quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Avatar FiliPêra

Pagando Bem, Que Mal Tem?

 

Grandes artistas tendem a influenciar outros. É assim na literatura, no mundo às vezes exagerado da música, e, é claro, no cinema. Kevin Smith pode ser um diretor independente, desses que faz bastante sucesso nos circuitos alternativos, como o de Sundance; é adorado por nerds… e mesmo assim influencia, as pessoas certas, ainda por cima. Judd Apatow é o maior e mais importante desses influenciados. Alcançou sucesso com o O Virgem de 40 Anos, que, de quebra alçou Steve Carrel definitivamente a posição de astro hollywoodiano. Depois Apatow produziu mais filmes que definiram sua estética nerd-centrada-em-piadas-de-verdade: Superbad e Ligeiramente Grávidos, todos eles com a participação de Seth Rogen, com seu jeito shrekiano de ser. Todos os filmes de sucesso de Apatow, tanto os dirigidos, quanto os produzidos, soam como crias de Kevin Smith, porém um pouco mais mainstream. Mas, numa regra quase escrita da indústria, o mestre às vezes volta pra homenagear um discípulo seu. Um exemplo: Steven Spielberg, que homenageou M. Night Shyamalan, em Guerra dos Mundos (atente para a homenagem em si, e não para a qualidade fraca do filme). Ou você acha que é todo o dia que veremos Spielberg centrando seu filme não na ameaça extraterrestre, mas num pai querendo se redimir com a família, tal qual ocorreu em Sinais?

Agora, chegou a vez de Kevin Smith, retornando após fazer O Balconista 2 (antes disse havia enfrentado o fracasso, com Menina dos Olhos) - que ele jurou não fazer, mas voltou atrás em homenagem a Jason Mewes ter se livrado das drogas - homenagear o seu mais famoso aprendiz. Justamente Apatow. O nome do rebento que cumpre a missão com honras? Zack and Miri Make a Porno, ou, como o nosso Brasil é maravilhoso em traduções, Pagando Bem, Que Mal Tem?, que mata um desejo antigo de Smith, que é fazer uma comédia pornográfica. A começar por Seth Rogen, novo astro da comédia, mesmo sendo engraçado do jeito mais estranho possível, muita coisa nos lembra do estilo Apatow. O destaque do longa não são suas cenas, sua trama cheia de reviravoltas ou estilo rebuscado de filmagem, com as habituais trucagens. Não. São os diálogos, especialidade de Smith, e de seu pupilo, Apatow.

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Não é todo o dia em que, inserido em uma sociedade falsamente puritana você lê uma frase como essa: “Me dê dois palitos e um elástico e eu vou dar um jeito de transar com eles, feito um MacGyver pervertido". É Kevin Smith mostrando que sabe, como quase ninguém, construir personagens realistas. Realistas não, pois o termo está absolutamente deturpado, mas reais. Sim, os que habitam o universo de Zack and Miri são tão reais e malucos como os que estavam O Virgem de 40 Anos (Elizabeth Banks estava lá, assim como Gerry Bednob, o paquistanês hilário com faca na bota, que aqui faz uma ponta como o patrão dos protagonistas)… ou O Balconista.

Zack Brown e Miriam Lynky são dois amigos de longa data que moram juntos, mas não são namorados. Como são dois típicos americanos médios, ou losers, se preferir, as contas estão atrasadas, e a luz e a água começam a ser cortadas. E eis que Zack tem a brilhante idéia de fazer um pornô caseiro para levantar uma grana. Consegue um produtor, atores e equipe de filmagem, todos do tipo mais bizarro que se possa imaginar. Mas, como você deve já imaginar, alguma coisa acontece quando os dois, em nome da produção, acabam se envolvendo demais, após mais de vinte anos de amizade. Daí para frente questão pessoais se entram no jogo, juntamente com os problemas financeiros dos dois.

