto que ela tem é altamente explicável, pelo menos para ela mesma.

Superman então a leva para a Fortaleza da Solidão. Ao contrário de outras representações do lugar, aqui ela serve como uma "cápsula do tempo", um lugar onde o herói deposita todas as maravilhas que ele conquistou. As mudanças são logo percebidas na chave que abre o local. A gigantesca chave dourada de Crise nas Infinitas Terras, aqui dá lugar a um modelo em tamanho real, mas peso de meio milhão de toneladas; feita com material de uma estrela-anã super densa. Já dentro da Fortaleza, Lois contempla um comunicador que ajuda o Superman a falar com suas versões do futuro, um pequeno devorador de sóis - alimentado por estrelas feitas pelo próprio herói -  e o Titanic. Mas há uma sala que está fechada para ela, o que leva a uma pequena desconfiança por parte dela.

A continuidade da "releitura" de Superman feita pelo autor, aqui alcança ares belos, mesmo com Lois Lane surtando no meio da revista (ao menos Superman descobriu que está imune a kryptonita verde). Até para os não-fãs do herói (como Eu) a série faz um sentido absurdo. As denominações "complicadas" de Morrison só ajudam. É como assistir House sem saber uma linha de Medicina; são os personagens ali apresentados que fazem toda a série ser o sucesso que é.

Perfeito!

 

 

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Edição 3

 

Como forma de compensar o choque da revelação de identidade, Superman prepara para Lois um presente para o aniversário dela. Uma fórmula que reproduz seus poderes, por um dia, para quem a tomar. Além disso confecciona para ela um uniforme similar ao seu. A dupla de heróis parte para Metrópolis, que está sendo atacada por imensos répteis provenientes do centro da Terra. Mas antes que Superman e Lois (a Supermulher por um dia) enfrentem os monstros surgem Atlas e Sansão, dois símbolos de força e acaba com eles. Começa então um pequeno flerte e uma disputa pela mulher, empreendida por três seres superfortes, representantes de mitologias próprias.

A coisa mais interessante nessa história é o seu mote central. Não vemos Superman salvando o mundo. Aqui ele usa seus vastos poderes para, unicamente mostrar sua masculinadade para Lois. Mais uma vez não é o normal nas histórias do Escoteiro Azul;  quando o grande clímax é ele livrar todo o planeta de uma ameaça gigantesca, e não dar um beijo em Lois Lane na Lua, como acontece por aqui. É em momento assim que vemos humanidade no herói. E é em conceitos e detalhes, pequenos como este, que reside a força e a superioridade da trama de Morrison, frente ao passado do herói.

 

 

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Edição 4

 

Essa edição é calcada em Jimmy Olsen, o jornalista do Planeta Diário. Sua coluna semanal vende como água. E é justamente para escrever uma de suas colunas, que tem como tema "Jimmy Olsen Por um Dia", que ele fica no lugar do excêntrico diretor do P.R.O.J.E.T.O, que parte em uma viagem por 24 horas. Após um incidente Superman é chamado e termina por ser impregnado com kryptonita preta, que altera seu estado mental.

Morrison começa a mostrar aonde ele realmente quer chegar com essa série. É claro que ele ainda não dá mostras de como será seu final, mas já dá um passeio por todos os aspectos da cronologia do Superman. Primeiro o transforma em um deus (que passa a saber que vai morrer); depois foca em seu relacionamento com Lois Lane, enquanto ele enfrenta outras divindades. Agora chegou a vez de Jimmy Olsen. E o conflito aqui é psicológico, com o Super completamente alterado pela kryptonita preta. E tudo se resolve ao final. É ou não é uma ode aos bons tempos do Homem-de-Aço?

 

 

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Edição 5

 

Chegou a vez de colocar Lex Luthor na berlinda, ao mesmo tempo em que Clark Kent entra na trama. O repórter (ele realmente não parece com o Superman) vai até a cadeia onde está o vilão, logo após ele receber a condenação à morte por cadeira elétrica. Mas o que parecia ser apenas uma entrevista exclusiva se transforma num complexo e bem armado jogo psicológico.

Luthor expõe o plano que condenou, e pede para que Kent o publique; isso tudo sem saber que está diante de seu arqui-inimigo. É como um jogo de gato e rato às avessas. É onde, pela primeira vez, pude perceber como funciona a mente invejosa de Luthor, vendo em Superman a única barreira para a conquista do planeta por ele.

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Grande destaque para a arte impecável de Frank Quitely. À primeira vista seus personagens podem parecer infantis, mas a impressão logo passa. A narrativa do artista é primorosa, e aqui ele é forçado ao seu limite, com o jogo psicológico entre os dois personagens principais e todos os acontecimentos na prisão. Morrison e Quitely são uma dupla e tanto e fazem aqui um de seus melhores trabalhos!

 

 

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Edição 6

 

Outro aspecto da vida de Superman/Clark Kent é revelado por Morrison. Nessa edição é seu passado fazendeiro dele que é mostrado. Para isso Morrison volta no tempo e mostra sua vida pré-mudança para Metropólis. Esqueça (mais uma vez) as mudanças pós-Crise nas Infinitas Terras. Aqui vemos Krypto, e Clark já usa uniforme, além de ter poderes mais fracos. Também vemos as inserções de três Supermen do futuro, mais preparados para enfrentar a ameaça que chegou até a fazendo Kent.

