quinta-feira, 11 de novembro de 2010

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Fragmentos da História da Repressão Político-Estatal [Parte 2]

 

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[Parte 1 AQUI]

Nos séculos XX e XXI - vamos nos ater a eles - todas essas teorias sofreram uma série de misturas para a criação de versões inteiramente distintas do Estado. Talvez a maior vitória da mais conhecida e estabelecida de poder seja uma vitória psicológica, ao fazer bilhões de pessoas imaginarem que o Estado seja a única organização social eficiente. Com essa visão - chamada Relativismo Sociológico - se tirou o foco dos problemas do ângulo global para contextualiza-los para um ângulo individual e socialmente darwinista, e esse é o praxe hoje de quase todas as correntes de teorias sociológicas e psicológicas. Os homens que se sentiam incomodados com as sociedades formadas é que estão com o problema, já que não são fortes o bastante para se adaptar a ela, pregam os seguidores dessa linha de pensamento sociológico.

Derivados dessa visão, surgiram dois conceitos: a) Uma sociedade que em princípio funcionasse, seria saudável; b) As doenças psíquicas eram uma consequência de erros no indivíduo; os doentes psíquicos não teriam sido suficientemente capazes de se adaptar. Erich Fromm, psicanalista e filósofo alemão, descreve esse fenômeno como Humanismo Normativo, e se contrapõe a essa problemática individualizante, já que vê o Inconsciente como portador de necessidades psíquicas básicas, e uma constante repressão social colocaria os humanos em estado de doença psicológica. A ação predatória da classe dominante que controla os Estados é primariamente culpada pela contínua condição degradante da humanidade. É só observar todos os países, com estruturas de poder bastante parecidas - uma ditadura ou uma classe dominante no trono há bastante tempo - para observar problemas de saúde mental bastante análogos. Fromm chega a romper com Freud com relação ao superego - uma espécie de polícia psicológica de todo o ser humano - e propõe que a ação dele não seria básica da psique humana, mas sim derivada da ação de autoridades sociais, como políticos, família e religiões. Falhas humanas para ele, seriam quase sempre geradas pela ação cultural coletiva, geralmente através de repressão, e não por algum tipo de função psicológica inerente ao ser humano.

A espontaneidade, por exemplo, é largamente incentivada pela mídia e pelos empregos, e hoje é vista como um característica básica do ser humano. Os que não se encaixam nesse tipo de comportamento são excluídos, e pior: medicados com drogas recheadas de efeitos colaterais. Sabemos que muitas pessoas são introspectivas, reflexivas, e isso é inteiramente normal. Mas um misto de marketing e entrevistas com médicos subornados leva um sem-número de pessoas a crerem que estão doentes. A verdade é que grande parte das disfunções comportamentais "da moda" (Síndrome do Pânico, Hiperatividade ou até a Timidez “Aguda”), são efetivamente geradas pela indústria farmacêutica através de pesados financiamentos a classe médica, aliado a subornos a imprensa. Esses problemas existem, mas têm seus sintomas largamente ampliados para tornarem-se lucrativos. E como todos os remédios são aprovados por comissões estatais, podemos sacar rapidamente uma forte conivência do Estado em esquemas como esses.

 

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Ademais, os verdadeiros remédios sociais para doenças psíquicas reais seriam amortizantes comunicativos, como os programas de televisão e grandes eventos esportivos, que serviriam como um "desvio de atenção e um muro anti-ataque de pânico global", além de servirem como fugas catárticas para impedir um acúmulo excessivo de desordens psíquicas. Remédios (drogas) comportamentais, um pouco de "pão e circo" são apenas ferramentas para diminuir certo número de bagunças do Estado, o verdadeiro controle social é exercido pelos núcleos familiares, segundo as mesmas teorias de Fromm. Valores distorcidos - às vezes religiosos - e repressão geralmente são exercidos primeiro dentro das famílias, que preparam indivíduos ainda crianças para viverem sob contínuo peso da autoridade social. Desde cedo se aprende valores essenciais para a vida dentro de cidades, como ordem e pontualidade, através de pais que carregam neles os chamados "fatores sociais" mais bem aceitos em cada país. A família seria então a melhor forma de perpetuar a existência da sociedade, o que acontece de forma bastante eficiente. Escolas, geralmente pertencentes ao governo ou a grupos econômicos fortes, cumprem papel parecido: doutrinação e imposição de normas.