Zack and Miri (não adianta, não repetirei o título nacional) narra a escalada amorosa de um casal que se ama, mas sempre reprimiu isso, afirmando não passar de amizade. E nessa premissa Kevin insere suas piadas, ora genialmente escatológicas (como a Xanterna, a lanterna que também é uma… creio que você entendeu), ora referências a cultura pop (“Dreamworks parece nome de boate gay”). Ou os dois juntos, como na festa de reencontro da turma deles, em que Brandon Routh (Superman Returns) e Justin Long (Duro de Matar 4.0) fazem um casal gay, um semi-no-armário e o outro “liberado” (repare nos nomes deles para pescar outra piada). Mas não se engane, o filme tem putaria sem pudor! Tem mulher pelada, homem pelado e cenas que parodiam com muita criatividade (ou falta dela, se preferir) as repetitivas à exaustão, cenas de filmes pornôs. Dá de capote em filmes eróticos à la Cine Privê (apelidados de “cine peitinho” pelos seus detratores).

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Kevin Smith faz ainda mais do que homenagear um discípulo. Ele finalmente conseguir equilibrar de novo todos os elementos de uma comédia romântica feita por ele, como vimos em Procura-se Amy (mas não o iguala, muito menos o supera). Misturou seu estilo verborrágico-escatológico com sensibilidade (a declaração de amor no banheiro une muito bem os dois elementos). Vai agradar a muitos, principalmente quem já é fã de Rogen, absolutamente à vontade no papel. Mas, quem esperava um novo Dogma, O Balconista, ou Procura-se Amy, pode acabar se decepcionando.

 

Zack and Miri Make a Porno (2008)

Diretor: Kevin Smith

Duração: 101 min

Nota: 8,0

9 Comentaram...

Pondexter disse...

Meu caro FeliPêra... Seu eu esperasse que cada filme do Kevin fosse como Dogma, com certeza eu não teria assistido mais nenhum de seus filmes.

Cara... Dogma é ruim demais! Já dizem que o principal ingrediente para se fazer humor é a inteligência, e isso ele não usou em momento algum desse filme.

Agora... Pagando bem, que mal tem? (gostei do título. Combinou até com o cartaz) é muito bom.
Aí sim Kevin Smith acertou nos atores, nos diálogos e no humor esculachado!

FiliPêra disse...

Talvez tenha me expressado mal! Quando disse não esperem um novo Dogma, quis dizer com relação ao estilo, e não com relação a qualidade, apesar de gostar do filme e da maluquice provinda dele!

BruNêra disse...

perai...vocês dois ai em cima não tão falando mal de DOGMA não, estam? porque se estiverem eu recomendo assistirem de novo, ele é tranquilamente um dos melhores filmes do Kevin S. ficando abaixo somente de o Balconista.

Ana Carolina Recalde disse...

Como sempre... o Brunêra tem toda razão!!! Alguém aqui falou mal de DOGMA?!?! O_O

Pondexter disse...

Meu... Teve momentos em que eu senti vergonha alheia desse filme (Dogma).

Vai ver que a intenção do Kevin Smith foi fazer algo tosco, aí eu acabei não pescando bem a idéia.

Fora o Balconista (os dois) e o filme solo de Jay and Silent Bob, o filme que eu mais gostei foi esse último.

Infelizmente não assisti ainda Procura-se Amy.

Anônimo disse...

SOU FA DO KEVIN SMITH VI TODOS OS SEUS FILMES E GOSTO MUITO DO SEU ESTILO PRINCIPALMENTE DOS PERSONAGEN SE INTERLIGAM, PROCURA-SE EMY E O BALCONISTA1 SAO OS MELHORES, RECOMENDOQ SE TIVEREM OPORTUNIDADE VEJAM TODOS, GRANDE ABRAÇO

Anônimo disse...

AH E Q A FORÇA ESTEJA COM VCS, I AM A JEDI NIGTH

Anônimo disse...

O problema do Kevin Smith é quando ele resolve entrar no sobrenatural (Dogma e aquela mini do Arqueiro Verde). A fase dele no Demolidor e o filme Procura-se Amy provam que ele é bom em redigir diálogos(nem se compara com o Bendis).

leonsaint disse...

eu viim aqui pra dizer q o pondexter é um idiota.

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