Mas num momento de descuido, Clark deixa seu pai morrer. A morte, definitivamente parece ser o clima da série. Vemos que nem tudo está em seu devido lugar, e a morte de Jonathan só acentua isso.

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Autor: Grant Morrison

Artista: Frank Quitely

Nota: 9,5

 

E prepare-se, as emoções de Grandes Astros: Superman só estão começando. Já, já sai a resenha das edições 7, 8 e 9.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Avatar FiliPêra

O Efeito Watchmen

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Por FiliPêra

 

O Mundo parou! E não é por causa do Apocalipse. O ato de covardia foi perpretado pela Warner e pela Paramount. Eles liberaram, quase no mesmo dia, O Cavaleiro das Trevas em sua majestosa estréia em cinemas no mundo inteiro, e o trailer de Watchmen, que, creio eu, todos vocês já viram (se não viram...VEJAM!!!). Se o primeiro é a consagração definitiva do Homem-Morcego nos cinemas, o segundo confirma como a Warner (e a DC) está no caminho certo. Após virar motivo de piada com filmes ridículos (os próprios filmes do Batman da era Joel Schumacher, são dois bons representantes) a casa do Superman e cia. parece estar dando sinais de que pode dar a volta por cima.

Mas o post não é sobre isso. É sobre o efeito - devastador - causado por Watchmen; isso com apenas um trailer, de pouco mais de dois minutos. Assim como ocorreu comigo, após ver O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei, toda a graça que os outros filmes tinham de repente se esvaíram. Após assistir Batman então, a coisa tende a se acentuar. Você acaba de ver um grande filme, e assistir o trailer de outro que promete estar no mesmo nível. A coisa se complica. Somente duas produções esse ano, após o Batman estender a sua capa sobre as bilheterias, vão conseguir me levar ao cinema: trata-se de O Procurado e HellBoy 2. Mas mesmo que as veja, acho que para mim não vai ter a mesma graça que teria caso as visse sem a recente estréia de Batman e sem Watchmen vindouro! São coisas da arte, fazer o que?

Mas será que um simples trailer merece essa babação toda mesmo? Eu digo que sim. É claro que fãs xiitas, dos mais chatos, vão continuar existindo, para reclamar e reclamar; dizendo: "o uniforme da Sally não é desse jeito!", ou "o Dr. Manhattan deveria brilhar menos". Enfim, são coisas de reclamões sem nada melhor para fazer. Quem leu a graphic novel pode comprovar que TUDO está dentro dos conformes. Não foram feitas concessões. Desde a música escolhida - The End Is the Beginning Is the End, do Smashing Pumpkins, que integrava a trilha de Batman e Robin - até os uniformes atualizados, tudo foi feito com o intuito de causar estrago semelhante ao causado por Watchmen (HQ), nos dias de hoje. Mas dessa vez o alvo são os filmes de super-heróis!

 

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Comparação do trailer com a HQ, feita pela Entertaiment Weekly

Se Zach Snyder fizer no cinema o que Alan Moore fez nas HQ's tenha certeza que tudo vai ser diferente com os filmes de super-heróis. Quando Watchmen foi lançado o barbudo inglês foi acusado de matar os super-heróis. Moore rertucou, afirmando que das cinzas deixadas por Watchmen nasceriam super-heróis melhores dos que os existiam na época. E era uma época das piores, com a Image Comics e seu estilo bizonho dominando a indústria. Além disso, os super-heróis eram seres cheios de éticas de épocas distantes, causando uma dificuldade na identificação com os leitores.  Veio Watchmen e limpou tudo. E com a arma mais improvável: realidade. Mas, a longo prazo o efeito foi devastador. Todas as HQ's posteriores tinham doses cavalares de Watchmen dentro delas.

E vem Zach Snyder e se mete a fazer um filme de uma obra tida como infilmável. Ao Omelete ele já revelou que o filme terá três horas de duração e que os Contos do Cargueiro Negro provavelmente ganharão uma versão animada para os DVD's. Se ele conseguir, vai entrar no rol de diretores jovens consagrados, com gente como Peter Jackson, que filmou outro arrasa-quarteirão, que atende pelo nome de O Senhor dos Anéis (atualmente está produzindo O Hobbit).

Watchmen está marcado para estrear dia 6 de março de 2009. Para quem viu a máscara de Rorschach mudando suas manchas, como nos desenhos de Dave Gibbons; o Dr. Manhattan "nascendo" e logo depois explodindo um vietcongue; Sally Jupiter em toda a sua beleza; a cidade construída pelo Dr. Manhattan surgindo em Marte; sabe que a espera vai ser das mais difíceis e longas!

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Para o post não ser unicamente o lamento de um Nerd esperando por um filmaço vamos às informações.

A nova edição da Entertainment Weekly um monte de informações relativas a Watchmen. Para você que manja de inglês é só clicar AQUI, para ler. Faça também uma visita ao site oficial do filme, que já conta com todas as traquitanas legais que uma boa divulgação exige.