 

Além dessa forma mecânica de manter uma população arrebanhada através de núcleos familiares horizontais e geralmente repressivos, os próprios caminhos dito democráticos de chegada ao poder são construídos de forma a perpetuar a atuação de apenas um grupo econômico no cenário político. Campanhas dependem de altos investimentos financeiros para serem bem sucedidas e por isso fazem uso de doações e financiamentos da iniciativa privada. Os candidatos vencedores se acham atrelados a essas empresas comandadas por grupos pequenos após vencerem, além de herdarem um sem-número de dívidas e contratos do governo anterior. É natural que empresas queiram benefícios para compensar seus investimentos - sim, investimentos, não doações - nos candidatos. Sem esse tipo de ajuda financeira da iniciativa privada um político não vai muito longe. Talvez vereador, deputado estadual... daí não passa sem enfiar o pé na lama. Quando não se aliam a empresas, os políticos fazem pior: se aliam a criminalidade. Coisa parecida acontece nas empresas de mídia, igualmente dependentes de dinheiro externo, às vezes das mesmas empresas que são denunciadas por elas.

Para ilustrar bem esse fenômeno, usemos como exemplo a situação política do Rio de Janeiro exposta em Tropa de Elite 2, que é uma representação de uma situação recente vivida pelo governo da cidade. Em 2006, o governo do estado do Rio começou a aumentar de forma exponencial a repressão nas favelas, apoiado por tropas especialmente treinadas em guerra urbana - os combatentes do BOPE são considerados os melhores soldados nesse estilo de guerra no mundo inteiro. Os resultados logo apareceram: toda a Zona Oeste foi praticamente limpa do tráfico de drogas em um período de cinco meses. Vários comandantes policiais corruptos ficaram sem seu rendimento extra na casa das dezenas de milhares de reais, e resolveram tomar medidas para recupera-los. O resultado foi o fortalecimento de milícias formadas por policiais militares - ativos e reformados -, bombeiros e ex-traficantes. Em dezembro de 2006, cerca de 92 das mais de 500 favelas do Rio eram comandadas por milícias. Parecia ótimo para expor em notícias e trazer fortes dividendos políticos. Na capa noticiosa, eram grupos do Estado defendendo comunidades pobres da ação de traficantes cruéis. O governo carioca gostou e deixou as milícias cresceram num tamanho assustador. Vários grupos de mídia, pessoas dessas comunidades e até o prefeito César Maia, deram apoio a ação das milícias. Logo a verdade começou a aparecer, e as milícias se mostraram versões brasileiras das máfias italianas, cobrando pagamentos semanais em troca de proteção e serviços pirateados - como TV a cabo e internet. Quem não pagava, morria de forma tão cruel quanto as execuções dos traficantes. Os políticos no poder usaram as comunidades "libertas" pelas milícias como feudos eleitorais, trazendo de volta o conhecido voto do cabresto. Em 2008 foi aberta a CPI das Milícias, que em seu relatório final apontou 226 políticos envolvidos com elas, pedindo indiciamento de todos eles, incluindo Álvaro Lins, ex-Chefe da Polícia Civil do Rio, nomeado por Garotinho.

 

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Esse é um caso extremo - porém comum, mesmo em países ditos desenvolvidos - em que o Estado acaba efetivamente se tornando o mal que ele diz combater. E essa escalada de crime dentro das estruturas governamentais só é possível graças a sistemas políticos falhos e pouco efeitos a fiscalizações, além de extremamente dependentes de investimentos particulares. O próprio princípio da necessidade de repressão por parte do Estado para garantir a ordem terminou por induzir uma situação extremamente desconcertante e particular na Rússia, por exemplo.

No país existem cerca de 30 grupos armados dedicados a garantir a Segurança do Estado - o KGB, hoje FSB, é só o mais famosos deles - e com o fim da União Soviética o governo taxado de democrático e não-autoritário tomou uma atitude louvada por liberais anti-comunistas: pulverizou esses serviços em vários outros grupos separados e os colocou sob a tutela de uma comissão governamental (a Comissão de Atividades de Segurança), que seria fiscalizada por uma outra comissão (a Comissão de Controle das Atividades de Segurança), formada por deputados da Duma eleitos pelo povo. Parecia o fim dos mandos e desmandos dos integrantes da(s) polícia(s) secreta(s) russas… mas a realidade se mostrou extremamente contraditória ao objetivo de Boris Yeltsin, presidente russo na época, e sua gangue.

