quinta-feira, 1 de setembro de 2011

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Planeta dos Macacos: A Origem

 

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A série Planeta dos Macacos sempre mostrou a violência e intolerância humana com espécies inferiores ou diferentes colocando os próprios humanos como inferiores aos macacos, que de alguma forma adquiriram inteligência e dominaram o planeta. Apesar disso, eu nunca conseguia deixar de ter uma raiva tremenda daqueles malditos macacos que tratavam a humanidade como escravos. Para aqueles que também pensavam da mesma forma, Planeta dos Macacos: A Origem chegou para deixar bem claro que a humanidade merece o tratamento dado a ela em uma sociedade dominada por primatas evoluídos.

O filme começa mostrando uma cena onde vários macacos são perseguidos com extrema violência em uma floresta. Quando os perseguidores conseguem capturá-los, eles são simplesmente jogados de qualquer maneira nas gaiolas e caminhões, sem a menor preocupação com o bem estar dos animais. Logo nesse começo já é possível ficar admirado com a qualidade dos efeitos especiais utilizados para criar os macacos, que são todos digitais. É impossível não se comover com um dos macacos que grita desesperado dentro da jaula, como se pedisse ajuda para um outro que conseguiu escapar.

Logo depois desse começo, vemos que o destino da maioria desses macacos é um laboratório de pesquisas, onde o cientista Will (James Franco) trabalha em uma cura para o Mal de Alzheimer, já que seu pai sofre dessa doença. Após alguns acontecimentos, surge o verdadeiro protagonista do filme: o macaco Cesar, interpretado pelo sempre competente Andy “Gollum” Serkis.

A captura de movimentos e das expressões faciais de Serkis é impressionante e proporciona cenas emocionantes, como a preocupação de Cesar com o pai de Will quando ele é atacado, ou quando ele implora para voltar para casa após ir para um abrigo de animais. A cena em que Cesar enfrenta o personagem de Tom Felton e diz um sonoro “NÃO” é de fazer qualquer um vibrar no cinema.

 

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Enquanto vários filmes não gostam de mostrar de perto criaturas em CG para que as imperfeições não sejam notadas, em Planeta dos Macacos: A Origem acontece justamente o contrário. Algumas das melhores cenas são as que mostram o rosto de Cesar em close, sempre cheio de expressões que dizem muito sem uma única palavra e sempre fazendo com que o público acredite que está realmente vendo um macaco treinado.

Se o filme tem uma falha grave é que os personagens humanos não têm o mesmo carisma que os macacos. Will, por exemplo, é o típico cientista que faz de tudo para achar uma cura para o pai, mas acaba se apegando a uma de suas cobaias. O dono da empresa onde Will trabalha é aquele tipo que só pensa em lucros a qualquer custo e acaba fazendo várias cagadas. Não faltam também os funcionários de um centro de animais que não dão a mínima para os bichos, sempre os tratando com crueldade. Enfim, são personagens genéricos que poderiam aparecer em qualquer filme.

O ritmo do filme é muito bom, conseguindo com algumas poucas cenas mostrar coisas complexas, como o drama de Cesar fazer parte de dois mundos e ao mesmo tempo não pertencer a nenhum: apesar da inteligência, para os humanos ele não passa de um animal, e para os macacos normais ele é muito inteligente para ser aceito. A falha realmente grave do filme fica por conta do personagem de David Hewlett, que começa como um vizinho briguento, mas acaba se tornando uma espécie de alívio cômico quando o filme chega em sua parte mais dramática.

O longa metragem apresenta ainda cenas de ação sensacionais, com os macacos atacando a cidade de modo extremamente organizado e com armas improvisadas, mostrando aos poucos a evolução intelectual deles. Impossível não se empolgar com a grande cena de batalha que acontece na ponte Golden Gate, que conta com Cesar montado em um cavalo liderando seu exército, como um típico general.

 

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Planeta dos Macacos: A Origem traz ainda alguns easter eggs para os fãs de longa data da série, como a notícia de que os astronautas estão prestes a viajar para marte, ou um jornal que tem estampada na capa a manchete “Perdido no Espaço”. Mas, felizmente, o filme consegue divertir mesmo aqueles que nunca assistiram a nenhum filme da série. E como eu já havia escrito na resenha sobre X-Men – Primeira Classe, ponto para a Fox mais uma vez neste ano.

 

Rise of the Planet of the Apes (EUA, 2011)

Diretor: Rupert Wyatt

Duração: 105 min

Nota: 8,5

2 Comentaram...

xx disse...

Numa das cenas o personagem de Tom Felton diz " tire suas patas imundas de mim, seu macaco imundo", também dita pelo astronauta Taylor no filme original de 1968

Anônimo disse...

O que vale mais nesse filme é o fan service.
Assisti o original, de 1968, novamente há uma semana e posso dizer que existem diversas linhas de diálogo, não somente o "You damn dirty ape", tiradas do original. Nomes de personagens, localizações, etc, toda referência que pôde ser feita, foi realizada.

De qualquer maneira, é um bom filme. Melhor um vírus aniquilar os humanos que os humanos serem dominados por macacos-escravos.

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