quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

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Darker Than Black

Por Paulo Roberto, do Em Paralello 

 

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Nota do autor: Desde 2010 que escrevo para o NSN. Sempre resenhei filmes, livros, escrevi sobre diversos assuntos, mas percebi que nunca havia resenhado um mangá, não só aqui especificamente, mas em nenhum momento em minha curta trajetória como escritor “amador”, embora eu seja um viciado em mangás. Bem, espero que todos curtam e vou logo avisando: vão rolar alguns pequenos spoilers ao longo da resenha, portanto não se surpreendam, ok?!

“De um dia para o outro, surgiu uma área anormal gigantesca. Em Tóquio chamada de “Hell’s Gate”, o “Portão do Inferno”

“O aparecimento desse território instransponível tomou dos habitantes de Tóquio o verdadeiro “céu estrelado...”

“E surgiram também pessoas que deram suas almas humanas em troca do poder das trevas...”

“Esses são os CONTRATANTES”.

Em uma tarde de almoço comum, após a saída da escola, Kana Shinou mais uma vez é “trazida de volta” por suas amigas de seu insight (ou momento de introspecção). Percebendo a tristeza de Kanam as meninas resolvem então levá-la ao shopping com o intuito de animá-la. No caminho, já com as lembranças de outrora momentaneamente esquecidos e papeando sobre assuntos aleatórios Kana percebe um rosto familiar, que dizia: “o que eu devo fazer na Wiegenlied a partir de agora... Klang?”. Ela vira o rosto rapidamente, sua voz quase não consegue ser ouvida quando ela gagueja: “pa... papai?!”.

Há um ano atrás ocorreu um massacre onde o pai de Kana, Shizuma Shinou havia sido assassinado. Kana desde então teve sua vida completamente alterada, onde a aceitação da morte de seu pai era algo que ela não podia conceber, mas ao mesmo tempo seu sofrimento se agravava com o fato dela mesma não se lembrar de absolutamente nada do que havia acontecido. Mesmo suas amigas dizendo que Shizuma estava morto, Kana sabia o que tinha visto. A pinta embaixo do olho, sua voz, ela não tinha dúvidas. Ainda desnorteada diante daquele momento, fala: “Papai... Você está vivo?!”.

Na saída da escola ela é parada por um homem que se apresentava como colega de trabalho de seu pai, quando Kana tenta fazer algumas perguntas, Klang sai detrás do homem e diz: “Seria muito melhor se você tivesse esquecido seu pai”. Ela apavorada sai correndo e Klang dá uma ordem: “Pode acabar com ela do jeito que quiser”. Desesperada e com a sua morte eminente, Kana é salva pelo mesmo homem que havia apagado a sua memória, Hei um contratante renegado.

Há dez anos atrás surgiu em Tóquio o “Hell’s Gate” ou “Portão do inferno”. Com o surgimento deste “portão” diversos governos tentam de alguma forma tomar posse do mesmo e para isso enviam os “contratantes”. Estes são pessoas que em troca de poder perdem completamente suas emoções humanas e o senso de moral, o grande problema é que após a utilização de seus poderes eles acabam sofrendo uma “compensação” pela utilização do mesmo.

O céu desaparece, o governo cria um muro em volta do “Portão do Inferno” escondendo das pessoas a verdade tornando todos a sua volta um possível “contratante”, sem sentimentos, sem senso moral que não hesitam em acabar com a sua vida se assim for necessário, pelo menos na teoria.

 

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Em um momento onde os mangás que fazem mais sucesso possuem heróis com espadas, poderes ninjas e vampiros, Darker Than Black não inova. Tensai Okamura em seu roteiro traz outro herói que possui uma faca com um cabo metálico (correntes) com o poder de controlar correntes elétricas, um pouco desajeitado e com uma personalidade melancólica. Isso sem falar em um gato que fala (não aguento mais gatos falantes), ou seja, nada que não tenhamos visto em algum outro mangá ou anime por aí.

A história em si é composta por algumas contradições, como por exemplo: se os contratantes deram suas almas para angariar poderes e com isso não possuem mais nenhum senso moral, afetivo ou qualquer outro sentimento, como Hei ao longo da história poderia nutrir algum sentimento por Kana Shinou ou “musik” (outro personagem por quem ele nutria um sentimento de afeto) se ele era um contratante? Além das contradições, Okamura não explicou muito bem e deixou pontos em aberto ao longo da história. Como, por exemplo, a “compensação” que os contratantes tinham após usarem seus poderes.

O “esquema” funcionava da seguinte maneira: você possui poderes, mas quando usá-los acarretaria em uma “compensação”. Até aí eu entendi, mas ao longo da história o único contratante que eu vi tendo essa “compensação” após usar os seus poderes foi o pai de Kana no momento em que lutava com Hei. Foi então que percebi a completa falta de criatividade do autor. Com o término da luta, Shizuma (Pai de Kana) finalmente tem a “compensação” por ter usado o seu poder que é simplesmente dar uma “vomitada”. Sinceramente vomitar por vomitar muitos de nós já vomitamos quando enfiamos o pé na jaca, agora pensem comigo: se eu tivesse a oportunidade de ter um poder foda e para isso a única condição para usá-lo seria dar uma vomitada depois eu aceitaria na boa, sem problema algum.