Agradecimento: JUDÃO

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Avatar FiliPêra

O Caminho das Trevas

 

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 Crédito: IrenaS

 

Por FiliPêra

Colaborou Leandro Sherman

 

Milagres acontecem! No caso de Hollywood os milagres são, ora motivados por dinheiro pura e simplesmente, ora por vontade de ver a arte ganhar vida. Com a franquia de Batman no cinema foi um pouco dos dois. Após ter virado motivo de piada com seu último filme no cinema, Batman e Robin, com cenas execráveis como a do "BatCartão de Crédito", a "batbunda" e o "gelo flexível", o Homem-Morcego renasce, para simplesmente se tornar, pela segunda vez, o filme mais esperado do ano.

O primeiro acerto dos executivos para reviver Batman, foi tirar Joel Schumacher (que é especialista em fazer filmes pequenos. Comprove assistindo Um Dia de Fúria e Por Um Fio) da direção. Seu período à frente da franquia do morcego foi uma das piores coisas que o cinema já viu. Vilões patéticos, personagens rasos, clima de humor baixo e piadas infames. A direção de arte dos filmes transformou Gotham em uma cidade retrô, cheia de estátuas e lugares estranhos, que passavamnolan1 distante do cenário sombrio proposto pelos quadrinhos. Ao passar a batuta para Christopher Nolan, que ficara famoso com filmes independentes com suspense psicológico, a Warner teve seu segundo acerto. Chris advinha do cinema autoral e sua primeira exigência foi ter controle sobre seu projeto. Os chefões da Warner lembrando dos fracassos presenciados a alguns anos atrás aceitaram. Era o início do renascimento!

A primeira coisa que Nolan deixou claro era que esse recomeço seria uma história sobre Batman, e não contaria unicamente a origem de seus vilões, como foi o praxe nos filmes anteriores, em que o fiapo de história que Batman recebeu foi um flashback da morte de seus pais...perpretada pelo Coringa! A segunda coisa que Nolan fez foi contratar gente que sabe para ajuda-lo no filme, já que ele não é leitor de gibis. Surge então David Goyer, autor de quadrinhos e diretor de Blade: Trinity, como o roteirista e assistente de Nolan na produção. Os dois, diretor e roteirista, ficaram trancados em uma garagem por meses, até saírem com o roteiro que mudaria a história de Batman no cinema para sempre. Mas não só o roteiro foi entregue pela dupla; maquetes, uniformes, maquiagem e storyboards; eles saíram com quase tudo que queriam na cabeça e devidamente pensado e anotado.

Após esse exílio voluntário, um elenco estelar foi surgindo. Christian Bale foi o primeiro a embarcar, mesmo tendo acabado de sair de um regime que o deixou trinta quilos mais magro, necessário para o seu personagem em O Operário. Com uma dieta gordurosa ele conseguiu o corpo necessário para preencher o uniforme do morcego, que já estava pronto pelas mão de Lindy Hemming (que também vestiu Bond, em Cassino Royale). Após ele surgiram Gary Oldman, como o Ten. Gordon, o único tira honesto de Gotham City; Michael Caine, como o mordomo Alfred; Morgan Freeman, como Lucius Fox, um papel parecido com o Q, de 007; Ken Watanabe, que viveria Ra's Al Ghul e Cillian Murphy, que após fazer teste para o próprio Batman, acaba ganhando o papel do vilão Espantalho. Ao final, com tudo nos eixos, sai Batman Begins, que marcou uma nova fase na filmografia do Morcego e acaba por trazer US$ 400 milhões em bilheterias. O sucesso crítico também é evidente, ficando com média 70 no importante índice do Metacritic e 84% de críticas positivas no Rotten Tomatoes (O Cavaleiro das Trevas está com 97 no Metacritic e 100% no Rotten).

coringa

Com o sucesso de Begins uma segunda produção já estava agendada (na verdade todos os participantes de Begins assinaram contrato para três filmes, a excessão do próprio Christopher Nolan). E O Cavaleiro das Trevas começa a tomar forma. Logo a primeira imagem do Coringa - revelada ao mundo no dia 21 de maio do ano passado -  mostra como a direção da produção mudou. Ao invés de um Coringa palhaço, que foi vivido por Jack Nicholson em Batman, o primeiro filme da franquia, um Coringa assustador, deformado surge. A imagem não poderia ter sido mais feliz, pois mostrou que a produção estava novamente com os olhos nas verdadeiras origens do herói, e não tendo como base as infames e humorísticas séries de TV de Batman e Robin.

Alguns meses depois tem início o ARG (que teve etapas em terras brazucas), que transformou o Cavaleiro das Trevas não só no filme mais esperado de 2008, mas um dos maiores hypes da cultura pop em tempos recentes. O resultado desse esforço foi dos maiores - cinemas de Los Angeles e Nova York já estão com sessões de meia-noite esgotadas, isso duas semanas antes da estréia; fato só igualado por Star Wars: Episódio I e III.