Na prática, a Comissão de Atividades de Segurança, livre do forte controle do Partido Comunista que existia na era soviética se tornou toda-poderosa, chantageando deputados - e a própria família do presidente -, realizando atentados e mandando fuzilar administradores que os desagradassem, situação mais ou menos parecida a da época do Terror Stalinista, quando a polícia secreta era comandada por Yezhov e depois por Beria (ambos acabaram vítimas do terror, violentamente fuzilados sob ordens dos chefes supremos do Estado soviético). Mas dessa vez eles foram um pouco além e efetivamente se tornaram o crime na Rússia, fazendo nascer a temida Máfia Russa, comandada pelos próprios serviços secretos. Claro que nem todas as atividades mafiosas são controladas pelo FSB e similares, mas boa parte deles sim (como atesta o caso do poderoso grupo criminoso dos Irmãos Alexander e Serguei Larionov). A Comissão de Atividades de Segurança, em maior ou menor grau, controla quase todos os 100 mil mafiosos russos (números levantados pelo próprio serviço secreto), cerca de 40% de toda a riqueza russa, além de estar envolvido em tráfico internacional de armas e entorpecentes. Em suma, é um Estado dentro de outro, com poder de arrancar dinheiro de oligarcas russos (como Boris Berezovsky) e influenciar pesadamente a vida política do país. Em 31 de dezembro de 1999, esse grupo atingiu seu objetivo: colocou um dos seus chefes - Vladimir Putin - no cargo de presidente. O círculo de poder que ele instaurou continua no controle total até hoje.

 

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Esses dois casos servem para mostrar como as estruturas internas de um Estado - mesmo nominalmente democrático, com gente eleita pelo povo - podem favorecer o aparecimento de grupos repressores que só não são taxados de criminosos por estarem acima da lei. No âmbito internacional, das relações externas entre Estados, tais situações se repetem com frequência, quando os fortes fazem questão de massacrar os Estados mais fracos, visando que uma ideologia contrária a deles seja propagada e sirva como exemplo para outros. Essa situação ficou patente nos mais de 40 anos de Guerra Fria. A polarização extrema desse período só serviu para para mostrar como a ganância de poder dos Estados pode trazer ao mundo consequências drásticas, principalmente em mortes de vida humanas. Houve também uma cristalização de teorias políticas polarizadas: só o Socialismo e o Capitalismo eram teorias válidas, sendo todas as outras alternativas automaticamente espúrias. Mas uma simples observação do comportamento dos Estados-leme das duas idéias políticas leva a clara conclusão de que os métodos deles eram bastante parecidos, somente a casca e a bandeira eram conflitantes. Da mesma forma que a União Soviética patrocinou ditaduras na Alemanha Oriental, Romênia, Hungria e Tcheco-Eslováquia, os EUA fizeram o mesmo na Argentina, no Chile, no Brasil e em vários outros países. Cuba é um exemplo de como essa bipolarização estatal pode causar danos irreparáveis. Fidel Castro, apesar de ser amigo de Che Guevara, nunca foi totalmente comunista nem tinha a intenção de se alinhar com o governo soviético. Mas após a expulsão de Fulgêncio Batista do país, os EUA começaram um embargo ao país, e Castro se viu obrigado a se pedir  ajuda à URSS, e o resto da história todos conhecem.

Tal polaridade permanece bem presente até hoje. Muitos apóiam incondicionalmente o Capitalismo por um expresso "medo de uma nova ascensão comunista". Parece uma medida acertada, principalmente se lembrarmos como os países ditos comunistas tratavam seus opositores. Mas esse tipo de ferrenho posicionamento ideológico leva a seu seguidor relevar, esquecer, ou mesmo nem perceber abusos graves de países Capitalistas com relação a direitos humanos, por exemplo. A Ameaça Vermelha faz os que estão borrados de medo dela apoiarem um país tão ruim quanto a União Soviética, principalmente no período pós-Guerra Fria. Ainda durante o embate ideológico entre as superpotências, um sem-número de violações contra milhões de pessoas foi ignorado. Conhecemos os mais clássicos: Vietnã, Afeganistão, ditaduras da América Latina, entre vários outros. Crimes que ficaram sem qualquer penalização para os verdadeiros responsáveis por eles: os Estados superpoderosos e acima de qualquer lei. Olhemos o caso da Nicarágua, para abordarmos melhor o conceito.

Na década de 80, Reagan decidiu iniciar uma cruzada contra o terrorismo internacional (cruzada que teria uma nova encarnação ainda mais cruel em períodos recentes, como falarei mais a frente), e colocou os olhos na Nicarágua. Era um alvo fácil, tava ali perto e nem exigiria muito. É o tipo de medida fácil para aumentar a popularidade. O país havia acabado de passar por uma revolução política interna que tirou do poder a ditadura da família Somoza após 40 anos de atrocidades. Durante essas quatro décadas de terror, os EUA jamais interviram ou planejaram resolver a situação anti-democrática nicaraguense. Em 1979, a guerrilha sandinista toma o poder no país e começa uma política mais igualitária no país: expropriaram terras de latifundiários e as distribuíram para os camponeses, tomaram a indústria das mãos de estrangeiros - que as haviam adquirido através de subornos ao governo de Somoza - e as submeteram ao planejamento estatal. Os 40 anos de Somoza não pareceram terrorismo para os EUA, mas o governo sandinista sim, e por isso o governo Reagan apoiou uma guerrilha anti-sandinista conhecida como Contras. E aí um escândalo estourou…

 

