quarta-feira, 18 de maio de 2011

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Três Homens Em Conflito

Por Marco Aurélio, do Cinemarco Cineclube 

 

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Os elogios realmente fazem sentido. É altamente satisfatória a sensação de deparar-se com um trabalho que se percebe diferenciado, e faz jus à sua fama de clássico. É o sentimento pós-filme de estranheza, de mudança e de uma tímida e interna felicidade que nos permite julgar este longa com os adjetivos que, por um momento, nem parecem existir. Tamanho elogio não condiz com perfeição, porém há uma necessidade de elevá-lo à um patamar de diferenciação, junto à algumas obras que fizeram por merecer a recorrente lembrança por seus inúmeros motivos.

Sergio Leone foi um diretor italiano de poucos e grandiosos filmes. Não é exagerado, portanto, tamanho reconhecimento pelo cinema que deixou em seu período de atividade. Com maior relevância, destaca-se, além desta obra, Era Uma Vez no Oeste, Por uns Dólares a Mais e Meu Nome É Ninguém, como trabalhos notáveis do gênero western, ao qual era recorrente a sua atuação. Era Uma Vez na América foi o único trabalho grandioso não-western, centrando sua trama num contexto policial, de crimes e máfias.

Na obra em destaque, Três Homens em Conflito também marca um ator de gênero. Clint Eastwood lança-se nesta obra como um ícone, uma representação direta da imagem que transpiram os fora-da-lei, a qual sustenta até hoje (AKA Chuck Norris). Envolvendo estes grandiosos do cinema, há ainda a composição que Ennio Morricone realizou unicamente para este trabalho, assim como fez com outros longas de Leone e também em obras mais recentes, como Os Intocáveis e Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds, 2009).

Perfeitamente adequada, a trilha sonora composta por músicas como Ecstasy Of Gold, The Sundown, The Desert, Marcia, The Story Of a Soldier e The Ugly Main, transpõem o clima de disputa, de ódio e de vingança que os pistoleiros se inserem. Com todas as marcas do gêneros cultivadas, Três Homens em Conflito, torna-se desde então a obra clássica dos filmes da turma de pistoleiros. Filmado praticamente todo na Espanha (com somente algumas pequenas cenas na Itália), a fotografia é bem realizada e mostra o clima desértico, de calor insuportável, assim como a maquiagem, principalmente em cenas de queimadura facial.

Tratando-se da trama, que além do western central insiste consistentemente na comédia, destacam-se as grandiosas cenas sem diálogo. Leone investe em jogos de cena bem realizados para mostrar justamente as emoções mais afloridas dos personagens envolvidos em disputa e dominados por ódio e ganância. Com cortes rápidos e zoom olho-a-olho, é quase impossível não se envolver na batalha. A troca de olhares frios entre eles tenta transmitir a segurança que eles fingem possuir, e assemelham-se até com jogadas de pôquer. São estas as primeiras e últimas cenas utilizadas pelo diretor.

 

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O Bom, o Mau e o Feio a que o título se refere são uma analogia ao comportamento de cada um dos três personagens centrais da trama. Vivendo de modo muito arriscado para o sustento que conseguem, Loirinho, o bom (Clint Eastwood), Angel Eyes, o mau (Lee Van Cleef) e Tuco, o feio (Eli Wallach) descobrem a existência de uma cova num cemitério que contém 200 mil dólares perto de onde ocorre a guerra civil americana. Isto é o estopim para eles começarem a corrida do ouro. Entretanto, a interdependência que eles possuem causa uma situação controversa: o bom sabe onde fica a cova, e o feio, o cemitério. Num jogo de faz-de-conta, fingem-se ser confiáveis, amigos e capazes de dividir o tesouro, mas sabem que, no fundo, é cada um por si. As grandes interpretações cômicas de Tuco durante grande parte do filme com um humor espontâneo e não-gratuito garantem o sucesso de muitas cenas, a destacar-se as do deserto e da guerra.

Como um bom faroeste, há de haver um grandioso duelo final. Este desfecho resume com honestidade àquilo que se apresentou dos três pistoleiros. O Bom escreve o nome da cova numa pedra e eles iniciam a grandiosa cena final. Não é surpresa afirmar, contudo, que aquele que for melhor e matar os demais, ficará com o ouro. Ao fim, algumas situações são lembradas em decorrência das posturas antiéticas que tiveram durante as suas trajetórias. O longa fecha com chave de ouro (sem piadinha) a jornada que traduz em 160 minutos a busca incessante e cega por dinheiro de três homens que odeiam-se entre si, e querem que a recompensa venha também em ver o inimigo tombar ao chão.

 

Il buono, il brutto, il cattivo (Itália, Espanha e Alemanha Ocidental, 1966)

Diretor: Sergio Leone

Duração: 161 min

Definindo-o em uma palavra: Épico.

Nota: 10

4 Comentaram...

Nilto, o Junio disse...

"existem dois tipos de homens..." puta filme, puta trilha, puta merda, bom post

Alcofa disse...

Acompanho o NSN há muito tempo, abro ele semanalmente pq acho um dos blogs/sites mais inteligentes do Brasil. Nunca comentei. Até agora. Ver um texto tão bem escrito sobre meu filme preferido do gênero (e com certeza no meu top 5 pessoal de todos os tempos) me deixou contente pacas. parabéns pelo belo texto! Vc não citou o primeiro filme da trilogia dos dólares, Por um Punhado de Dólares, que é uma refilmagem no faroeste do clássico Yojimbo, do mestre Akira. Vale a assistida também. E deixo a dica: a livraria cultura lançou há pouco tempo atrás um box em DVD com os 3 filmes por módicos 60 reais. Grande abraço e mais uma vez, parabéns pelo texto!

@LucasRoberto12 disse...

Um dos melhores filmes que já assisti.
Merecidamente ganhou um 10 por vocês.
O que faz esse filme de ótimo para grandioso é a trilha sonora, ela valoriza todas a cenas.
O clima do duelo final foi construído graças a ela. Com encaixes perfeitos e tamanha personalidade que ao ouvirmos, mesmo que nunca assistiu esse filme, sabemos que se trata de velho-oeste.
Recomendado!

Anônimo disse...

10 é pouco pra este classicasso!!!

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