Mas a trágica e, tristemente irônica morte de Heath Leadger, que havia mergulhado na pele do vilão Coringa, muda um pouco os rumos das campanhas de marketing do filme, totalmente calcadas na figura do harvey_dent-2_faces palhaço do crime. Surge então o Duas-Caras, vivido por Aaron Eckhart. Seu vilão passa então a ser o centro das atenções das campanhas, para a Warner não lucrar em cima da imagem do recentemente falecido ator. Mas já era tarde demais, o estrago já estava feito. O Coringa já é apontado como o melhor vilão de todos os tempos por alguns que já assistiram o filme. Motivos para isso não faltam (muitos deles podem ser vistos nas imagens e pôsteres e nos trailer do filme).

O fato é que O Cavaleiro das Trevas é um milagre hollywoodiano. Fruto do trabalho criativo de mentes que visam, primeiramente a feitura de uma bom filme, deixando para o segundo plano os ganhos financeiros. E olha que estamos falando de um filme-chave para a Warner, que precisa conter o crescente avanço dos filmes da Marvel Studios, que aliam respeito ao material original e liberdade criativa. Não é sempre que vemos milagres como esse em Hollywood, com produções comerciais, mas ao mesmo tempo com diretores de qualidade (e sem apadrinhamento) à frente do projeto mais importante do ano, de um dos maiores estúdios cinematográficos do planeta. Mas quando acontece, podemos apreciar na primeira fila o magnifíco espetáculo.

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Para nos dar um parecer sobre a trajetória de Batman em película convidei, mais uma vez, o nosso colaborador cinematográfico Leandro Sherman. Ele assistiu de uma só vez todos os filmes do Morcegão. Os textos, um para cada filme, dessa, às vezes, amarga trajetória estão abaixo.

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Película das Trevas

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Por Leandro Sherman

 

A jornada de Batman nos cinemas é cheia de altos e baixos. OK!, mais cheia de baixos do que altos. Do gótico de Tim Burton ao carnaval que Joel Schumacher empreendeu a franquia, é fato que Batman sofreu nas mãos dos cineastas, porém teve algumas coisas boas. Mas, como diz Thomas Wayne, nós caímos para podermos levantar.

 

 

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Batman

Arranha-céus, uma neblina tensa em uma noite escura, presente em uma cidade suja. São essas as primeiras imagens de Batman, dirigido por Tim Burton. O resultado é um clássico imperfeito, mas um clássico.

Para os papéis de Bruce Wayne/Batman, Tim Burton chamou um ator  com quem já tinha trabalhado anteriormente, Michael Keaton (que, aqui pra nós, não tem nada de Batman). Jack Nicholson, viveu um muito engraçado Coringa; e acaba por roubar a cena do filme, empreendendo uma atuação muito boa e chegou a ser indicado ao Globo de Ouro de melhor ator musical/comédia. O filme de Burton é divertido, mas acaba por chamar a atenção por mudanças significativas na cronologia do Morcego (Coringa matando os pais de Wayne? De onde Burton tirou isso?), e imprime um clima muito leve ao filme.batman 1 2

A parte técnica, principalmente a direção de arte, do filme é legal, como indicam os cenários da própria cidade de Gotham, a bat-caverna, e o Batmóvel (hiper-clássico). Para a época era nota 10, um grande filme de super-herói (um dos poucos), mas olhando hoje, com o devido distanciamento, vemos que não passa de um bom filme de aventura, com alguns erros.

O principal defeito talvez seja o fato de, no fim das contas, não ser um filme de Batman, nem do Coringa, mas de seu diretor. O clima gótico, o humor-negro, e a perfeita direção de arte são as estrelas do filme... juntamente com Tim Burton. O filme é a cara dele, o que não chega a ser ruim, aliás é bem legal, mas acabou por tirar toda a personalidade do Homem-Morcego.

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Fato Importante: Nesse filme Tim Burton contrata seu parceiro de longa data, o compositor Danny Elfman (Homem-Aranha, Hulk, A Noiva Cadáver). Ele compôs o tema clássico e definitivo do herói, que chegou a ser usado no desenho animado de grande sucesso do personagem na década de 90, idealizado por Bruce Timm.

 

Batman (EUA, 1989)

Diretor: Tim Burton

Duração: 126 min

 

Nota: 8,0

 

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Batman: O Retorno

 

Michael Keaton retorna nessa sequência sem muitas surpresas, que novamente contou a direção de Tim Burton. O filme mostra a luta de Batman contra o crime, no momento em que surge a ameaça, vinda dos esgotos, chamada Pinguim (Danny DeVito, com uma ótima maquiagem; outra marca das produções de Burton), que se junta a um magnata de Gotham (Christopher Walken) para se transformar no próximo prefeito da cidade (plano meio idiota, admitamos). Do escritório do empresário surge o outro vilão (na verdade vilã) do filme; a Mulher-Gato (Michelle Pfeifer, a única realmente bem no filme), que arrasta uma asa pro Batman durante todo o filme.

O filme peca por ficar devendo um enredo de verdade, e em cenas de ação (são muito poucas). Mas acerta ao divertir, apesar da míopia de Burton e dos roteiristas de darem mais importância aos vilões do que ao próprio herói (e aqui pra nós: Keaton é meio coroa para o papel, não?).

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 Fato Importante: Michelle Pfeifer foi a melhor intéprete da Mulher-Gato de carne e osso. E a cena da "lambida" ficou na memória de todos, durante todos os anos 90.