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O governo americano logo achou um bode expiatório para entregar ao mundo: o coronel Oliver North - que já tinha uma condenação por tráfico de drogas para diversos países da América Central com a ajuda da CIA. As acusações contra ele foram posteriormente retiradas, o que mais uma vez demonstra como o sentido de Justiça só serve para os que são inúteis para as forças estatais. Na Nicarágua, foram dois anos de guerra civil entre a Frente Sandinista de Libertação Nacional e os Contras, apoiados pelos EUA e baseados em Honduras. Em 1986, a corrupção envolvida na ajuda aos Contras ficou tão descarada que o caso Irã-Contras explodiu, revelando uma nefasta conexão entre a venda de armas contrabandeadas ao Irã, e o dinheiro fruto dessa venda indo para apoiar os Contras. Na visão americana, isso era a Liberdade, isso era levar a Paz, o que fizeram logo depois de acusar o governo sandinista de receber apoio de Cuba e da URSS (o que jamais foi efetivamente provado). Mas os EUA esqueceram de observar que o regime político sandinista estava muito mais aproximado da democracia ocidental do que do comunismo soviético: o pluripartidarismo foi preservado, assim como a propriedade privada e as eleições diretas.

A Nicarágua não tinha como responder militarmente a esses ataques americanos, que deram prejuízo material de cerca de 17 bilhões de dólares e vitimaram cerca de 38 mil pessoas. Eles foram aos organismos internacionais que poderiam ajuda-los, e apresentaram seu caso na Corte Mundial, que aceitou o caso perante as evidências e condenou os EUA por "uso exacerbado e ilegal de força" - um eufemismo para terrorismo internacional. O que fez os EUA, amantes da liberdade e da democracia? Não reconheceram a sentença e disseram que o caso não era competência da Corte Mundial. O governo da Nicarágua não desistiu e levou o caso ao Conselho de Segurança, que decidiu em favor do país... com exceção de um veto dos EUA. A saída foi levar para a aprovação da Assembléia Geral, onde eles conseguiram uma nova vitória... que foi vetada pelos EUA, Israel e El Salvador. Os caminhos da justiça se esgotaram para a Nicarágua, e os EUA haviam sido condenados por terrorismo em todas as instâncias possíveis e vetado todas as decisões. Investigações posteriores ainda revelaram que os americanos davam ordens para os Contras atacarem alvos civis para espalhar "terror psicológico" (palavras do relatório americano enviado aos Contras). E boa parte da mídia americana, como reagiu ao terrorismo praticado pelo seu governo? Comemorou! Sim, elogiou os métodos adotados e louvou como os EUA asseguraram a vitória da democracia. A revista Time gostou bastante da forma como os EUA se esforçaram "para acabar com a economia e posicionar-se contra uma guerra longa e mortal que duraria até que os nativos tirassem o governo do poder pelas próprias mãos". O New York Times foi ainda mais cínico e publicou uma matéria de capa intitulada "Unidos na Alegria". A mídia ainda fez pior e condenou veementemente todos os esforços do exército da Nicarágua de se defender, atingindo diretamente a soberania do país.

 

 

"Ahh, mas isso era nos tempos da Guerra Fria, onde todos os países estavam no limite, inclusive os EUA", pode pensar uma pessoa mais resistente a mudanças no modelo estatal de administração. Bom, após a dissolução da União Soviética e a vitória na Guerra do Golfo, os EUA se tornaram a maior e única superpotência do mundo - mesmo não sendo grande o suficiente para dominar o planeta por completo. Então, se os EUA eram defensores da democracia, seria no período pós-Guerra Fria que poderiam demonstrar essa inclinação. Cerca de 10 anos depois um superevento envolvendo o país mais poderoso do mundo nos demonstrou o quão amante da paz e da democracia ele era, além de nos dizer bastante sobre o funcionamento de relações entre Estados. No dia 11 de setembro de 2001, dois aviões se chocaram contra dois dois edifícios comerciais mais importantes do planeta, no que foi classificado como o maior ataque terrorista da história (isso se excluirmos o terrorismo estatal, como duas bombas atômicas, por exemplo), com 2.993 mortos.

O ataque em si foi significativo, e mesmo com sua ampla magnitude ensinou mais ao mundo nos desdobramentos posteriores a ele. Pela primeira vez desde seus embates com a Inglaterra no século XIX, os EUA não eram atacados diretamente em seu próprio território, e os que perpetuaram o 11/9 trataram de mudar isso. Logicamente que tal evento não foi isolado, seria quase estúpido pensar que um ricão numa montanha simplesmente teve a idéia de chamar uns terroristas, e manda-los para os EUA explodirem uns prédios. Quem desenvolve esse tipo de pensamento simplista talvez tenha um desejo gigantesco de ver o mundo num ângulo bidimensional e maniqueísta, colocando os maus e os bons separados. A bem da verdade, é mentalmente reconfortante olhar a questão assim, de um ângulo individualista: um cara meio insano, com uma ideologia fundamentalista não gosta do modelo democrático e financeiro do Ocidente - na verdade tem inveja dele - e decide tocar o terror. Assunto encerrado… e que comecem as perseguições!

