quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Avatar Voz do Além

Zombieland

 

Zombieland-Poster

 

Regra de sobrevivência Nº 1: Tenha boa forma física
Regra de sobrevivência Nº 4: Não banque um herói
Regra de sobrevivência Nº 8: Arranje um parceiro "chutador de bundas"
Regra de sobrevivência Nº 21: Evite clubes de strip-tease

A moda em cima dos zumbis sempre me encheu o saco. É zumbi pra lá, zumbi pra cá, desfile de zumbis, Parada do Orgulho Zumbi, série da Marvel com zumbis. Simplesmente não tem como levar a sério essa pretensa seriedade em cima dos comedores de cérebro, e me desculpe dizer isso George Romero, até o Sr. perdeu a mão com seus filmes recentes. Filmes sérios com comedores de cérebro podem dar certo, claro, mas geralmente ficam aquém de pérolas divertidas e recheadas de elementos trash como é o caso de Zombieland.

Claro, temos filmaços de zumbi que não apelam para frases engraçadas e elementos de comédia das mais desavergonhadas, como é o caso do remake de Madrugada dos Mortos (versão Snyder, de 2004) e Extermínio, ambos excelentes filmes de ação, e com as críticas que os fãs pé-no-saco de filmes de zumbi exigem que tenham em filmes com seres que se arrastam e querem carne. Nos quadrinhos a mesma coisa… temos a porcaria de Marvel Zombies, mas existe The Walking Dead para mostrar que podem ser feitas coisas épicas com seres que se arrastam e só pensam em ser canibais. Talvez o grande problema dos filmes ruins de zumbis seja dar a eles o papel principal, e não aos humanos indo ao seu limite de existência, afinal, zumbis são somente zumbis, nada mais. Eles não constroem casas, não são inteligentes, não pensam em grupo… nada disso, só querem se saciar, soando como anti-humanos.

Então, antes de falar com alguma propriedade de filmes de zumbi, me pus a assistir os ditos melhores filmes do “gênero”, todos paridos por George Romero. Ao final da experiência (assisti A Noite dos Mortos-Vivos, Despertar dos Mortos, Dia dos Mortos e Terra dos Mortos) posso dizer que não entendi toda essa babação em cima desses filmes. São bons filmes (com exceção de Terra dos Mortos, que é uma das maiores porcarias que já vi), e tem lá as tão faladas críticas sociais, mas não entendo o que eles têm que leva certos fãs a dizerem Cara, você não entende NADA de filme de zumbi!, como se houvesse algum grande segredo ou mensagem escondida em filmes de zumbi.

Felizmente Zombieland consegue golpear essa pretensão e a onda atual de filmes de zumbi com força total, utilizando todos os clichês possíveis. E como ele consegue? Sem carregar a chatice de querer ser obra de arte (nem Romero tinha, caramba, mas os fãs insistem que tem que ser). Podem me chamar de raso até a minha oitava geração, mas o filme me divertiu a valer simplesmente por ser um festival de cenas esmaga-zumbis, tudo narrado e vivido por personagens interessantes e engraçados.

Na trama, que é mais como aqueles filmes em que nada acontece, como Confissões de uma Garota de Programa e Cinema, Aspirinas e Urubus, temos quatro personagens vagando pelos EUA em busca de alguma coisa (um quer bolinhos, outros um parque de diversões que conheceram na infância). O clima de diversão com certeza deixou todos os personagens à vontade, o que proporcionou uma série de gags e maneirismos únicos entre os atores. Começando pelo fortão meio chorão, Tallahassee (Woody Harrelson, que eu não via desde o clássico moderno Assassinos por Natureza), passando pela dupla de lindas mocinhas nervosas e golpistas, Wichita e Little Rock (Emma Stone, a ruivinha de Superbad e Abigail Breslin, a Miss Sunshine), e chegando no cara do filme, que é mais ou menos como nós nerds, e ainda por cima é o autor das regras lá de cima, Columbus (Jesse Eisenberg, de Adventureland).

 

zombieland1

E sobreviver em um ambiente infestado de zumbis é a única missão deles. E com esses personagens, as situações clichês surgem, mas o filme passa incólume por elas. Sim, o longa é recheado de coisas previsíveis, como uma paixão entre Columbus e Wichita, um pouco do passado de Tallahassee ser revelado - e descontruir a imagem de durão dele - e a velha explicação da doença que infestou toda a população e só sobraram os protagonistas (ao menos não é só um protagonista, como no chatíssimo Eu sou a Lenda).

Logo de cara você é agarrado pelo tão pisoteado estilo MTV de fazer filmes, com cortes rápidos, cenas aceleradas se mesclando com cenas em câmera lenta… com Columbus recitando as suas regras de sobrevivência e fugindo de uma horda de zumbis malucos. Parece que vai ser a jornada solitária de um nerd no meio da porcaria de um país devastado por devoradores de cérebro, mas logo surge Tallahassee e manda tudo para o inferno. Desse momento para frente o filme mostra a que veio, com cabeças de zumbi decepadas, explodidas, esganadas, fritadas e toda a sorte de métodos de destruição que você pode imaginar.

O filme ainda coloca referências a outros filmes de zumbi, e ao cinema, principalmente quando os protagonistas vão tirar uma merecida soneca em Hollywood e param na casa de Bill Murray… que está vivo e se disfarça de zumbi para viver. Todos os momentos com ele são impagáveis, assim como as zuações com os gordos.