 

Batman Returns (EUA, 1992)

Diretor: Tim Burton

Duração: 126 min

 

Nota: 7,0

 

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Batman Eternamente

 

Tiraram Keaton do papel do Morcegão e trouxeram Val Kimer, um cara mais novo. Transformaram o uniforme dele em um de couro mais brilhante. E o par romântico de Batman é Nicole Kidman. Será que por esses bons motivos esse filme ficou melhor que os outros dois? De maneira alguma. Além dos fatos relatados acima, a direção passa, de Burton, para Joel Schumacher (Número 23).

Que merda ficou esse filme, com um visual futurístico e colorido (que batman_eternamente_04 palha!). Isso sem falar nos vilões (meu Deus)... Vamos começar pela concepção errada do Charada (Jim Carrey). Ao invés de ser misterioso, enigmático e sombrio, o personagem acaba por se transformar no Carrey de suas outras interpretações. Vemos ecos de O Maskára, Débi e Lóide e Ace Ventura. Assim não dá.

Mas o pior é mesmo o Duas-Caras, interpretado por Tommy Lee Jones. Ele tenta imitar descaradamente o Coringa de Jack Nicholson, o que não tem nada a ver. Ele é rídiculo, uma merda. Fora a cara deformada do vilão, que só se sabe que está deformada por causa da cor roxa, que serviu para cobrir o simples enrugamento que fizeram na cara dele.

Veredito? Um filme muito idiota.

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Fato Importante: Toda a porcaria em que se transformou a franquia de Batman no cinema começa aqui. Vilões idiotas e coloridos, Robin, cenários "futuristas". Tudo ao contrário do que deveria ser feito!

 

Batman Forever (EUA, 1995)

Diretor: Joel Schumacher

Duração: 122 min

 

Nota: 3,0

 

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Batman e Robin

 

Os executivos da Warner ficaram mesmo malucos após Eternamente. Dois anos mais tarde eles fizeram um dos piores filmes da história do cinema, por motivos que você vai ver abaixo:

1 - Arnold "Schwarza" com pantufas de ursinho.

2 - Uma Thurman fazendo uma Hera Venenosa com tremenda cara de travesti (sorte dela ser amiga de Quentin Tarantino).

3 - Todos já falaram sobre isso, mas é sempre bom reiterar: bat-cartão de crédito, uniformes com mamilos e roupas prateadas.

Ed Wood sentiu inveja no além-túmulo. Alguém o superou. Joel Schumacher, que lixo de filme.

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Fato Importante: Destruam todas as cópias desse filme!!!

 

Batman & Robin (EUA, 1997)

Diretor: Joel Schumacher

Duração: 125 min

 

Nota: 0

 

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Batman Begins

 

Realmente Batman mostra que é um grande herói. Depois de péssimos filmes ele reaparece com um filme humano, realista, intenso e chocante.

O filme de Christopher Nolan (O Grande Truque) mostra como a lenda do Homem-Morcego; desde o assassinato de seus pais por Joe Chill (aprendeu Burton?), até o seu treinamento dado por Henri Ducard e a Liga das Sombras. Logo Bruce Wayne (interpretado por Christian Bale, muito bom como Batman) começa sua história, combatendo o crime que assola Gotham. Vilões clássicos dos quadrinhos surgem, como o Espantalho (Cillian Murphy, excelente) e Carmine Falcone (Tom Wilkinson, também ótimo).

Mas as boas atuações não páram por aí. Liam Neeson está ameaçador como uma espada de dois gumes; Morgan Freeman é Lucius Fox, o Q de begins 2 Batman e Michael Caine é o mordomo Alfred. Os dois estão fantásticos, assim como Gary Oldman, o Tenenete Gordon.

Só tenho duas coisas a reclamar: Gotham ficou parecida demais com Nova York (o fato da equipe técnica de Begins ter fotografado toda a Nova York para servir de modelo para Gotham deve ter ajudado), e a música tema desse filme não tem o mesmo impacto da música original, de Danny Elfman, mesmo sendo compostas por dois renomados compositores; Hans Zimmer (Rei Leão e Gladiador) e James Newton Howard (King Kong e O Sexto Sentido).

Mas tudo bem, o que importa é que Batman é um herói fantástico e sombrio, e esse filme mostra muito bem isso. O Homem-Morcego é tão sombrio e negro que chega a ser comparado a uma sombra; a sombra das trevas.

Fato Importante: Finalmente um filme como o personagem merecia!

 

Batman Begins (EUA, 2005)

Diretor: Christopher Nolan

Duração: 140 min

 

Nota: 9,5

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Asas de Papel

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Por FiliPêra

O Batman, felizmente, não é um personagem que nasceu no cinema, muito menos nas cômicas séries de TV. Sua origem se deu nas páginas da histórica revista Detective Comics, da editora National Comics (hoje DC). A concepção de Batman foi fruto do estrondoso sucesso do Superman, o primeiro super-herói dos gibis. A mente que criou o herói, ironicamente sem poderes, ao contrário do Azulão; foi a do artista Bob Kane, que recebeu a missão do editor da National Comics, Vincent Sullivan. Os primeiros roteiros foram de Bill Finger, que também deu algumas dicas para o visual de Batman, como a substituição de uma máscara pelo tradicional capuz. Bill Finger ainda seria o responsável pelo clima pesado e com ênfase em investigações, que tornou Batman tão famoso. Não satisfeito, Finger criaria ainda a Mulher-Gato, o Duas Caras, o Pinguim, e o Charada; além dos nomes Bruce Wayne, Gotham City e Robin. Ou seja não dá para creditar a criação de Batman apenas a Bob Kane.