A arte de Nokiya também não se destaca. Os quadros, apesar de bem estruturados pecam um pouco pela falta de investimento nos planos de fundo que recorrentemente são brancos ou pretos. Os personagens em si foram bem diferenciados e com belos traços mostrando a personalidade de cada um, como por exemplo, Hei que usa uma “capa” escura e cabelos por sobre os olhos enquanto Klang usa roupas mais no estilho “pop” com pulseiras e boné.

Posso dizer que Darker Than Black começa de forma promissora em seu primeiro volume, mas se enforca ao longo do volume dois, que além de não explicar muitas coisas ainda termina de forma chata e sem graça. Vagando pela internet li comentários onde diziam que este manga foi apenas uma ponte entre a primeira e a segunda temporada do anime, mas creio que para isso existam os “OVAs”. Contudo, após ler o mangá não nutri vontade alguma em assistir o anime.

Até a próxima!

 

Darker Than Black (Vol 1 e 2)

Roteiro: Tensai Okamura

Arte: Nokiya

Conceito Original: Saika Hasumi

Editora: Panini Comics/ Planet Mangá

Preço: R$ 9,90

Nota: 5,0

8 Comentaram...

oberdanorris disse...

Você começou errado com a Obra. O mangá não tem muita coisa relacionado ao Anime. É o que acontece quando um anime é "original" e seinen e tentam fazer uma adaptação para mangá com traços de shoujo.
E creio que esta história não tenha nenhum relacionamento com o anime, a não ser alguns personagens, claro.
Não prenda suas opiniões sobre a série com este mangá, vá ver o anime.

Paulo Roberto [Em Paralello] disse...

Sério?! Bem, acho que vou seguir seu conselho e assitir ao anime e depois escrevo sobre o que achei. Obrigado pela dica =D

Alaska BuzZ disse...

eu comprei o manga de Dark Than Black quando lançou,gostei bastante do traço mas acho que a historia foi muito corrida e quando fui assistir o anime não entendi nada.

Renatoz disse...

Concordo com o oberdanorris. O anime é infinitamente superior ao mangá. Eu, pessoalmente, já estou de saco cheio de assistir animes - faz tempo que não vejo um de qualidade. Darker Than Black foi a exceção. Assista ao anime, é excelente (principalmente na segunda temporada)! :D
hehe

Ace disse...

Darker Than Black é um anime excelente. Como o autor mesmo falou o manga serve mais como uma ponte entre as temporadas do anime, e coisas ressaltadas como erros de roteiro - como o fato de Hei ser um contratante e ter sentimentos - são na verdade falta de informação do autor do tópico e não erros do criador da obra.
DTB foi um dos melhores animes que eu vi nos últimos tempos, com uma trama muito profunda e personagens interessantes.
Volto a ressaltar que se o autor do tópico tivesse visto o anime, até mesmo coisas como a presença de um gato falante teriam justificativas (Por sinal a parte da história na qual se fala da origem do gato é ótima)

Ace disse...

Darker Than Black é um anime excelente. Como o autor mesmo falou o manga serve mais como uma ponte entre as temporadas do anime, e coisas ressaltadas como erros de roteiro - como o fato de Hei ser um contratante e ter sentimentos - são na verdade falta de informação do autor do tópico e não erros do criador da obra.
DTB foi um dos melhores animes que eu vi nos últimos tempos, com uma trama muito profunda e personagens interessantes.
Volto a ressaltar que se o autor do tópico tivesse visto o anime, até mesmo coisas como a presença de um gato falante teriam justificativas (Por sinal a parte da história na qual se fala da origem do gato é ótima)

Heitor disse...

Cara, eu discordo com absolutamente tudo o que você comentou.
O anime Darker Than Black é muito bom, apesar do mangá ser meio corrido, a história é muito intensa, densa e cheia de detalhes. Hei é um típico anti-heroi melancólico, e utiliza uma faca com um cabo metálico, mas utiliza de muita estratégia para lutar, utilizar tudo ao seu redor para obter vantagem.
Existem várias compensações, e o problema não é ela (já que um vomita, outro tem que beijar uma pessoa, outra origami, etc...), o problema é não poder mais mostrar os sentimentos para o exterior (E NÃO PERDER OS SENTIMENTOS) para obter o poder, e ser perseguido pela polícia e agencias secretas.
Ah, e no caso do Hei, que não foi revelada a compensação, é justamente para o leitor pensar qual seria a sua recompensa, o que ele pagou.
E os contratantes podem criar relacionamentos sim, como mostra na segunda temporada que 2 contratantes se casaram e obtiveram um filho. Eles apenas não demonstram sentimentos, há vários relatos de sentimentos ao longo do anime.
Uma dica: Entenda melhor o anime/mangá antes de querer comentar sobre ele ;)

Paulo disse...

Prezado Heitor, acho que você não entendeu a parte final do texto onde eu disse que não nutri nenhuma vontade de assistir ao anime. Portanto, se ele é bom ou não, se explica ou não todos os "buracos" que encontrei no mangá para mim não faz a menor diferença.

Outro ponto que quero ressaltar, é que eu escrevi sobre as MINHAS IMPRESSÕES sobre a obra, se você possui outro entendimento ou outra percepção é direito seu, apesar de respeitá-lo ainda continuo achando a obra um saco e mal construída.

Abraço.

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