Analisando um pouco a história é relativamente fácil chegar às raízes (mesmo que de modo ainda superficial) de como Osama Bin Laden - o homem apontado como autor dos atentados - pôde perpetrar tais atos, e eles também nos revelam um pouco mais da mentalidade estatal, principalmente americana. Em primeiro lugar é interessante observar a Guerra contra o Terror decorrente dos atentados do 11/9 (não vou me ater a Teorias da Conspiração quanto aos autores do ato aqui, nesse texto aceitarei integralmente que foi Bin Laden e a Al-Qaeda que arquitetaram os atentados). O próprio inimigo Terror é perfeito... não tem rosto, não tem uniforme e o termo pode ser aplicado a um sem-número de organizações. Terror/Terrorismo é um arquétipo psicológico poderoso, pois envolve algo desconhecido, oculto e nominalmente amedrontador. A simples menção do termo e a rotulação de um grupo com esse nome faz a maioria da população ir contra ele, mesmo que efetivamente não exista nada de concreto pra provar isso - o rótulo "Dilma terrorista", já devidamente retirado após a vitória dela, nessas eleições mostrou bem isso, um monte de gente fisgou a história sem pestanejar.

 

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Terrorismo é a contraposição perfeita de um espírito nacionalista culturalmente inconsciente que existe na maioria das populações, é só inflama-lo da forma correta que uma espécie de senso primata de defesa territorial é ativado. É só apontar o inimigo, lançar o osso, que todos vão atrás.

Como exemplo: Stalin, na II Guerra Mundial, quando viu que os russos não defenderiam o governo dele e os próprios militares estava se entregando aos milhões, não apelou para o comunismo, governo de trabalhadores ou mesmo ao líder Lênin... mas sim a Pátria, a Mãe Rússia. E todos sabem como funcionou perfeitamente, e a Alemanha foi vencida violentamente. Mas os nazistas não eram terroristas, eram um inimigo com características bem demarcadas e até previsíveis. Já os terroristas podem estar em qualquer lugar, não tem sede, uniforme ou coisa parecida, e por isso a guerra contra eles pode ser eterna, e os EUA se esforçam ao máximo para tornar isso prático e vantajoso. Para colocar a população americana "no clima", eles utilizam o nacionalismo/patriotismo, que nada mais é do que uma chave psicológica que ativa conceitos comportamentais retrógrados, primatas. E esses conceitos, por serem extremamente antigos e ainda arraigados na psique humana, se sobrepõe a coisas como direitos civis, sistemas de justiça e outras coisas absolutamente mutáveis e que vieram com a cultura e convivência social. Também é maior que a própria razão. Imagine situação: um brasileiro é surrado no Irã; e com muita probabilidade, antes mesmo de sabermos os possíveis motivos que podem ter levado a isso (não que esses motivos necessariamente justifiquem o espancamento), vamos interpretar essa atitude como uma afronta a todos os brasileiros. Esse tipo de chave psicológica primitiva é largamente usada por Estados para que toda uma população aja de acordo com os interesses dele. Quer um exemplo histórico? Pesquise sobre a Guerra da orelha de Jenkins.

O que muitos parecem não entender é que o terrorismo radical islâmico não existe de fato, ele é uma criação americana que saiu de controle. No fim da década de 80 - Anos Reagan de novo, o início da escrotização que o século XXI herdou foi nessa época, talvez numa intensidade maior que a Era Nixon - os EUA viram a oportunidade de dar à União Soviética uma guerra desgastante como foi o Vietnã para eles. A tática foi simples e envolveu financiar e treinar guerrilheiros islâmicos para desestabilizarem o governo do Afeganistão, que era comandado pelos soviéticos. O governo americano investiu cerca de US$ 3 bilhões de dólares para criar o que ficou conhecido como exército mujahedeen. O dinheiro para financiar essas operações é o que os serviços secretos classificam como "sujo", pois teve origem no tráfico internacional de heroína. Cerca de 35 mil mujahedeens lutaram no Afeganistão na guerra que se iniciou contra os soviéticos, e outros 100 mil foram treinados - boa parte deles vindos de outros países islâmicos, que recebiam propaganda americana para se alistarem e lutarem contra o "grande demônio anti-islâmico".