Fotograficamente o filme é perfeito, embora nada evolucionário, com exceção de algumas cenas de combate intensas com zumbis no clímax que rola num parque de diversões (a cena de Tallahassee numa cabina rodeada de mortos-vivos tocando o terror com duas pistolas enquanto rola uma música trágica é sensacional). O roteiro, mesmo apoiado no que muitos cinéfilos chamam de muleta - a narração em off, não reserva nenhum momento chato, ou perde tempo com diálogos que não chegam a lugar nenhum. É tudo um emaranhado de cenas de ação e comédias sem qualquer pretensão, e por isso mesmo é bom.

 

img_zombieland_1206_1

ZOMBIELAND

Mas como disse, o filme não deve agradar todos. Têm chatos que acham que zumbis só podem estar em filmes de George Romero, ou devem ser “inteligentes”, ou críticos do sistema vigente. Não é o caso aqui, pois Zombieland não passa de uma comédia com elementos de ação e terror. Se não é o bastante para você, espere o próximo Alguma Coisa Dead

 

Zombieland (EUA, 2009)

Diretor: Ruben Fleischer

Duração: 87 min

Nota: 8,5

12 Comentaram...

Kdu Monteiro disse...

realmente esse tema é bem contraditório, eu particularmente sou um fã do genero, mas tentando explicar o fato de ter um "que" a mais nos filmes de zumbis que vc citou (e tentando ser imparcial) eu acho que deve aquele emoção que (acho que somente quem curte o genero tem) de estar sozinho na luta pela sobrevivencia, planos de combate e quem sabe um teor de filosofia verde, talvez no sentido de quem são realmente os verdadeiros zumbis: os zumbis que destroem humanos ou os humanos que destroem o mundo...

Kdu Monteiro disse...

PS: parabens pele site, é meu primeiro comentário mas acompanho vcs a uns 3 meses já, continuem assim e precisando de força e/ou opiniões criticas estamos aeee

say u later...

Tarilonte disse...

Muito boa a crítica. Bem embasada e bem escrita.
Bem, tem filmes e filmes. Nem todo filme tem a pretensão de ser O filme que vai mudar a vida de quem assistir.

Alguns querem apenas divertir o espectador por 90 minutos. Parece que esse é assim. Nesse caso, basta não exagerar na pieguice nem nos clichês que tudo termina bem. Fiquei com vontade de ver.

Abraços.

JUNIN MAGNIFICO disse...

Só não concordo com o "...chatíssimo Eu sou a Lenda", mas no resto ficou do balacubaco.

FLAVIO FAGUNDES FERREIRA disse...

Essa fixação dos americanos por zumbis tem de ter alguma explicação psicológica ou sociológica.A fixação por vampiros ta na cara que eles tem por serem vampiros do resto do mundo, sugando o que podem de tudo e de todos.Acredito que no caso dos Zumbis seria uma espér]cie de catarse entre o agir errado mas sem conseqüências, o que faz o zumbi o tempo inteiro tentando devorar o próximo mas sem saber o que está fazendo no final das contas porque está morto.Acho que os Zumbis suprem o lado das guerras americanas. Onde se metem em todos os países, explodindo crianças e metralhando pobres diabos de `pajamas` sem qualquer conseqüência. Haja visto o tremendo crime de guerra ocorrido na fuga dos soldados iraquianos do Kwait em 1991, com aquela enorme via carbonizada onde milhares foram queimados pelas costas pelos bombardeiros sem ninguém ter falado absolutamente nada daquela hedionada covadia

murilo andrade disse...

Se o pirado do Voz do Além está dizendo que é bom então eu confio!

May Cry disse...

Zumbis, uma fixação estranha. Uma criatura sem qualquer resquício de auto-controle, devem representar algo do inconsciente coletivo humano, nesse momento em que tanto nos chama atenção esse comportamento predatório sem dia de amanhã dos seres humanos. São definitivamente uma doença de homem branco. Não compreendo essa fixação em Zumbis. São uma mitologia de devastação. Uma carcaça humana sem nada de humano dentro. Pelo menos nada do que reconhecemos como bom na espécie humana.

jonas pedroza10 disse...

ola adorei o site . eu sou fãnzasso de zumbis multiladores de humanos e odeio filmes de george romero. Ate hoje so gosto dos filmes : todo mundo quase morto , fido e resident evil 1,2,3, mas não vejo a hora de chegar zombieland aos cinemas, pois deve ser um filmasso.

Tiago Toy disse...

Querem algo interessante com "zumbis"? Leiam Terra Morta!

http://terra-morta.blogspot.com/


.

Anônimo disse...

nossa... crítica horrível e rasa!

Anônimo disse...

PELO AMOR DE DEUS!
QUE QUE É ISSO?
INTELECTUALÓIDES TENTANDO ARRANJAR RAZÃO FILOSÓFICA, SOCIAL PARA JUSTIFICAR FILMES DE ZUMBI????

ZUMBI É ZUMBI!
TERROR! FILME DE TERROR! HISTÓRIA DE TERROR!
DIVERSÃO!

Halan disse...

Assistam Shaun of the dead... bem melhor que esse, sem dúvida alguma... no que se trata de misturar humor com zumbis, shaun of the dead chuta-bundas dos outros filmes.. :D

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