A estréia foi na Detective Comics de maio de 1939, um ano depois da estréia de Superman, na resvista Action Comics. As coisas seguiram mais ou menos bem até meados os anos 50, quando foi criado o Comic Code. Os gibis passaram a ser apontados como incentivadores da delinquência infantil, aliado ao momento "frio" em que o país etava vivendo, começou a "caça as bruxas" dentro dos gibis. Esse fato levou a uma profunda infantilização das histórias do Morcego. Os temas, antes calcados no mundo do crime, passaram a contar com temas bobocas como: dragões gigantes, viagens pelo espaço e pelo tempo, e coisas mais para histórias de ficção científica. Foi nessa fase que surgiu a famosa série de TV, que ajudou bastante na popularização do herói.

A situação se reverteria em 68, com o quase cancelamento do título. Para mudar de vez a arte das histórias de Batman, foi convocado Neal Adams, que era acompanhado por Denny O'Neill, o novo roteirista. Essa dupla deixou de lado a inocência das HQ's passadas e recolocaram Batman nas sombras, combatendo o crime como o detetive que é. Para se ter uma idéia da importancia de Adams para o Batman, até hoje ele é considerado o melhor desenhista das HQ's do Morcego.

Outra revolução, não só nas histórias de Batman, mas em todo o mercado de quadrinhos, viria com a publicação de O Cavaleiro das Trevas. Um futuro alternativo com um presidente americano (Reagan, para ser mais exato) tirando de circulação todos os heróis - menos Superman, que virou uma marionete - e mergulhando o país em corrupção e na estupidez. Coube também a essa história de Frank Miller nos apresentar a um Batman velho, saindo da aposentadoria, após anos de combate ao crime. Até hoje, com certeza essa é a história mais influente que o personagem já ganhou. Somente em tempos recentes, Grant Morrison, e seus arcos amalucados, conseguiram devolver a Batman o lugar que merece, não só em vendas, mas nos corações dos leitores.

Abaixo seguem resenhadas as quatro HQ's mais importantes do Batman. Se um fã quiser mostrar o quanto sabe do Morcego, no mínimo ele tem que ter lido as quatro obras abaixo. São elas também as que mais influenciaram o novo filme do Morcego, que estréia nessa sexta-feira (18 de julho).

 

Morcego Cult

 

Dentre todos os personagens mainstream das duas principais editoras de Quadrinhos americanas, a DC e a Marvel, o Batman é o que tem a maior capacidade de produzir clássicos. Mesmo que o Homem-Aranha, o Superman e os X-Men sejam os mais conhecidos e os mais amados, a verdade é essa. Praticamente todos os grandes autores da indústria escreveram para o personagem e foram muito felizes com isso. Grant Morrison, Jeph Loeb, Alan Moore e Geoff Johns, são apenas alguns deles. Dentre todos o que será mais lembrado, com certeza é Frank Miller (que aparecerá duas vezes por aqui), com sua reformulação do Homem-Morcego, para muitos a melhor história em quadrinhos de todos os tempos. Estarão abaixo as HQ's mais marcantes e que mais influenciaram na reformulação cinematográfica do Batman; seja pelas altas doses de realismo, seja por tocar em pontos até então inéditos e obscuros do personagem.
Como não poderia deixar de ser, os autores são três dos maiores: Alan Moore, Frank Miller e Grant Morrison!!!

 

 Batman_ A Piada Mortal (1988)

A Piada Mortal

Escrita por Alan Moore, um dos maiores gênios das HQ's (na minha opinião o maior) na revolucionária (para as HQ's) década de 80, essa edição teve como principal mérito a inserção de uma origem para o Coringa. É aí que percebemos os principais motivos que o levaram a criação da máscara chamda Coringa. Sendo um comediante de quinta e não ganhando quase nada com isso, ele parte para realizar um roubo, na tentativa de sustentar a mulher grávida. E aos poucos, ou de vez, vemos o seu mergulho rumo a loucura. Mais como uma forma de fugir da realidade e da vida do que qualquer outra coisa.
Entretanto Moore vai muito além de simplesmente dar uma origem ao grande vilão do Homem-Morcego, ele constrói outras linhas narrativas, sendo a que enfoca o comissário Gordon e sua filha a mais interessante. É incrível como o autor inglês consegue contar em quarenta e oito páginas uma histórias que muitos roteiristas não conseguem com arcos de mais Batman - A Piada Mortal (26) de cem páginas. A arte, de Brian Bolland, também é muito boa, lembrando sob alguns aspectos a arte de Watchmen, principalmente quando enfoca a chuva no chão em alguns momentos (isso deve ser coisa de Moore).
Ao longo da história vemos algumas perguntas sobre o vilão serem respondidas: quão louco é realmente o palhaço do crime? (parte dela está respondida em Asilo Arkham, apesar dessa revista tratar muito mais sobre Batman do que sobre outro qualquer), até que ponto um trauma influência na loucura? (o comissário Gordon responde essa).
E é justamente Gordon é o que sai mais traumatizado da história, sofrendo atrocidades fisícas e psicológicas jamais vistas em toda a cronologia do Batman. Sua filha, a Batgirl Barbara Gordon, também sofre horrores chegando a ficar paraplégica ao fim...
Ao final até o leitor pode sair afetado dessa verdadeira jornada rumo à loucura.
Ponto pra Moore!!!