Segundo Milton Bearden, chefe do escritório da CIA no Paquistão de 1986 a 1989, esses estrangeiros traziam cerca de US$ 300 milhões de financiamento a guerra anualmente, o que contribuiu para o crescimento de redes secretas de radicais, que se tornaram ricas e independentes financeiramente. Após o fim da campanha soviética - e da própria URSS - no Afeganistão, os guerrilheiros foram abandonados, eles não eram mais necessários aos interesses norte-americanos. Os mujahedeens usaram a chegada de mais de meio milhão de soldados americanos a Arábia Saudita - o país mais sagrado do islamismo, que tem uma família de monarcas bastante obedientes aos EUA no poder - na época da Guerra do Golfo como estopim para alimentarem o ódio contra os americanos. Bin Laden, filho de um iemenita que se tornou bilionário, na época era só um tesoureiro dos guerrilheiros, até se utilizar de diversas táticas de guerra eficientes, e virar herói logo depois de ser expulso da Arábia Saudita - e usar o treino que recebeu da CIA para preparar atentados contra os EUA. Claro, existem teorias que dizem (com bastante lógicas e razoavelmente embasadas) que setores do governo americano de fato ajudaram a Al-Qaeda a atacar os EUA - principalmente se focarmos as relações dos Bush com os Bin Laden e os Saudi (príncipes da Arábia Saudita), num longo jogo de troca de armas por petróleo -, mas não entrarei nesse assunto, isso exigiria outro texto, com muita especulação.

 

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Então, o 11/9 deveria ser encarado, no mínimo, como uma consequência de ações mal fadadas e criminosas dos próprios Estados Unidos. Mas os americanos foram além e usaram o nascido terror internacional - criado por eles - para espalhar suas forças multinacionais no Afeganistão, pilharem o país e iniciarem um genocídio. Uma das primeiras medidas da diplomacia americana assim que entraram no Afeganistão foi iniciar uma guerra biológica subjetiva, mandando o Paquistão impedir que toda a ajuda da ONU e de todas as instituições humanitárias entrassem no país - mesmo sabendo que de 7 a 8 milhões de afegãos dependiam dela. No final de outubro, o governo Taliban fez uma proposta: entregaremos Bin Laden como um prisioneiro, se for apresentada alguma evidência que ele é culpado e se as tropas americanas sairão do país imediatamente (admitamos que são propostas bem razoáveis). Um assunto tão importante como esse apareceu apenas em uma pequena nota de página escondida no Boston Globe, sendo completamente rejeitada nos outros grandes jornais americanos. Unindo o modo como os EUA solaparam a entrada de comida para civis afegãos feita pela ONU e rejeitaram qualquer proposta para não iniciar a guerra, podemos entender quem talvez representa o terrorismo internacional - e mata vidas inocentes com objetivos político-econômicos. Se formos analisar o modo como os EUA agiram no Iraque (e planejam agir no Irã), chegaremos a conclusões bastante análogas: financiam alguém que esteja disposto a derrubar um governo que os esteja incomodando, abandonam esse alguém, que depois se volta contra ele. É o que a CIA chama de Efeito Bumerangue, bastante comum no século XX, devido a essa política externa predatória dos EUA.

Mas os EUA não usaram o terrorismo somente para iniciar uma campanha de massacres contra populações civis, mas começaram um cerco interno baseado em leis que em outros tempos jamais seriam aprovadas. Foi mais ou menos a tática stalinista para fazer seu regime sobreviver aos tormentos da guerra: criar uma poderosa máquina repressora para matar inimigos internos enquanto destruía os externos. Em meados de 1941 (oficialmente em 1943), Stalin deu plenos poderes ao III Departamento da GRU (serviço secreto do Exército), responsável pela contra-inteligência, para que caçasse inimigos do Estado. O nome do novo serviço era SMERSH (SMERt SHpionam, Morte aos Espiões). A função da SMERSH era identificar e matar "traidores da pátria" e espiões estrangeiros. Como eram tempos de guerra, com o país a beira de um colapso, o golpe foi especialmente violento. Qualquer um que falasse com um alemão era morto, além de existirem unidades do serviço em cada quarteirão, subornando pessoas para que testemunhassem contra seus próprios vizinhos.

