sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Avatar FiliPêra

Vendas de games usados pode estar perto do fim nos EUA

 

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Tem momentos em que a gana de lucros de certas empresas passam dos limites. OK, dá trabalho fazer produtos de real qualidade, e é por isso que paga-se caros por eles. Combater a Pirataria e o Compartilhamento a gente entende (não concordo com o combate a segunda, mas entendo), mas combater ativamente a venda de jogos usados me parece ser o cúmulo do ódio aos próprios clientes. A EA e a UbiSoft são famosas por tomar medidas restritivas em seus games para impedir esse tipo de comércio alternativo. É jogo que só roda se tiver conectado a internet, jogo com limite de instalações, essas coisas. Me parece estranho esse tipo de atitude, já que a venda de games usados reforça o vínculo dos gamers com suas empresas favoritas, e ainda permite que jogadores com menos grana possuam um catálogo maior de jogos, e isso contribui para que ele compre mais no futuro, reforçando os laços entre eles, o que reforça o boca-a-boca, o marketing gratuito para as empresas.

Essa semana, uma decisão da Corte Americana parece indicar que o comércio de games usados pode estar judicialmente ameaçado. Timothy Vernor colocou uma cópia original e usada do AutoCAD no eBay. A cópia era completa, e ele deu a garantia que jamais a havia instalado em outra máquina. Normal, vemos isso todo o dia. Mas a Autodesk não gostou e entrou com um processo contra ele, pois entendeu que isso feria as normas de uso contidas no Contrato de Uso do Software. Basicamente, a licença do AutoCAD diz que o software é licenciado, e não vendido para o usuário. Em 2008 a justiça dos EUA havia emitido uma sentença favorável a Vernor, mas a Autodesk apelou e agora ganhou.

 

Obviamente que esse tipo de decisão pode abrir um precedente gigantesco pro mesmo tipo de aplicação para casos envolvendo processos contra gamers (e outros softwares, como ebooks), e dar fim a um gigantesco mercado de venda de jogos usados, o que me parece vergonhoso e absurdamente arbitrário. Não basta o preço caríssimo que se paga por um jogo novo, as produtoras querem que os transformemos em que depois que estivermos cheios de joga-los? Em pesos de papel? Porque vamos admitir, mesmo que aquele RPG excelente tenha 300 quests alternativas, chega uma hora que acaba, ou simplesmente cansa. E nada mais natural que troca-lo por outro, ou vendê-lo para adquirir um lançamento desejado. Mas corporações não parecem gostar que iniciativas dos usuários façam sucesso, e colocam seus tentáculos sobre todas as formas de comercialização, se apegando a modelos antigos e cada vez mais ultrapassados.

Mas o que me parece ainda mais burro é o fato das próprias produtoras não se aproveitarem desse mercado. Por que não dar descontos para quem levar um jogo usado na compra de um novo? Ou trocar esse jogos por itens em outros jogos, ou algum tipo de extra na internet (um item de valor físico sendo trocado por um de valor absoluto nulo me parece uma boa troca para a mentalidade gananciosa de uma produtora)? Os vários jogos adquiridos podem ser vendidos mais baratos em lojas destinadas exclusivamente pra isso, ou serem agrupados em pacotes e vendidos em coletâneas. Lógico que o boca-a-boca faria os games ruins encalharem, mas aí o problema é das produtoras que fazem jogos que não vendem.

 

Mas isso não acontecerá (se alguma produtora faz isso, coloque nos comentários)… exige trabalho, conversa direta com o público, e o modelo atual parece ser mais acertado para eles. Processar seus próprios compradores e fãs realmente me parece bem mais inteligente do adquirir games usados e revendê-los - ganhar duas vezes com um produto não é inteligente. Não para produtoras retrógradas.

Ao menos fico feliz que a Nintendo (e a Valve) não tenha aderido a esse tipo de idéia absurda. Comprei diversos dos meus games da empresa por meio do mercado de usados, e continuarei assim.

 

PS: Não tem lei que limita babaquice de corporação?!

PS 2: Será que a Ford, um dia, proibirá a venda de carros usados?

[Via Gamasutra]

7 Comentaram...

Under Son disse...

Tem jogo chamado AutoCAD???

E eu achando que o meu irmão estava se interessando por projetos de engenharia quando disse que ia instalar AutoCAD no computador dele...

Coringa disse...

Mas que coisa absurda!

Bom exemplo com o lance dos carros, já imaginou?

Enfim, isso não existe, vale até boicotar uma empresa que fizer algo do tipo.

disse...

Under Son

AutoCad é um software para auxiliar na criação de desenhos técnicos em 2D ou modelos em 3D relacionados a engenharia, arquitetura, design

Thiago Luiz disse...

há quem diga que quanto mais ricos ficamos, mais egoistas ficaremos

Under Son disse...

Eu sei, Dé. É que o autor começo e terminou o texto falando de games, aí "si confundi"... Mas já saquei a idéia. Ele fala do contexto dos softwares em geral. Valeu!

Marcelo disse...

O problema principal é a questão do "Mercado Livre".
Já ouviu falar de um documentário chamado "The Yes Men Fix The World"?
Ele fala sobre isso. Os empresários cada vez querem quebrar as barreiras e limites e só obterem cada vez mais lucro, sem terem nenhum bom senso e sem se importarem com as consequências para sociedade em geral.

Diego disse...

Excelente comparação com a venda de carros usados!
Ainda bem que colocou na última linha, senão eu pararia de ler ali pra comentar dizendo que apoio tua opinião! :D
Brincadeira, sempre curto os textos que vejo aqui, mesmo que entre esporadicamente, acabo lendo vários num dia ´so :)

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