 

Autor: Alan Moore

Artista: Brian Bolland

 

Nota: 8,5

 

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Asilo Arkham

Usando abordagens já usadas por outros autores, mas mesmo assim conseguindo ser original, Grant Morrison traça (mais) uma obra-prima da cronologia do Batman; usando para isso o tema loucura. Nada mais apropriado que colocar como centro da trama o Asilo Arkham, o obscuro lugar para onde são mandados absolutamente todos os inimigos do Batman quando derrotados por ele. E como não poderia deixar de ser todos seus habitantes odeiam Batman...e fazem uma rebelião, exigindo a presença do mascarado para poderem libertar os reféns. Paralelo a essa já complicada trama, é contada a história de Amadeus Arkham, o fundador do asilo.
Grant Morrison usa tal trama para ir fundo na psique de Batman e mostrar que ele não é tão diferente de Coringa, por exemplo, são suas motivações que são opostas. O careca escocês também coloca asilo ar 2 elementos seus às tramas, como a Teoria do Caos (presente na genial explicação do tratamento do Duas-Caras) e a Magia (presente no passado de Amadeus Arkham). Outra passagem famosa da revista e o apertão na bunda do Batman, perpretado pelo Coringa.
Ao final, a revista se mostra (para quem acessar todos as camadas da leitura) um pequeno quebra-cabeça, além de ser uma importante passagem na cronologia do Homem-Morcego.
A arte é um capítulo à parte. Basta dizer que é uma das únicas revistas com o traço de Dave McKean e pronto! Se você não conhece Eu acho que é só dizer que foi o capista de Sandman para se ter uma idéia razoável do que esperar. Ela serve muito bem para complementar a sufocante trama!
Só uma palavra: LEIA!!!

 

Autor: Grant Morrison

Artista: Dave McKean

 

Nota: 9,5

 

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Batman: Ano Um

Qual a origem e o que motivou Bruce Wayne a se tornar um cruzado contra o crime? Para início de conversa não pense que foi o Coringa, como retratado por Tim Burton no primeiro filme de Batman.
A maior parte da resposta pode-se encontrar no próprio Batman Begins, escrito por Christopher Nolan e David Goyer. E parte das respostas dadas por eles foram extraídas dessa excelente minissérie escrita pelo (à época) magistral Frank Miller.
A idéia de estabelecer uma origem para Batman não pode ser vista como uma tarefa vazia, pois ela é primordial para se entender a visão de Bruce Wayne sobre a criminalidade em geral. Mas Miller foi além e traçou uma importante jornada margeada pelo auto-conhecimento que o personagem vai adquirindo à medida que vai treinando e se preparando para vestir o manto negro. Ao mesmo tempo é contada também a chegada do Tenente Gordon a Gotham City, já com altos indíces de corrupção e crime organizado. Da mesma forma como mostrada na reimaginação cinematográfica do personagem, ele aos poucos vai se estabelecendo como combatente ao crime e usando o medo que os bandidos possuem para se firmar como uma arma de combate ao crime. Os fãs logo identificarão também, personagens clássicos, como Selina Kyle (uma então prostituta) e o promotor Harvey Dent.

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A arte, simplita e sóbria ao mesmo tempo, de David Mazzuchelli, serve muito bem para retratar tal jornada, apesar de em alguns momentos parecer falha.
O conjunto forma mais uma grande obra do personagem.

 

Autor: Frank Miller

Artista: David Mazzuchelli

 

Nota: 8,5

 

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O Cavaleiro das Trevas

Ao contrário da obra Ano Um, que contava a origem e as motivações do Homem-Morcego, aqui Frank Miller traça uma grande apoteose, retratando um Batman cinquentão, mas ainda em pleno combate ao crime. Mas não pense que é só isso. O autor mistura tudo que de relevante que está acontecendo no mundo à época (política é um desses fatos) para mostrar uma cidade podre, com o crime tomando conta, mas que nada mais é do que um espelho de um país em frangalhos, com um presidente que beira a idiotice, mas acima de tudo fascista (Moore fez parecido com V de Vingança, mas atacou a contraparte inglesa de Reagan: Margareth Tatcher). Tais elementos formaram um universo único para Batman, com corrupção saltando aos olhos e todos os tipos de gangue atacando a população. Apesar de ser meio louco (como visto nas revistas resenhadas acima) Batman continua íntegro. Apesar de seus métodos serem largamente condenados pelas autoridades de Gotham City, ele não desiste.