Dentro do Exército Vermelho, o SMERSH criou um mecanismo de fazer salsichas: os Batalhões Penais. Os Batalhões Penais eram simples: uma companhia da guarda e comando, com soldados e sargentos que recebiam quatro vezes mais o salário normal, além de serem selecionados pela raiva e fanatismo na defesa ao regime soviético; o restante era composto por três companhias recheadas de traidores selecionados pelo SMERSH. A companhia de comando ficava na retaguarda, apontando suas armas para os traidores. As três companhias de traidores tinham duas opções: tentar fugir e ser metralhados pelos guardas, ou atacar com todas as forças os soldados inimigos e serem poupados. Eles eram covardes, mas não suicidas, por isso os ataques dos Batalhões Penais eram especialmente violentos e altamente eficientes - a política de terror de Hitler para com a população também ajudava muito. Se um condenado por traição sobrevivesse a 10 ataques com batalhões penais, ele era liberto - segundo estatísticas dos militares russos, essa taxa de sobrevivência foi de cerca de 0,8%. O mesmo sistema funcionava na Força Aérea. Nessa época, os bombardeiros contavam com metralhadores que ficavam na parte traseira dos aviões para atacar os aviões inimigos. Era ali que os traidores eram colocados. Naturalmente, por garantia, os metralhadores-traidores eram presos na cadeira e, ao contrário dos pilotos, não recebiam pára-quedas. Ou seja: o destino dele dependia da vitória dos aviões soviéticos. O prêmio era o mesmo: cada vôo era menos um ano de pena, e como as penas-padrão eram de 10 anos, 10 vôos e a liberdade chegava. Fora isso, a SMERSH espalha o terror nos batalhões regulares das forças armadas, procurando desertores, espiões, ou alguém que cochichasse falando mal de Stalin. Além, é claro, de aproveitar do próprio poder para roubar dinheiro, mulheres e tudo que estivesse a mão.

 

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Claro que mais uma vez, esse é um caso extremo, de tempos de guerra, mas algo análogo tomou forma nos EUA. O nome do SMERSH americano se chama Departamento de Segurança Interna, que atua em conjunto com agências especiais americanas, como a CIA, NSA, FBI, Departamento de Justiça e outras. Apenas 45 dias depois do 11 de setembro, o presidente George Bush envia ao Congresso Americano a Lei Patriota, e a presidência do Legislativo americano impediu e brecou qualquer tentativa de debate por parte dos congressistas - além de só permitir discursos do tipo "Ou está conosco ou contra nós" - e a lei terminou aprovada no Senado por 96 a 1. John Ashcroft, que na época era Secretário de Justiça dos EUA, deu a seguinte declaração ao Comitê Judiciário do Senado: "Para aqueles que assustam as pessoas amantes da paz com fantasmas de perda de liberdade, minha mensagem é a seguinte: suas táticas ajudam apenas os terroristas, pois estes corroem nossa unidade nacional e diminuem nossa resolução. Eles dão munição aos inimigos dos EUA e causam hesitações entre os amigos". O sentido da declaração é claro: ou você aceita a Lei Patriota, ou é um terrorista, não existe meio termo. Não vou me ater aqui a examinar minuciosamente a Lei Patriota, mas basta dizer que ela elimina a necessidade de provas ou mandados judiciais para fazer escutas, buscas e apreensões, investigações secretas. Além disso tornava os imigrantes inimigos em potencial e dava o direito do governo prender um não-cidadão por até seis meses sem qualquer interferência judicial. Ou ainda dá ao presidente dos EUA o direito de declarar qualquer cidadão (sim, cidadão) americano um "combatente inimigo", podendo, em caso de falta de provas, manda-lo para o limbo de Guantánamo por tempo indefinido. Lindo, não? Essa lei foi aprovada definitivamente em 2006, e sinceramente não sei se Barack Obama mandou mexer em algum conteúdo dela, mas creio que não.

"Mas isto está afetando somente uma penca de imigrantes que estão nos EUA como ilegais, gente de bem não é afetada", podem pensar alguns. Ledo engano, a sanha de perseguição das autoridades dos EUA vão atrás de todos, a não ser eles próprios, os verdadeiros terroristas. Um dos terroristas que controlavam os aviões que se chocaram nas torres tinha visto de estudante - embora nunca tenha pisado numa instituição educacional - e o Departamento de Justiça achou por bem controlar rigorosamente os estudantes estrangeiros. Não estamos falando de centenas de estudantes, mas de centenas de milhares de estudantes estrangeiros. Somente no período 2002-2003, 586 mil estrangeiros entraram nos EUA para estudar, e eles representam o futuro dos avanços científicos americanos. Cerca de 41% dos graduados em engenharia nos EUA não são americanos, assim como 39% dos formados em matemática e todos os cursos ligados a computação. Um terço de todos os ganhadores do prêmio Nobel pelos EUA não nasceram em solo americano.

São números bem sólidos que expõe uma aparente verdade: sem os estrangeiros os EUA provavelmente não teriam metade dos avanços tecnológicos que possuem - inclua na conta aí também que os estrangeiros contribuem com o sistema educacional, ajudando a formar novos cientistas. Mesmo com esses dados à favor dos estudantes, o governo viu no corpo estudantil um bom lugar para reprimir, e criou o Sistema de Informação de Estudantes e Visitantes Estrangeiros (SEVIS), ligado ao Departamento de Segurança Interna. As universidades devem manter dados extremamente minuciosos sobre cada estrangeiro que ingresse em algum curso. Onde eles moram, o que estudam, com quem conversam, quais matérias têm dificuldades, fraternidades ou grupos que pertencem. Um mínimo erro - como uma rasura - pode mandar o estudante de volta para o país de origem.

Yashar Zendehel, um iraniano estudante de economia da Universidade do Colorado, foi preso e quase deportado em 2002 por... ter créditos universitários insuficientes. Estabeleceram uma fiança de US$ 5 mil, mas por estar sem dinheiro no momento dormiu na cadeia e precisou da intervenção da faculdade para sair. Nessa mesma leva, outros cinco estudantes foram presos em Colorado por créditos insuficientes, o que mostra o espírito paranóico pós-11/9. Cerca de cinco mil estrangeiros foram presos nos EUA de 10/2001-10/2003 dentro do guarda-chuva da Lei Patriótica; de todos esses, só três foram acusados de terrorismo; dois foram inocentados, e o terceiro foi liberto depois de ter o recurso julgado. Em outras palavras: a Lei Patriótica, em seus dois primeiros anos, não serviu pra absolutamente NADA, apertar as leis não teve utilidade que o governo esperava, pois nenhum terrorista foi detido - provavelmente porque não existem.

 

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Prisão para imigrantes em Michigan

Nem estrangeiros convidados a visitar os EUA escapam da insanidade do governo. Eugene Angelopoulos, professor da Universidade Técnica Nacional de Atenas, foi chamado pela Universidade de Nova York para uma conferência de filosofia em meados de 2003. Sem problemas... só que, Angelopoulos, assim que chegou ao aeroporto, foi algemado e preso, levado para o escritório do FBI. Lá ele ficou preso por cinco horas, sem saber porque ou quando seria solto. Depois um agente entrou na sala e perguntou: "O senhor é contra a guerra [do Iraque]?" "Por isso que me algemou?" "Responda a pergunta" "Sim, sou..." "O senhor é antiamericano?" "O QUE??? Eu sou contra a guerra. Isso é ser antiamericano?". O agente mandou anotar e fez uma série de perguntas a Angelopoulos sobre um possível envolvimento dele com um grupo terrorista. Ele foi liberado depois de uns minutos de conversa, mas somente após concordar com uma segunda entrevista. Ele iria pra conferência àquela noite, mas reescreveria o texto de seu discurso pra refletir sobre a situação que acabara de passar. No dia seguinte ele iria embora do país sem comparecer à segunda entrevista, e sob proteção do cônsul-geral da Grécia. Esses são só exemplos do espírito de paranóia que um Estado impõe a sua população com o intuito de adquirir mais poder.

Em 21 de dezembro de 2002, o governo americano anunciou que todos os imigrantes acima de 16 anos de 25 países árabes e predominantemente muçulmanos deveriam se registrar. Era gente vinda - às vezes fugida - da Líbia, Irã, Iraque, Sudão e Síria. Parecia ser simplesmente um ato do burocrático do Departamento de Imigração, mas a realidade foi outra. Em Los Angeles, por exemplo, as algemas para prender esses imigrantes acabaram. Para maximizar o efeito terror da ação, as autoridades transportaram vários presos do local onde moravam, levando milhares de parentes a não saber onde estavam seus familiares. Dos mais de 85 mil que voluntariamente se registraram no programa dos EUA nos dois anos que ele funcionou, cerca de um quinto entrou direto no estado de deportação. Nos primeiros 10 meses do funcionamento do programa, algo em torno de 15 mil, somente entre imigrantes paquistaneses, tentaram fugir dos EUA, indo pro Canadá, Europa ou mesmo Afeganistão... mas foram devolvidos em pontes aéreas pagas pelo governo americano.

Uma história específica mostra bem como um clima pior foi instaurado, se transformado em anti-islamismo nos EUA no pós-11/9. Mohammed Hamdani, um paquistanês de 23 anos, era um cadete da polícia e técnico de emergências médicas. No dia dos atentados foi ajudar as vítimas do World Trade Center. Mas ele não chegou a ser visto por lá, o que gerou uma onda paranóica absurda na imprensa americana. A família dele espalhou fotos o procurando, mas ficou horrorizada ao ler uma reportagem no New York Post com o seguinte título: Desaparecido... ou escondido? O mistério do cadete paquistanês da NYPD. A polícia foi na onda terrorista da matéria - deve-se ficar atento que não existiam provas de envolvimento dele em nada suspeito, eles basearam certas insinuações simplesmente no desaparecimento dele - e fez cercos a casa dos Hamdani, os interrogando ameaçadoramente. Dias depois, o DNA dele foi encontrado nos destroços das Torres... e o governo teve que pedir desculpas publicamente pelo ocorrido.

1 comentário

Marcelo disse...

"a política de terror de Hitler para com a população também ajudava muito."

acho que quis dizer Stalin em vez de Hitler...

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