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Batman sai de sua aposentadoria ao perceber que Gotham (um reflexo do mundo) está pior do que quando ele começou. Ele está velho, enferrujado, mas sua vontade de combater o crime só aumentou. Mas as coisas não serão fáceis. Primeiro que o próprio governo proibiu os mascarados, segundo que Gotham City está com níveis de criminalidade estratosféricos e terceiro que a sociedade já não apóia Batman.

Parece pouco, mas Miller pegou essa trama e transformou no maior marco que Batman já teve. Nas palavras de Stephen King, o mais famosos escritor de terror: "O Cavaleiro das Trevas é...a melhor história em quadrinhos de todos os tempos". E ela não perdeu nada de seu frescor, apesar dos vinte anos passados. Frank ainda definiu aqui, o que seria Batman nos anos seguintes (sua releitura dura até hoje): sujo, violento, anárquico. Mas não é só isso. Ele ainda por cima, mata o Coringa, troca o Robin (Jason Todd está morto) e faz Batman dar uma surra inesquecível em Superman, controlado pelo governo e enviado a Gotham para acabar com as ações do Homem-Morcego.

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Porém Frank não apenas inovou em conceitos e tramas. A própria narrativa corajosa, com dezenas de quadrinhos por página e recursos como o da "televisão", foram coisa que viraram moda em anos subsequentes. Miller conseguiu criar uma obra que, como Watchmen, ficam para sempre na memória e podem ser lidas diversas vezes que não perde a graça. É daquelas histórias que todos os fãs de quadrinhos deveriam ter na estante com orgulho, pois não é sempre que a nona arte é levada a níveis tão absurdamente altos. É uma pena que parece que após Sin City, esse brilhante autor nunca mais mostrou a sua genialidade.

 

Autor: Frank Miller

Desenhos: Frank Miller; Cores: Lynn Varley

Nota: 10

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Aguarde para o dia 20 nossa crítica de O Cavaleiro das Trevas.

sábado, 21 de junho de 2008

Avatar FiliPêra

Destaque HQ: 100 Balas - Parlez Kung Vouz

100 Balas - Vol. 11 a 14

 

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Por FiliPêra

 

Nem de longe o início da trama de 100 Balas apontava para caminhos tão sinuosos e sinistros. A série cada vez mais ganha ares conspiratórios e sujos, com o adicional da arte underground de Eduardo Risso, dono de uma das melhores narrativas que já vi! Se no início parecia que a série se limitaria a mostrar como a "maleta" mudava a vida das pessoas, cada vez mais ela vai adentrando no lamacento universo dos agentes que possibilitam o troco com as "100 balas irrastreáveis". Se no arco passado tivemos um vislumbre do que poderia ser um Minuteman (perigosos assassinos que são acionados com uma palavra), agora passamos a saber cada vez mais como funciona o universo dos intocáveis agentes...ou não! Explico: assim como em Os Invisíveis, 100 Balas é cheio de mistérios e, apesar de ainda não dar certeza, possui dois lados conflitantes em uma guerra corrupta e sangrenta. Então é bem razoável não acreditarmos017 em qualquer história que os personagens contam.

A edição 11, a única fora do arco principal, conta a pequena história de uma mãe que tem sua vida mudada quando recebe a visita de um certo Graves. O que pareceria uma história piegas, que envolve conflitos familiares passados, se transforma numa inteligente trama, apesar da simplicidade. Toda a violência da sociedade moderna é colocada no centro das discussões que Graves tem com a mãe, a Sra. Roach. Ele conta de como sua filha teve uma vida dura, sem esconder os detalhes do seu sofrimento. Após contar tudo, oferece a ela a oportunidade de vingança...que ela abraça sem pestanejar.

Após esse pequeno interlúdio somos jogados no arco Parlez Kung Vouz. Seu principal personagem é Dizzy, aquela da primeira trama de 100 Balas. Ela é mandada à França por Shepherd, para encontrar um tal de Branch, sob a desculpa que ele e ela tem algo em comum. As revelações que ela receberá em Paris (que podem ou não ser verdadeiras) são demolidoras e começam a fazer o leitor desvendar os mistérios dessa inteligente série. Mas com isso a vida de Dizzy parece correr perigo com o aparecimento de um Minuteman (lembra de "croatoa"?).

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E é aqui também que Azzarello começa a jogar uma luz nos que estão controlando tudo (o Monopólio) e surge uma possibilidade de Graves não fazer parte dos mocinhos (na verdade isso tá em aberto desde o início e só o nome dele, que quer dizer túmulo, já diz muito). Mas esses são só partes da trama que torna 100 Balas tão impressionantes. Também é perfeito na série como o roteirista consegue colocar personagens no centro da história, sem nunca tirar Graves dos bastidores. Parte dessa capacidade atende pelo nome de Eduardo Risso, que, ao contrário de muitos, consegue valorizar perfeitamente cada quadro, colocando vários acontecimentos por página e mostrando visualmente (e até subjetivamente) o que outros artistas deixariam para fazer com diálogos.

Resumindo: mergulhe de vez no mundo de 100 Balas!

E aguarde que A Voz do Além vai ajudar vocês quanto à isso!

 

Autor: Brian Azzarello

Artista: Eduardo Risso

 

Nota: 9,0


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